Vezes sem conta, “sobrevoo” com o olhar tudo o que me rodeia dentro de portas; constato que não somos nada acumuladores, a julgar pelo estritamente essencial em móveis e elementos de decoração. Somos, pois, modestíssimos, nada havendo para disputar, quando abotoar o paletó. Mas sou eu, quem à priori, se sente ciumento desse pouquíssimo que vejo nos meus sobrevoos. Não é justo que eu deixe assim, em algum momento, de repente, de usar e abusar dessas parcas coisinhas de pouco ou nenhum valor, mas que me dão prazer e orgulho de possuir. Em vez de ficar deprimido, meditabundo, teimo em reafirmar e proclamar a minha condição de imortal. Ninguém irá, pois, dispor, indispor, botar no lixo ou fazer uma venda de garagem das minhas coisas, porque eu decreto que permanecerei vivo, vivo, enquanto a morte me não levar…
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Glissando
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Limitações
Posted in Uncategorized on 23/10/2026| Leave a Comment »
“Coragem”, disse ela para ela própria, enquanto se levantava e se encaminhava para a cozinha para reiniciar os procedimentos para o almoço. Os ditos procedimentos já haviam sido interrompidos para que fizesse a cama e passasse a ferro uma porção de roupa, minha e dela; depois sentou por alguns momentos tentando ver-se livre da dor nos quartos. No mesmo lapso de tempo, eu perdia-me na leitura de besteiras na internet. Não tomo para mim parte dos afazeres de cozinha, porque eu, segundo ela, se colocar água para ferver, eu vou deixar queimar a água! É bem verdade que várias cafeteiras foram por mim imoladas a fogo lento. Mas, como exemplo de que não sou tão desastrado assim, nunca quebrei louça quando lavo, enxugo e guardo porcelanas e vidros! (a exclamação é minha e o texto também). Concedo que fico sem jeito, porque somos praticamente da mesma idade, com as mesmas limitações físicas, mas as limitações físicas dela parecem, de longe, menos limitantes que as minhas e são acrescidas de muitíssimo mais “coragem” e nadica de nada “lazy”…
Emoções
Posted in Uncategorized on 19/10/2026| Leave a Comment »

No dia de ontem, durante o solene render da guarda no palácio presidencial em Belém, experimentei ser transportado à infância, ao tempo em que meu pai tinha um pequeno studio fotográfico bem em frente ao aquartelamento da Guarda Nacional Republicana na cidade do Porto e eu era colocado na janela do 1º andar, para seguir, com meus olhinhos de criança, as manobras da cavalaria, da tropa e da Banda Marcial,com os mesmos “penachos”nos capacetes, as mesmas espadas, os mesmos uniformes, o mesmo cadenciado marchar solene. Adorei, como naquele tempo, mas com meus olhos humedecidos de octogenário profundamente emocionado…
Do Pau
Posted in Uncategorized on 15/10/2026| 2 Comments »

Desocupado, gastei algum tempo extra correndo prateleiras e prateleiras de vinhos e correlatos alcoólicos da terrinha e não só. Eis que surge uma bebida realmente atraente e bem lusa, que já conhecia de um grande outdoor que vi e até fotografei há já alguns anos em Vila Real de Trás-os-Montes. Só que agora era o produto ele próprio, ali, ao alcance da minha mão, à minha disposição! Pensei então: “Comprar, ou não comprar uma garrafinha do dito cujo?”; “será que faz mais efeito que Tadalafil?”. Mas, na continuidade da dúvida, lembrei-me do diabo do diabetes. “Melhor não”, concluí…
Nobel II
Posted in Uncategorized on 13/10/2026| 2 Comments »
Monica Vitti foi para mim e porque não, para nós, casal que admirava sua atuação nos filmes de Antonioni, uma boa (sexy) atriz do cinema italiano. Fui, ou fomos a tal ponto fans, que nossa primeira filha, recebeu seu nome: Mónica (assim mesmo com acento agudo), escandalizando as famílias da nossa cidadezinha do Lobito, Angola, onde a ninguém havia ocorrido a ideia de dar tal nome a uma recém-nascida. O que é certo, é que após a nossa filha, o nome por lá disparou de popularidade! O mote originou-se na ganhadora do Nobel de Literatura, Anne Carson, particularmente em “Ode to the Sublime by Monica Vitti”, do qual não logrei extrair nada de nada. Certamente não possuo a inteligência da ínclita senhora e deverei beber da sua fonte, para chegar a entender e até para me atrever a resenhar, se me aprouver, alguma de suas obras poéticas. Enquanto me aprofundo no seu trabalho, permanecerei, pois, calado, como convém…
