Ora vejam só: São dezenas os e as que, dizendo-se doutores especialistas, mas não só, desancam o teu médico por prescrever Estatinas, Metformina, Dudasterida e muitas outras drogas para males cada vez mais comuns, especialmente entre os mais idosos, que é meu caso. Todos esses iluminados, estão “Youtubados”, demonstrando inicialmente alguma mistura milagrosa, com produtos que temos à disposição na cozinha. Mas, e há sempre um mas, existe sempre um botãozinho de “Saiba mais”, ou “Saiba os detalhes”, que eu nunca tive a coragem de acionar, com medo de cair em alguma cilada. Afinal, se se trata de informar os componentes da mistura milagrosa, porque não fazê-lo imediatamente, sem recurso a hyperlinks? E assim, cá vou procedendo em conformidade com as recomendações do meu cardiologista. Até que ontem, à curiosidade eu não resisti, porque a “especialista” falava em misturar mel com pós de perlim-pim-pim, para que a combalida ferramenta ganhe um pouco ou muito mais de capacidade. Ousei, dirty oldman, apertar o hyperlink e eis que surge o pior de filmes pornô passando na minha tela! Desliguei imeditamente com o coração acelerado de preocupação; afinal é o PC que uso para acessar contas! Agora, em pânico, estou fazendo varreduras no sistema…
Em Nova York neva muito e o “wetherman” americano fala em mais frio, enquanto o “wetherman” da europa mostra parte do continente sendo fustigado pelo mau tempo, com muita chuva e neve também. Mas o que me chamou a atenção foi a informação de que o El Niño virá com força este ano, com temperaturas altas resultantes, para o verão do hemisfério norte. Portugal e Espanha ficarão muito secos este ano, portanto, e vão gastar a água que acumularam nas inundações. Por outro lado, há quem preveja uma grande vaga de frio com temperaturas de -50! Melhor é não ler nenhuma dessas previsões e aceitar o que a Natura mandar. Afinal, nós, humanos, em nada podemos influir, por mais que os catastrofistas insistam em imputar-nos a culpa por mudanças climáticas…
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A extraordinária Mariazinha Caria terá finalmente aceitado o inevitável e fechou seus olhos para sempre. Mulher de coragem e capacidade admiráveis para enfrentar a doença, logrou sobreviver cinco anos sem pâncreas e com o câncer comendo lentamente seus órgãos. Mesmo dizimada pelos tratamentos que a mantinham viva, ela não deixava de ir ao café conversar com amigos, conduzir estrada abaixo para o seu “Monte” no Alentejo, estar presente em eventos familiares, musicais e outros.Seu passamento, é um golpe fortíssimo para a família Caria, seus familiares e amigos, nos quais me incluo, como amigo chegado quase-família e admirador!
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Há muitas décadas no nosso passado, recém-casados, convidamos para um serão em nossa casa, um colega e amigo que eu muito prezava, e sua esposa que nós, ao tempo, ainda não havíamos tido o prazer de conhecer. O convidado era um bom interlocutor, nós, homens, falávamos a mesma linguagem enquanto apreciávamos, com excelente disposição, o sabor e fragrância de um “Dimple” de 10 anos, on the rocks, que descia redondo pelas nossas gargantas, animando os espíritos. As senhoras trocavam impressões e novidades ligadas ao universo feminino e também sobre suas atividades profissionais e fofocais nas respetivas empresas onde prestavam serviço. Não consigo extrair da memória o que a Nina colocou à disposição para acompanhar as bebidas, mas sou em acreditar fossem kitutes de mar, algo assim como camarão, rissoles diversos, por suposto. Prometia, pois, ser uma magnífica reunião de amigos, que poderia ensejar muitas outras, no futuro. Até que a Nina, divertida, formulou a fatídica pergunta: “O Henrique contou-lhe sobre a nova empregadinha que agora trabalha junto deles?!”. “Não, não contou”- respondeu, ao mesmo tempo em que nela se operava uma radicalíssima mudança de atitude. O Henrique só murmurou: “Ai meu deus, ai meu deus!”. Uma partícula do inferno caiu ali na nossa sala. A mulher deu em chorar non-stop, soluçando lamentações acusatórias sobre o cônjuge, que ela dizia ser um mentiroso e vil traidor! O serão terminou por aí, o casal voltou ao lar completamente desestabilizado. Quanto a nós, enfim sós, acabamos caindo na risada pelo insólito desfecho de um encontro que terminou em desastre. Agora, a minha pergunta: Porque terei lembrado de tal evento, havendo há pouco tempo completado 62 anos de relacionamento?!…
