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Recortes

“…Ousei até creditar à lusitanidade esta minha tão extremada ligação melancólica com o Mar mas, no momento seguinte, flagrei meu outro eu em expressão de crítica por tal pensar. Agastado, pisei firme no firme chão e diriji um rogo de ajuda, a quem na vida ajuda nunca me recusou…”






Em “O Livro do meu Caos”

Retorno


A sedação, a que chamei de coma induzido, serviu-me para dar um tempo e repensar até onde é válida a continuidade do Blog,  num cenário muito pouco propício para a criação. O resultado nada tem de surpreendente: Se por um lado me tenho sentido “livre”, por outro, acabei dando por mim num estranho vazio ou  lacuna que descubro, em pânico, ser ultra permeável a elementos altamente poluidores, tais como TV, por exemplo! Retirei, pois, a sedação. 
A alta da UTI seguir-se-á…

Meu absurdo



“Vaguear pelo absurdo revitaliza-me, pela via do que de mais absurdo tem a minha absurda alma. 
O absurdo contém doses massivas de ilógico, profilática medicação contra os males da fria lógica que contamina e aflige o meu cotidiano.”



Em “O Livro do meu Caos

Sonhos

Os meus sonhos são tão belos quanto a Vênus de Milo…
O que há, é que só eu dou por isso.
Rooo…rooo..rooo…
(meu ronco aqui dentro)

Papo tedioso

 Nada há de tedioso no que faço e de tédio eu não padeço. Mesmo que momentâneamente  não goste do que faço, eu forço-me , acerto passo e acabo pelo que faço tendo apreço… O que há, é que sou eu próprio a razão do meu próprio tédio.

Luto

Com a família e eu próprio devastados, divago em torno do quão efêmeros somos, criaturas biológicas dependentes de frágeis cadeias de eventos eletro químicos. Escrevi  hora destas no blog da Meg, questionando-me sobre “quantas vezes terei eu, nas doidas ‘flanagens’ pelo meu impossivel, me visitado na morte”
Dessas visitas, ficou-me uma certeza: A morte é a definitiva, verdadeira e única forma de LIBERTAÇÃO!
Todas as outras libertações são fictícias…
“…E aos que vão da Lei da Morte se libertando…” (Camões)

Ao primo Paulo, que tão cedo se libertou

                                *  *  *

Update em 27/10: Um dia passado junto dos arrazados pais do
       Paulo, a  missa de sétimo dia, o chororô pungente e sem fim!…
       Agora, sinto necessidade de falar dos vivos!

Descanse em paz…

Sobre a “Finitude”, falei da fatalidade da morte em função de estar vivo, bem como do difícil que é nos resignarmos com a sua chegada. Por mais vivido que se seja, o fim nem para o suicida chega serôdio, pois, dizem, a todo o suicida sobrevem um arrependimento que pode ou não ser tardio…
Hoje, extraí dos retalhos dos arquivos um triste réquiem a um jovem muito jovem que sucumbiu ao sortilégio das armas – maldição precoce de por tão frágil, com elas  achar-se tão poderoso.
Eis que as novas me surpreendem ao chegar a casa agora à noitinha: O Paulo Prazeres, uma das crianças da nossa família que mal tinha completado 41, médico e pai dedicadíssimo de quatro menininhos, não resistiu ao ataque cardíaco e partiu…

O menino

Os pistolões desproporcionais pendiam-lhe de cada lado do cinturão prêto com detalhes prateados sobre o short e iam-lhe até abaixo dos joelhos magros. O boné de policial novaiorquino era-lhe grande e balançava, ridículo, em todas as direções, conforme sua cabeça se movia. Uma enorme gravata de adulto completava o surreal trajar do menino-criança a caminho da escola, acompanhado de sua mamãe que sorria e não via como insano, o look do seu rebento-da-triste-figura …
O menino dos pistolões cresceu seu estranho crescer, até substituir os pistolões de brinquedo por máquinas de matar autênticas, com as quais continuou a fantasiar seus heróis ou bandidos, heróis- bandidos ícones da sua visceral agressividade.  Até que uma das suas máquinas de matar berrou maldosamente, secamente.
Menino tão cedo armado, cedo foi enterrado, caso encerrado…


Dos meus retalhos

La Nave Va…


 Uma semana elapsou-se desde o ultimo post e, devo reconhecer, estou mais que nunca mergulhado no trabalho que pretendia decrescido de forma a permitir-me ler muito e escrever muito mais. Vi e gostei de uma entrevista de  Lobo Antunes na TV, resultando-me vexado por não ter podido até agora ler os livros que adquiri em Lisboa e aos quais já me tinha referido no blog da Cora. Um deles é do próprio Lobo Antunes sobre Egas Moniz, um dos  papas da neurologia da primeira metade do século passado, único Nobel português de ciência. O meu recente envolvimento em mais um projeto, pôs fim a um fértil mas brevíssimo período em que desatei a escrever freneticamente para a colcha de retalhos a que estou chamando de “Livro do meu caos”