Delícias
Posted in Uncategorized on 12/10/2026| Leave a Comment »
Pés de galinha! Não me refiro às rugas dos olhos quando rio; estou falando dos pés de galinha cozinhados com temperos gostosíssimos, com que me deliciei ao almoço! E há quanto tempo não provava a iguaria que tanto gostava em criança? Poderá haver quem tenha esgares de horror à ideia de comer as patas das penosas, mas eu garanto que, temperadas por quem sabe, são excelentes, além dos benefícios do colágeno para as minhas peles flácidas de octogenário. A tudo isso, adiciono as tantas recordações dos meus verdes anos, que foram surgindo enquanto chupava os ossinhos. Tem pouco para comer, mas muito para rememorar…
Bom-mocismo
Posted in Uncategorized on 09/10/2026| 3 Comments »
A propósito do despropósito das polémicas sobre CR, sugeri que deveria ele ter sido politicamente mais inteligente e segurar as raivas sentadinho no banco, porque, a meu ver, ele só teria a ganhar, a saber: teria “ganho a partida” junto com a equipe; com calma, prepararia, treinando com toda aquela raiva e o que ainda lhe resta de engenho de bola e força, uma resposta muito mais gloriosa dentro de campo; seguir-se-ia uma saída final através da grande porta da imortalidade. Parece que me falta moral, porque a minha companheirinha jogou-me na cara o quanto de arrogante e reativo eu tinha de sobra na juventude; “Tu”, disse ela de dedo em riste: “farias exatamente o que ele fez”!…
Nobel
Posted in Uncategorized on 08/10/2026| Leave a Comment »
Vi que Sabine Hossenfelder, que admiro, não está empolgada com os Neutrinos do Nobel de Física deste ano, Francis Halzan, não porque ele não mereça o prémio pelo trabalho e dedicação ao materializar a experiência do gigantesco cubo de gelo no polo sul, mas pergunta para que realmente servirá como benefício para a humanidade. Ela deve ter razão, mas se tem ou não, certamente todos os físicos do planeta ocorrerão a apedrejar, ou não. O que eu acho? Oras, eu não faço a mínima ideia…
Alma minha…
Posted in Uncategorized on 06/10/2026| Leave a Comment »
Clarice disse, em algum momento, sobre Brasília: “Aqui a Alma não faz sombra no chão”! A afirmação vale hoje para imensos lugares, não só para Brasília, que só conheço por fotografia. Minha Alma, ainda que pequena não seja, não mais projeta sombra no chão e com isso eu não posso segui-la com os meus passos, mesmo tendo o Sol por detrás de mim. Não sei se perdi a Alma, ou se ela simplesmente de mim se esconde, envergonhada, sem graça, que desgraça…
Dia Mundial da Música
Posted in Uncategorized on 05/10/2026| Leave a Comment »
Não sendo eu um fulano de dar atenção aos futebóis e suas tretas, assim como presentemente nada interessado nas nebulosas e perigosas coisas políticas, tendo a deixar-me arrastar pelas artes, desde que, bem entendido, nelas não estejam contidas política retrógrada, wokismo e outros tipos de retardo mental. E, dentre todas as artes, eu privilegio as musicais. . Sucedeu então ser convidado, na noite do dia mundial da música, para um concerto, digamos, diferente.
António Vitorino D´Almeida, reza a Wikipédia, dista de mim em idade apenas quatro anos, mas ele encetou sua longa estrada musical e artística em palco, com apenas sete anos de idade, ao piano, tocando peças de Mozart, Beethoven e composições dele próprio! Daí os seus oitenta anos de carreira, sendo comemorados em apresentações acompanhado pelo excelentíssimo músico que é Manuel Teles, formado pelo conservatório Giuseppe Verdi, muito conhecido na Itália e de mágicas habilidades nos saxofones – do soprano ao barítono! Mas, devo dizer em abono da verdade, nenhum desses dois nomes eram por mim conhecidos, antes de ser convidado por familiares, que se encarregaram de adquirir os caríssimos ingressos ao preço de um euro cada! A performance, que chamo de jazzística e reconheço não ser para todos os ouvidos, foi uma miscelânea de temas, que incluíram peças da autoria de Vitorino para filmes, mas pesadamente marcadas pela improvisação, daí eu classificar o show de jazzístico. Várias foram as vezes que o pianista dedilhou ou martelou as cordas com as mãos, para criar sons inéditos para emoldurar suas interpretações!