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É pouca a minha vontade de escrever, por não me chegarem motes à ideia, o que é bastante preocupante. Contudo, é escutando música que me encontro realmente, e comprovadamente vivo. Falando de música, tenho sido muito mais apreciador da performance de Khatia Buniatishvili, porque ela é mesmo uma grandessíssima pianista, dona de técnica irrepreensível. Mas, virtuosismo por virtuosismo, eu fico com o virtuosismo impossível de Yuja Wang. Mesmo porque Khatia é muito Buniatishvili, que entra no palco trajando belíssimos e bem-talhados maxi ou longos, de acordo com a formalidade da orquestra. Adoro Yuja! Adoro seu atrevimento fashion, invadindo os palcos esparramando genialidade e sex appeal à chegada e à saída! Decerto que à Khatia não ficaria bem fazer uma vênia à la Yuja, assim, como ela, empinando a bundinha redondinha! Yuja é apenas extraordinária e absolutamente incomparável! O meu fascínio por ela é imenso…
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Ainda se escutavam os ecos do extraordinário pouso dos homens na Lua sete meses antes, eu me tornei pai da minha primeira filha. Eu era Pai e era incapaz de realizar toda a mudança que o nascimento daquela bebezinha traria para nós, para a nossa vida! Lembro cada detalhe daquele domingo,15 de fevereiro em 1970! Recordo meu ufanismo misturado com preocupação e alegria: Era uma menina linda e fui eu que fiz! – quero dizer, contribuí, porque a obra mesmo, foi da mãezinha dela…
Feliz aniversário, Moquininha!
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Teria dificuldade em lembrar quantas vezes, durante a minha vida, me senti ufano e orgulhoso da minha nacionalidade, contra quantas vezes dela, da minha nacionalidade, me senti envergonhado. Confesso que, neste momento, sinto um misto de compaixão, pelos meus patrícios flagelados pelos elementos em fúria, mas ao mesmo tempo muito envergonhado pela incapacidade de reação a como as bestas políticas que governam neste momento o país, tratam o desastre enorme em curso, exclusivamente pelos seus interesses partidários, em detrimento da total dedicação à resposta efetiva e exclusiva de atendimento aos cidadãos. Quero dizer que, todos os cidadãos, flagelados ou não, deveriam, de pleno direito, ter boicotado a eleição em tão terrível momento. Manter uma eleição com o país num caos de destruição e cheias devastadoras, é decisão de um poder apodrecido e sem qualquer credibilidade. A história os julgará, enfim…
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O ruído do meu silêncio supera as batidas irregulares do meu coração, até que um desalmado passa com sua moto diabólica soltando rateres a meio da madrugada. Amaldiçoo a máquina e praguejo, desejando que o engenho exploda no meio das pernas de quem o opera. Acordei; as sístoles superam, sim o meu silêncio; coloco a mão no peito e certifico-me que ainda posso sentir e ouvir, porque o meu ouvido direito ainda cumpre, mesmo que que as más-línguas digam que estou surdo. Posso é eventualmente fazer-me de surdo, de acordo com as conveniências. Mas a madrugada clareou em meio à escuridão e eu levantei feito fantasma, para tomar água e verter águas. Ficou difícil dormir de novo; minha pensatrix foi invadida e baralhada pelos invasores. Penso, porque efetivamente vivo, mas que penso eu afinal? Na morte da bezerra não será, por certo; cogitarei eu sobre o tanto que empobreci desde que, numa decisão estúpida, anunciei aos meus empregadores que estava efetivamente me aposentando? Ou no que perdi de faculdades pessoais em tão pouco tempo de envelhecimento? Na minha voz, fraquinha, mas extremamente afinada, que resultou em sons surdos pastosos, que não servem nem para partir tijolo? Viro de barriga para baixo e penso na minha namoradinha nos tempos de juventude, ternura e desvario; acordei já de Sol a pino…
