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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Escrevi, postei, mas agora edito, um texto em que eu me revoltava por haverem incluído num processo, os pilotos do MD11 da UPS que sofreu colapso estrutural do “Pylon” da turbina esquerda na decolagem, resultando em stall da turbina central e consequente perda potência e controle, que acabou em grande destruição e incêndio nas infraestruturas em terra. A tripulação e mais de uma dezena em terra, pereceram. Portanto, os advogados dos que pereceram em terra culpam os pilotos por, na habitual inspeção superficial que antecede o voo, “não detetarem as fraturas do Pylon”!! Também os culpam por, com a aeronave muito acima da velocidade de V1 e já voando, “não abortaram a decolagem”!! Como se fosse um automóvel que, dando pane, você simplesmente encosta na berma. Ressalvo que a informação sobre o processo, eu li em diversos comentários em torno da liberação de relatórios do NTSB sobre o desastre…

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Frio

Os meus dentes são castanholas, que batem, batem sem parar sem parar, sob a friaca que estou sentindo aqui em Curitiba e o inverno nem começou. Problema é que sinto mais frio na minha sala que na rua! Não, não tenho aquecedores ou ar condicionado, porque…sei lá porquê, mas o fato é que tô com frio e pronto. Mesmo com frio, aqui estou em frente ao telão assistindo a mais um concerto direto da Gulbenkian. Desta vez é a pianista argentina Ingrid Fliter tocando o concerto Nº 2 para piano e orquestra, de Chopin. Gostei do estilo e domínio de La Fliter, excelente performance, execução irrepreensível. No entanto, em razão do frio que estava sentindo, não esperei por algum possível encore…

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Aniversário

Meio século é mais contundente de se dizer, que cinquenta anos, embora saibamos ser exatamente o mesmo lapso de tempo. Digo “lapso de tempo”, porque a meu sentir, foi não mais que há duas curtas semanas atrás, que aconteceu o nascimento da nossa caçulinha. No entanto, metade de um século decorreu! Feliz Aniversário, querida Vanessinha!

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Vazio

Descobri que o YouTube apresenta um crescente número de historinhas tipo coleção “Pimpinela” e me surpreendi atraído e gostando. Justifico-me, ou pelo menos tento justificar-me porque eu só assisto pimpinelas em inglês, como mais uma forma de manter agilidade na língua, digo eu. Então, tome-lhe joias como “Spirit uplift stories” ou “Revenge Stories” and so on, todas  de cunho absurdamente inverosímil, próprias para quem se recusa a pensar em coisa séria, como é meu caso, no caso! O interessante é constatar que ricaços que sempre são as figuras dominantes das tramas, homens e mulheres, há muito que deixaram de ser “milionários” e se catapultaram para status mais elevado: “Bilionários” ou mesmo “trilionários”, demonstrando o quanto as moedas se desvalorizam à velocidade da luz! Voilà…

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Muitos anos no passado, recordo já haver confessado numa postagem, os momentos de embaraço sofridos em razão da minha fragilidade emocional. Explosões incontidas de emoção podem acontecer-me na plateia de um teatro, num concerto clássico, numa ópera, ou na simples explanação histórica de um guia de museu! No caso dos concertos, o meu mais problemático momento, é o aplauso massivo em pé ao final de uma obra: é o caudal de lágrimas impossível de disfarçar; é o lenço rapidamente encharcado, é o surdo e envergonhado auto insulto à minha absurda fragilidade! A verdade seja dita: eu não posso ver ninguém chorar, sem cair no choro também. Acaba por parecer ridículo, ou é mesmo ridículo, mas, se estas minhas ultrassensíveis reações são mesmo e afinal uma espécie de doença do foro psíquico, então estou, sem dúvida, piorando substancialmente com o avanço da idade!…

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Decadência

Lentamente, valores pessoais intrínsecos foram-se perdendo na poeira dos tempos. Sinto-me decair na vida com velocidade crescente, como se houvesse pulado de enorme altura e, aparentemente, desço mais rápido que a aceleração da gravidade. Será talvez natural, porque será bem pouco o tempo que me resta para viver. Além de tudo, eu sou homem em um tempo em que há vozes gritando que homem não serve para nada. Imagina homem, idoso, ainda que não esteja usando bengala. Nenhuma mais-valia me resta e nem dentro das portas me sinto com alguma importância…

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O Jonas Savimbi era meu vizinho no apartamento sobre o meu, integrado na delegação da UNITA na cidade do Lobito. Ele nem sempre lá se encontrava, é claro, mas quando aparecia, as sessões “kwacha” no terreiro do pó em frente ao nosso edifício, que habitualmente eram na palavra dos seus partidários com dom para a palavra, ganhavam uma enormidade de movimento e assistência, para escutá-lo em pessoa. Era escutando Savimbi, que sempre falava em pátria plurirracial, que eu me rendia à enorme vontade e esperança de continuar naquela terra. Até que novo duelo à bala nas ruas da outrora “sala de visitas”, quebrava vontades e esperanças. Quando isso acontecia, eu e as minhas meninas ficávamos em grave perigo, já que morávamos no edifício do homem. Acabei saindo, pela total insegurança; décadas de guerra civil se seguiram, rios de sangue correram. Lembrei-me desses terríveis tempos, ao ler sobre as valas comuns agora encontradas em Luanda, com 500 corpos…

(editado)

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Revisita…

De longe a longe, eu revisito coisas e loisas que em algum momento escrevi. Divirto-me ao fazê-lo, mas, nem tão raramente, surpreendo uma ou duas lágrimas surgindo e rolando pelo rosto abaixo. Não foi o caso deste texto:

“Acordei assim, sentindo-me dominante! Absurdamente absoluto e resolutamente vencedor!…Na sequência do meu acordar, sentei no vaso sanitário e logo a humilhante humildade desceu sobre mim para contrariar meu absolutismo e colocar tudo no seu lugar: Afinal, eu não era um poderoso figurão – era apenas e tão somente, um cagão… “

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Chuva

Sabadou um dia chuvoso, preguiçoso, ventoso. Será ele, o sábado, venturoso? Aventuroso, definitivamente não será, que sequer faremos a prometida caminhada, por força do tempo adverso. Amoroso, sim, será, a julgar pelo semblante risonho da minha companheirinha. Se o meu semblante está também risonho? Não sei, vou perguntar ao espelho. Mas achei uma temeridade e nem cheguei perto (do espelho), com medo de eu me morder a mim próprio, estragando o sábado…

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Because…

…”Because the world is round, it turns me on”… Escuto múltiplas vezes essa gravação dos Beatles, insistindo mentalmente em ligá-la à fala de Christina Koch, na qual exteriorizou e nos passou de forma profundamente perturbadora e emocionante, o quão insignificantes nós somos, enquanto simples tripulantes de um pequeníssimo, belíssimo, azulado e  único habitável planeta, aparentemente suspenso na imensidão esmagadora de um Universo subjugante, assustador! Acordei em mais um primeiro dia de maio, escorraçando de mim ao dia atribuir especial valor, porque quase nada festeja o trabalho, tudo é política, política que me assusta tanto quanto o negrume vazio do espaço profundo…  

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