O Jonas Savimbi era meu vizinho no apartamento sobre o meu, integrado na delegação da UNITA na cidade do Lobito. Ele nem sempre lá se encontrava, é claro, mas quando aparecia, as sessões “kwacha” no terreiro do pó em frente ao nosso edifício, que habitualmente eram na palavra dos seus partidários com dom para a palavra, ganhavam uma enormidade de movimento e assistência, para escutá-lo em pessoa. Era escutando Savimbi, que sempre falava em pátria plurirracial, que eu me rendia à enorme vontade e esperança de continuar naquela terra. Até que novo duelo à bala nas ruas da outrora “sala de visitas”, quebrava vontades e esperanças. Quando isso acontecia, eu e as minhas meninas ficávamos em grave perigo, já que morávamos no edifício do homem. Acabei saindo, pela total insegurança; décadas de guerra civil se seguiram, rios de sangue correram. Lembrei-me desses terríveis tempos, ao ler sobre as valas comuns agora encontradas em Luanda, com 500 corpos…
(editado)
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