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Gosto de relógios. Mais do que gostar, eu sou apaixonado por relógios. Mas, ao longo da minha vida não consegui encontrar as trilhas da fortuna que me permitisse, hoje, materializar o desejo de possuir uma ou mais dessas maravilhas mecânicas, que são os medidores do tempo. Claro que não estou falando de medidores eletrônicos vulgarizados a partir da década de 70 do século passado e, pelo menos inicialmente, vendidos quase que a preço de banana. Falo da complexidade mecânica, da engenharia pura, da arte, da relojoaria tradicional, atualmente produzida exclusivamente como joias de altíssimo custo. Meu avô materno, seguido pelo único filho, eram negociantes com ourivesaria e relojoaria, pelo que ainda recordo as marcas expostas, tais como: Omega, Patek Philippe, Zenith, Cyma, Longines, e outros, ao tempo comprados pela classe média e também por operários e agricultores, com exceção do Patec, que já naquele tempo era coisa para rico. Eu possuí e destruí n relógios de pulso, sempre de marcas mais baratinhas. Com o susto do surgimento do quartzo, parecia que a horologia dos mestres Suíços iria desaparecer. Contudo, os tradicionais deram a volta por cima e reapareceram com preços somente ao alcance de poucos que também podem comprar uma Ferrari ou um Lamborghini. Finalizando, contento-me com o meu humilde “Tag Heuer”, ainda que longe do nível de valor de um “Rolex”…
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Essa tempestade chamada de Kristin fez realmente uma lenha desgramada no meu pequenino país. Mas, preservo na memória alguns temporais violentos e cheias catastróficas no meu rio Douro. Se batizaram o mau tempo nesse tempo, eu não lembro. Mas recordo acompanhar o meu pai a “ver o mar bravo”, que incluía navios jogados nos escolhos, quebrados em pedacinhos.
Evadindo-me das más notícias, sintonizei-me na Gulbenkian para, comodamente, assistir ao vivo e com todas as cores e sons, a mais um belíssimo concerto a partir do grande auditório em Lisboa, com a orquestra completa dirigida por Lorenzo Viotti. Penderecky deixou-me literalmente em pandarecos com seu concerto para violino nº 2; a solista era a virtuose ucraniana Diana Tischenko, cuja performance divinal incluía mudanças drásticas de rosto e mise-en-scène, hora dramática, hora poética, hora de incrível agressividade, como se ela estivesse a ler para nós uma intrincada novela musical, que de fato era! Suas vestes vermelho-vivo dramatizavam ainda mais sua atuação. Os muitos diálogos dela com solistas da orquestra são mais que admiráveis, intrincados, tecnicamente extraordinários! A certo ponto, ela levou a frase e entregou-a a uma fagotista que a concluiu de um só fôlego até à quase exaustão, a julgar pelo seu rosto tingido de vermelho! A peça terminou com Diana sola, num loooongo sustain de uma só nota, seguindo-se igual tempo de silêncio absoluto até que relaxou para o grande, interminável aplauso. Teve “encore”, mas, sinceramente, são consegui identificar a peça. A mulher precisava mesmo era descansar, porque deve ter perdido uns 2 quilos. Na segunda parte, fomos brindados com a Sinfonieta em Si maior de Erich Korngold. Como não conhecia, achei que, por ser “Sinfonieta”, tratava-se de uma curta peça; ledo engano, porque é uma sinfonia longa, ou pelo menos, longa para o que eu esperava. De qualquer forma, é obra admirável de um compositor, que se mudou para os Estados Unidos, onde se dedicou a musicar filmes, com “scores” inesquecíveis e que influenciaram o estilo de compositores como John Williams (e.g. Star Wars, Harry Potter). Williams até hoje fala de Korngold como uma referência…
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