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Foto por Nelsinho
Algum tipo de alegre componente seria, de ordinário, a escolha certa como reação requerida contra a solitude que me esmaga, neste cubículo envidraçado e tão friamente quente. Mas, bluer than the blues, preferi deixar fluir a envolvência e afago da voz e piano de Norah, que abriu caminho para em seguida, a divina Cesária embalar-me com suas mais belas mornas.
Ocorreu-me que quando a Cesária nos deixou, escrevi uma pequena homenagem dentro do espaço de comentários do blog da querida Cora Rónai, evocando a era em que tomei meu primeiro contato com os cantares de Cabo Verde. Atrevo-me a deixar o mesmo texto neste post:
“À sombra das frondosas árvores e palmeiras do jardim em frente ao mercado municipal, um grupo de caboverdianos posicionou-se estrategicamente em frente ao “Quiosque do Espírito Santo”, restaurante-esplanada de odores e sabores inesquecíveis. Eram homens magros, vestiam trajes de linho branco amarrotado e todos usavam chapéus claros. Tinham como instrumentos dois violões, uma rabeca, um cavaquinho e um clarinete. O cantor aparentava ser o mais velho do grupo. Começaram com uma alegre Koladera que atraíu imediatamente a atenção dos frequentadores da esplanada e muitos passantes, entre os quais eu me encontrava. Depois, e durante cerca de uma hora, os corações vulneráveis foram atravessados pela torrente de suave fluxo daquela singela melodia, do cantar triste em dizeres crioulos de amor e saudade, dramatizado pelo lamento da rabeca. Pela voz e instrumentos dessa manhã, as notas de “Xandinha” instalaram-se na minha memória de forma indelével e fizeram de mim um apaixonado pelas mornas de Cabo Verde. Eu completara 16 e a Cesária, com 19 lá no seu Mindelo, nem sonhava que tomaria o planeta com seu cantar..”.
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A crônica abaixo, escrita e publicada em 2010, serviu para relembrar o curto sufoco por que passei em um supply boat no mar da china. Com isso, procuro situar-me na experiência terrífica e bastante traumatizante que deve ser virar inesperadamente naufrago enquanto passageiro de um dos maiores e mais luxuosos cruzeiros do mundo! Agora, ficarei curiosamente vasculhando todos os documentos que serão gerados pelas várias comissões, para saber como tal coisa foi possivel. Refiro-me aos eventos que levaram ao afundamento do navio, não ao encalhe em si, aparente resultado de erro de navegação.
“Não há mal que não acabe nem bem que sempre dure. Assim foi com as duas sessões de provas de mar, que tiveram seu término de forma inesperada, porque o navio continuou fora das águas singapuranas esperando um espaço no ancoradouro próprio para unidades ainda em trabalhos de construção ou serviços. Desembarquei no meio de uma madrugada quente e escura como o breu, a bordo de um “Mini Supply Boat” com lugar para nem metade das treze almas se sentarem com algum conforto. Acabei estirado no chão, na frustrada e sofrida esperança de que o peso do sono e do cansaço superasse a tortura do barulho e da vibração do piso de metal que me servia de leito. Mal eram surgidos os primeiros sinais de alvor, a embarcação inclinou-se violentamente para bombordo, enquanto um surdo barulho percorria o fundo do lado oposto! Dei por mim observando ansiosamente através da escotilha da sala de máquinas, no que fui seguido por outros: Não! Não havia água aberta no casco! Ufa e viva! Não iria desta vez molhar os pés e perder computadores, câmeras, etc.!… Como a propulsão de BE ficou nos escolhos, prosseguimos com a de BB a baixa velocidade. Chegamos à grande e moderna estação maritima mais de 10 horas depois da descida da escada de portaló do navio. Arrazado, esperei pacientemente na longa fila da emigração, consolando-me por não estar nos sapatos do pilotaço que levou a embarcação para cima dos baixios.”
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Natal em Coppell – foto por Nelsinho
No Natal da minha infância não tinha uma árvore cintilante, carregada de luzinhas-que-piscam, atraentes e frágeis bolinhas coloridas, sininhos de fino cristal, estrelinhas, algodão servindo de neve e demais enfeites…
Mas tinha a alegre bagunça que fazíamos na cozinha, para desespero da minha mãe, no seu esforço e carinho para produzir, mais saborosas que nunca, as rabanadas, as orelhas de abade, a aletria doce, o inesquecivelmente delicioso leite-creme! Quebrávamos e comíamos nozes e amêndoas e, atrevidos, ousávamos enfiar os dedinhos nas tijelinhas onde estavam já cortadas as frutas cristalizadas para o bolo-rei! Ah! Como eu adorava o nosso Natal sem árvore!
Enfim, chegada a noite e a hora da consoada, com todas aquelas incríveis e coloridas gostosuras ali expostas ao regalo dos nossos olhinhos e apetite, não tardava porém muito tempo para que os efeitos da intensa movimentação do dia aflorassem com aquela soneira irresistível à mesa! Meu pai então mandava que vestíssemos os pijamas, escovássemos os dentes e colocássemos, muito alinhadinhos, nossos sapatinhos sobre o fogão, bem no meio da chaminé, para que o Pai Natal pudesse vê-los…
“Acorda, maninha! Acorda, que já é de dia!”, chamava eu em voz sussurrada, enquanto abanava a minha irmã! Ainda ensonada, ela me seguia descendo as escadas até à porta da cozinha, de onde espreitávamos ainda receosos, até confirmar-mos que sim! Pai Natal não nos esqueceu e lá estavam um reluzente automóvel de corda vermelho, um caminhãozinho de madeira, uma boneca grande e linda com cabêlo e uma mobilinha!
As recordações do Natal da minha infância não incluem a árvore, mas contêm a mais pura alegria, doçaria de montão e muito, muito amor no coração…
Originalmente publicado no “Recanto das Letras”
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“Pior que um político, só um político-militar, que por sua vez é superado em estupidez despótica por um político-religioso com poderes militares.”
Em “O Livro do Meu Caos”
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Em “O Livro do meu Caos”
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A alta da UTI seguir-se-á…
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