Longos foram os anos construindo meu próprio eu, que agora, paulatinamente, vou desconstruindo, em pedacinhos que de mim se vão desprendendo, num processo sem retrocesso. Reflito, e enquanto reflito, eu me agito, aflito, porque a minha pretensão de ser imortal pode, afinal, ser só coisa da minha cabeça. Mas será mesmo? É que eu pretendo usar o novo aeroporto de Lisboa, que talvez esteja pronto lá pelo final deste século, a depender dos bons ofícios dos políticos e burocratas…

O “normal” da tarde de ontem, definiu-se com os ajuntamentos em todas as elevações, para apreciar, fotografar, deliciar-se com o rei Sol brincando às escondidas com a Lua, num evento que não mais verei na vida que porventura me reste. No entanto, o tal “normal” em mim foi de total anormalidade, se considerarmos o fotógrafo amador dedicado que, em tempos, costumava ser. Sorte que o meu cunhado tinha uma máscara de solda, o que permitiu dar uma espiada rápida no eclipse, que aqui por Lisboa e arredores foi apenas parcial. Mesmo assim deveria ter fotografado, né? Mas não fotografei! No entanto, acordei hoje cedo o suficiente para, agora sim, fotografar para certificar-me e documentar que o Sol se livrou mesmo da Lua…
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O mês de julho findou, assim como os convívios de família para comemoração dos oitenta anos de vida da matriarca, minha companheirinha. No entanto, mesmo com tanta reunião familiar, em nenhum momento houve a tradicional “sopração” de velinhas ao som dos “parabéns pra você nesta data querida”, choque e elevação dos cristais com espirituosos, ninguém botando “faladura” com pompa e circunstância. Só e nada menos que a legítima alegria da presença dos membros que vivem a milhares de léguas de distância uns dos outros. Aos arreigados costumes, a homenageada disse “não”; sem bolo, sem drinks, só a fraternidade dos abraços. Agora, todos estão de novo nas suas áreas geográficas, a braços com suas atividades que lhes tomam o tempo, deixando a saudade para nós, que, enfim sós, prosseguimos a comemoração…
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Quando eu “descobri” o grupo “Peppino di Capri e seus cinco rockers”, lá por volta de 1958, eu não gostei nem um pouco e não me interessei por adquirir deles nenhum disco, apesar de “Let me cry”, “Nun è pecatto” e “Last train to san Fernando”, que me agradavam. Ao tempo, garoto de 14, eu ainda não me apercebia do excelente pianista que ele já era, e do seu real potencial. Depois vieram “Marina”, Mezzanotte” e, especialmente, “I´te vurrio vasà”, que eu adorava. Seguiram-se os sucessos de “Champagne” e “Roberta”, que pavimentaram definitivamente sua longa carreira…
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Nosso café da manhã, foi, nesta manhã, tão frugal quanto habitualmente os nossos cafés da manhã são; a diferença foi o silêncio, só cortado eventualmente pelo som do pousar da caneca no pires após o sorvo. Dois olhos verdes, tão verdes como o mar por vezes consegue assumir, estavam arredios e chispavam claros raios de contrariedade. A função terminou, enfim, sem que uma única palavra fosse trocada entre nós! O porquê do nosso agastado proceder, eu não sei exatamente, mas, certamente que terei sido eu próprio quem espoletou o mal-estar…
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São seis horas da tarde, os termômetros marcam 41 graus C à sombra e eu não faço nenhuma ideia de quanto estará ao Sol. Verão no sul da Europa é fogo mesmo e a população foi avisada desta onda de calor. Culpa de um “El Niño” extraordinário, ou simplesmente uma vaga? Certamente não é culpa da mudança climática, por mais que os catastrofistas insistam em suas esfarrapadas teorias. Ar condicionado esfriando o ambiente, vinho branco bem gelado, queijo da serra de aroma e sabor fortes, a felicidade latente de aproveitar que estou ainda vivo…
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Em um dos meus recentes posts, falei em Merissa, a dos olhos verde-cinza, dona de admirável vozeirão. Hoje elevo outro nome imenso ao altar das mulheres cantoras diante das quais me curvo, ou até me ajoelho: Lucy Thomas, agraciada pela Natura com olhos de um azul celeste estonteante e uma voz de sonho, é inglesa de nascimento e surgiu de um desses shows de talentos, não sei qual deles. Milhões de seguidores nas redes sociais, como eu, maravilhados por suas gravações no You Tube, atinge o auge da sua arte nos palcos com “Rosie-The Musical”! Adoro…
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Não sou vidrado em futebol, as redes sociais incomodam-me mais que nunca, a música vem sendo desumanizada pela autoria IA. Por essas e por outras, forço-me a voltar à leitura, que ultimamente por demais tenho mantido à distância de mim. Resta muitíssimo para ler dos títulos que comprei da Agustina Bessa Luis, mas extraio da estante um livrinho de Sonetos de Barbosa du Bocage; surpresa: Tem uma dedicatória minha para a Meg (Maria Elisa Guimarães), já falecida! Diz a dedicatória: “Comprado num alfarrabista no centro de Setúbal, especialmente para a Meg”. Tento, sem resultado, lembrar da razão que me levou a não enviar o livro para a Meg, já que a dedicatória é bem anterior ao seu passamento…
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Há cerca de doze anos, por resultado de resultados pouco convincentes, eu escrevia:
“Também, na minha leiga análise, o meu pátrio team não deveria estar na copa. O grupo é fraco e colocaram todas as fichas na sigla CR7, que no momento encontra-se ruim das pernas, incapaz de livrar-se de marcações, que dizer de jogar futebol…”
O que foi visto no jogo de ontem, é um repeteco do “déjavu” da história…
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