Feeds:
Artigos
Comentários

Finitude

Mergulhei a escrever curtos textos e mais textos, como se fossem os ultimos textos dos meus ultimos dias. Que poderão até muito bem ser, posto que estou vivo e pré destinado a morrer. Ah a finitude, de que falou a Meg em um dos seus recentes posts…Filosofica ou humanamente, o certo é que não existem barreiras para o “Pale Horseman”, cuja chegada será por mim aceite, com evidente pena e impotente resignação…
Se o cavaleiro mais tempo me conceder, mais serão as páginas e páginas de palavras organizadas em frases, por sua vez  agrupadas em arrazoados reveladores das minhas tumultuadas  e estranhas entranhas…Ou não, sabe-se lá!

Workaholics

O chefe saiu agora da sala trauteando “When somebody loves me, is no good unless she loves me…” e eu fiquei pensando quem poderia se apaixonar por um workaholic empedernido e sem vida própria para chamar de sua. Insisti no pensamento sobre o tema e tremi: Acho que estou ficando igual!…

Dos mistérios


Sou portador de uma infinidade de mazelas. Elas, essas mazelas, vão ganhando mais importância na medida do avanço da idade, enquanto outras desconhecidas vão aportando e instalam-se no meu corpo como se posseiros fossem, invadindo e anexando a seu bel prazer, sem que meu corpo reaja.

Ao inchaço da próstata, hipertensão arterial, pulmões bichados e outras maleitas manjadas, junta-se a expansão do abdómen. Sou um barrigudo que não toma cerveja, come moderadamente e não tem preguiça para fazer uma boa caminhada em acelerado… deve haver um mistério que eu não quero desvendar.

É que de outra mazela fui acometido: A covardia!

Cousas e causos

Foto por Luis C Nelson – Hotel Serra da Estrela, Covilhã, Portugal. De Novembro a Maio, este lugar fica coberto de neve
Como  “Serra da Estrela”, até agora e ao vivo,  eu conhecia apenas a cadeia de restaurantes onde costumo deliciar-me com as entradas compostas de pães diferentes e gostosos, excelente presunto e queijo de ovelha curado. Fora do habitual charme  do inverno e da neve, neste Setembro de temperaturas elevadíssimas, subimos a sinuosa estradinha (EN339) partindo da Covilhã até às Penhas da Saúde a 1800m de altitude. Feito o check in no confortável Hotel que leva o nome da serra, chaminhámos 500m até um dos restaurantes típicos da aldeia, enquanto admirávamos um rebanho de ovelhas pastoradas apenas pelos cães! Um dêles, enorme e posando de líder, dominava a cena magestosamente postado sobre uma rocha, de onde latia avisos de que o território ali tinha dono. O restaurante, rústico mas acolhedor, é numa casa de madeira típica da região e estava já com bastantes clientes. Pedi a minha entrada favorita, ao que o atendente esclareceu: “Os pães e o Queijo da Serra, sim; O presunto, não.”! E continuou: “Por acaso o senhor avistou algum suíno durante a subida?”…Rendi-me à evidência e registrei que afinal, presunto e outros produtos suínos não têm nada a ver com a Serra da Estrela propriamente dita! Abrimos, pois, a ementa, em cuja primeira página figurava em destaque: Prato do dia: Costeletas de porco.

Lucubrações

São inúteis e vadias as minhas palavras. Ah como são fúteis e ilógicas as minhas palavras que a  ninguém servem, nada dizem, em nada resultam.Por outro lado, pensando bem, também nenhum mal causam,  porque ninguém as lê! Então que sejam as minhas palavras bem vadias, de rua, dos cais, da zona, do prostíbulo mais promíscuo.
São também inúteis e vadias as palavras do figurão das fantásticas coisas políticas. Ah como são fúteis e ilógicas suas palavras que a ninguém servem, nada dizem, em nada resultam… Ah não! Portarei eu a desgraça de ter algum tipo de propensão para ser um animal político?! Apelo a todas as minhas restantes forças para abandonar o tema. Prefiro então, dizer-me anarquista…

A Volta

O prometido não foi cumprido e o blog abandonado juntamente com o Flickr, Olhares e tudo o mais, durante as férias neste Setembro surpreendentemente quente, cansativo, de muitas viagens. Agora,  é o retorno ao trabalho e a esperança de conseguir meios de voltar em um ano, ou mais, preferivelmente num período de temperaturas mais amenas. 

Terrinha

                                                       Foto por Luis C Nelson
Abrir a porta, a visão do hall de entrada, a tela de Willard sobre a mesinha, depois explorar o apê, abrir os registros de água e gás…O sentimento é sempre o mesmo, haja a ausência sido de um ano ou de dois: É a vontade de ficar mais tempo para os meus projetos  pessoais, é aquêle “Eu já ficava por aqui mesmo…”, a lenga-lenga do costume, até ao dia do regresso que sempre chega tão depressa!

Pretencioso

                                                   “Cardumes”  Foto por Luis C Nelson
Os dias correm depressa, o meu saldo vai-se escoando. Arroto a sabedoria e experiência que os anos me foram dando, mas acabo por me dar conta de que sempre evacuo um substrato dessa sapiência. Vejo-a debatendo-se, quando puxo a descarga…
Porque me não pertenço
e pertenço não sei a quem
resulto-me um pretenso
não pertencer a ninguém…

Desembarque

                                                          Foto Luis C Nelson
Barulho e vibração!

está no fim esta missão…

Pra casa vou voltar,

a aeronave está a pousar

deixo os ferros pra trás

se cuida aí, meu rapaz

que a  vida vai continuar

e o trabalho não vai acabar.

Um pensamento para os que perderam a vida no mar, no mesmo momento em que eu pousava em segurança no aeroporto de Navegantes, SC

Titãs

                                                           Foto Luis C Nelson

Passei a sentir-me meio alien
sobre as estruturas oscilantes
que já foram meu quase lar…
Prometeus acerca-se de mim,
rubra silhueta de homem.
Pergunta-me do meu gozo
em incendiar a escuridão
com as chamas da minha lança
e permanecer a admirar
a obra que é tudo obra
da sua desobediência de Titã
e da minha ousadia de mortal
ao esgrimir espadas de fogo
no meio do poderoso mar;
Sorrio, em resposta…