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Quanto mais me embrenho na leitura, mais me identifico com Pessoa e tudo o que rodeava o seu cotidiano na velha Lisboa. De repente, dou-me conta de realidades do seu dia a dia que atravessaram as décadas e chegaram até ao comecinho da minha juventude portuense nos anos 50! Por exemplo, os cigarros que sorrateiramente eu fumava junto com os colegas  nos intervalos das matinées de Domingo nos cinemas “Batalha” ou no “Carlos Alberto”, eram os mesmos “Provisórios”ou “Definitivos” fabricados pela “A Tabaqueira”, que Fernando Pessoa queimava sem tragar, em número de até 80 por dia!

Um dia destes escrevi um texto sobre as minhas temporãs  experiências poéticas  para uma menininha da minha idade por quem caí de amores, mas da qual nunca consegui sequer um olhar. No texto eu destaco a minha completa falta de jeito para declamar meus escritos, o que prevalece até hoje, enaltecendo minha admiração  pela fantástica força dramática do incomparável João Villaret, que assisti ao vivo nos idos de 56 ou 57. Pois não é que Villaret é citado por haver dito a  Antônio Botto, que “Pessoa, com aquela voz, nunca seria um ator”, enquanto assistiam o poeta a declamar seus versos?!

A verdade, é que a obra de Cavalcanti Filho está mexendo comigo…

Home office

Produzir em casa tarefas de serviço poderá até adicionar um certo stress, pois é necessário garantir e até forçar a apresentação de resultados em todo ou em parte, evitando mal entendidos que não existem quando se está presente nas instalações da firma. No entanto, sabendo-me bastante disciplinado, adoraria ter a oportunidade de fazer isto todos os dias e ir à empresa somente quando necessária a presença em reuniões, etc.!

O dia dos pais serviu para relaxar, caminhar, receber os “parabéns” das meninas que gerei e que tão longe de mim estão. Mergulhei na leitura do livro magnífico de Cavalcanti Filho sobre Fernando Pessoa e, coisa completamente não usual em mim, dormi!!…

Antecipação

                                                Foto Luis C Nelson
O dia do pai é amanhã, mas a Nina escondeu mal o presente. Presentão, aliás, pois são setecentas e tantas páginas falando do Pessoas! Leitora fiel e silenciosa do blog da Cora, aproveitou a dica de leitura para não ter de perguntar-se o que iria comprar…

Havia…

                                                 Foto Luis C Nelson


…um buraco na trilha. Era grande e escuro, o buraco na trilha. Não havia passagem, porque havia outros buracos ao lado do buraco no meio da trilha. Recuei, tomei impulso, corri, pulei…

Caí dentro do buraco da trilha. Queda flutuada, não vertiginosa, pela escuridão do buraco da trilha.
Minhas gargalhadas eram insanas e ecoavam, ecoavam…
…ecoam, enquanto escovo os dentes e olho a irreal silhueta refletida no espelho. Não parece que seja eu, ou é pelo menos um eu estranhíssimo. No entanto, estou acordado! Ou será que não estou?…
Tento arrumar a bagunça de sons, siglas numeros sem nexo…PNF…PF…TO/GA…447…
Gelei!
Juntam-se os trapos,
Roupas e farrapos,
Revolução no roupeiro!
Duas escovas de dentes,
Mais acessórios e pentes
Dão alegria ao banheiro…
É um “Sei que vou te amar,
Minha vida te dedicar”,
Por entre beijos de paixão!…
Amor explodindo em frenesi,
Corpos suados, fora de si,
Doces delírios em turbilhão…
Pra eternidade é este amor,
Que nada, seja o que for
Será capaz de abalar!
Almas gêmeas que se unem,
Apaixonadas se fundem,
Pra vida inteira enfrentar…
Mas um dia (há sempre um dia)!
Outro alguém rouba a fantasia
Da eternidade desse amor…
Volúveis são os corações,
De curta dura as paixões,
Oh!Perjuras juras de amor!
Depois, é o déjà vu…
É um “Je ne t’aime plus”
Com fria determinação!
Agora me digam, doutores,
Como enfrentar os horrores,
Desses males do coração?


Anteriormente publicado no Recanto das Letras

Aniversário


As estrelinhas nascem com seu curso já determinado. Meus caminhos sempre foram indicados e iluminados pelo brilho de uma dessas estrelinhas.
Metade de mim é tormento
um não sei quê de lamento
na minha alma caldeado…
A outra metade tem ouro
parte de um grande tesouro
que a mim foi confiado…
Metade de mim é nostalgia
que me compele à poesia
em rimas à “sóror saudade”…
A outra metade é ventura
misto de alegria e ternura!
-Será isso “felicidade”?!…
Uma metade de mim é introvertida
enclausurada e encolhida
em momentos de reflexão…
Mas a outra metade é carinho
que cabe bem direitinho
dentro do teu coração…

Divagando

Amor dito “verdadeiro”é uma montanha de difícil acesso; Mas, mais difícil que atingir seu cume, é nele acampar e sobreviver a todas as intempéries, variações abruptas de temperatura, ataques de predadores e fatal atração de corpos celestes que no em torno gravitam…
+++++++++++++++++
Com a idade, queda da líbido é fatal como o destino; É aí que o tal de “Amor” se transforma em estrutura primária: Tudo desabará, se as propriedades resistoras da estrutura não forem capazes de uma resposta adequada.
+++++++++++++++++
É preciso não acreditar demais nos dourados versos de amor do poeta; Como nem tudo o que reluz é ouro, muitos desses versos são para acalmar os ânimos da musa sériamente zangada. Musas são extremamente suscetíveis…

Doce "traição"

Os nós cegos
Que a ti me atam,
Não desatam
Não dilatam…

Se em sonho te “traio”,
Afinal eu não te traio
Porque é o teu rosto
Que na fantasia é posto!
E a minha “traição”…
É com teu corpo e teu coração!

Cyclophagus

                           Foto por Luis C Nelson  –  Será um Cyclophagus algo assim?!

Patricia Melo (Cadernos do Ticino) disse ser “imperdível” e eu acabei comprando o livro de Joyce Carol Oates “Wild Nights”, versão traduzida para o Brasil por Elisa Nazarian e publicada sob o título “Descanse em Paz” pela Texto Editores de São Paulo. Li de um só fôlego as histórias sobre Poe e Emily Dickinson e parei para voltar ao Farol de Viña del Mar, subir os 190 degraus para acender a lanterna, mas, muito principalmente, para conhecer o aterrorizante “Ciclofagus”. Quando me sentir satisfeito, prosseguirei através das histórias escritas sobre Mark Twain, Henry James e Hemingway.