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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

O Jonas Savimbi era meu vizinho no apartamento sobre o meu, integrado na delegação da UNITA na cidade do Lobito. Ele nem sempre lá se encontrava, é claro, mas quando aparecia, as sessões “kwacha” no terreiro do pó em frente ao nosso edifício, que habitualmente eram na palavra dos seus partidários com dom para a palavra, ganhavam uma enormidade de movimento e assistência, para escutá-lo em pessoa. Era escutando Savimbi, que sempre falava em pátria plurirracial, que eu me rendia à enorme vontade e esperança de continuar naquela terra. Até que novo duelo à bala nas ruas da outrora “sala de visitas”, quebrava vontades e esperanças. Quando isso acontecia, eu e as minhas meninas ficávamos em grave perigo, já que morávamos no edifício do homem. Acabei saindo, pela total insegurança; décadas de guerra civil se seguiram, rios de sangue correram. Lembrei-me desses terríveis tempos, ao ler sobre as valas comuns agora encontradas em Luanda, com 500 corpos…

(editado)

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Revisita…

De longe a longe, eu revisito coisas e loisas que em algum momento escrevi. Divirto-me ao fazê-lo, mas, nem tão raramente, surpreendo uma ou duas lágrimas surgindo e rolando pelo rosto abaixo. Não foi o caso deste texto:

“Acordei assim, sentindo-me dominante! Absurdamente absoluto e resolutamente vencedor!…Na sequência do meu acordar, sentei no vaso sanitário e logo a humilhante humildade desceu sobre mim para contrariar meu absolutismo e colocar tudo no seu lugar: Afinal, eu não era um poderoso figurão – era apenas e tão somente, um cagão… “

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Chuva

Sabadou um dia chuvoso, preguiçoso, ventoso. Será ele, o sábado, venturoso? Aventuroso, definitivamente não será, que sequer faremos a prometida caminhada, por força do tempo adverso. Amoroso, sim, será, a julgar pelo semblante risonho da minha companheirinha. Se o meu semblante está também risonho? Não sei, vou perguntar ao espelho. Mas achei uma temeridade e nem cheguei perto (do espelho), com medo de eu me morder a mim próprio, estragando o sábado…

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Because…

…”Because the world is round, it turns me on”… Escuto múltiplas vezes essa gravação dos Beatles, insistindo mentalmente em ligá-la à fala de Christina Koch, na qual exteriorizou e nos passou de forma profundamente perturbadora e emocionante, o quão insignificantes nós somos, enquanto simples tripulantes de um pequeníssimo, belíssimo, azulado e  único habitável planeta, aparentemente suspenso na imensidão esmagadora de um Universo subjugante, assustador! Acordei em mais um primeiro dia de maio, escorraçando de mim ao dia atribuir especial valor, porque quase nada festeja o trabalho, tudo é política, política que me assusta tanto quanto o negrume vazio do espaço profundo…  

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Artemis II

É o tema do momento, se, como é meu caso, não estamos interessados em falar de guerra e se, como é o meu caso, somos interessados em feitos extraordinários da ciência aeroespacial. A missão lunar culminou ontem com a reentrada da Orion na atmosfera terrestre e, sobrevivente, no suave “splash down” nas águas do Pacífico, gentilmente suportada pelos paraquedas principais. Instalei o meu Iphone no tripé fotográfico e gravei um pouco mais de duas horas da operação, enquanto assistia, nervoso e preocupado, o desenrolar da complexa preparação da nave no que concerne a ângulo de ataque para o perigosíssimo “pouso” a 40.000 Kms/h, com temperaturas extremas e geração de plasma. Durante a interrupção de sinais, o nosso angustiado silêncio, o “tomara que tudo dê certo” com os dedos cruzados, enquanto os astronautas passavam através do inferno com a atitude profissional adquirida ao longo do longo treinamento. Não gravei toda a sequência da operação de retirada da tripulação para fora da cápsula, mas mantive-me firme assistindo. Pela minha ótica de velho oilman de alto mar, a NASA não aprendeu nada com a SPACEx, cujo modus operandi é muito mais rápido e eficiente, usando um “Supply Boat” provido de “A Frame” hidráulico e uma plataforma rolante no convés; a cápsula é puxada a cabo de aço para junto da popa do Supply Boat, o cabo de suspensão no A frame levanta o veículo em peso, transfere-o para sobre a plataforma rolante, que o traz para a “garagem”. A retirada dos astronautas é muito menos estressante e de curta duração. Retirar o pessoal de helicóptero, é um show, mas, de novo, na minha ótica, só faz sentido em salvamentos de alto risco…

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Orion

Estávamos no ano de 1957, eu acabara de sair da escola após mais um dia de aulas e práticas, acompanhado de dois colegas. Subíamos a íngreme rua Júlio Diniz em direção à rotunda da Boavista. Os colegas embarcariam num comboio na estação ferroviária da Boavista, enquanto eu subiria num “elétrico” da linha 4 para o meu bairro. Durante a nossa caminhada, o assunto era apenas um: O Sputnik que os russos haviam lançado ao espaço com sucesso! Era algo tão irreal, que só nos dava para fazer piadas mais ou menos estúpidas, normais, afinal, para a nossa idade. Na minha cabeça, não tardaria e as tão admiradas aventuras do Flash Gordon, Buck Rogers e outros “heróis” do espaço, seriam realidade. Decorreriam mais 12 anos até que atrevidos terráqueos, usando recursos técnicos que hoje chamaríamos de primários, extremamente falíveis, ousassem pousar no solo poeirento da Lua. Agora, mais de meio século depois, escrevo estas linhas sentado na minha sala, com imagens da NASA ao vivo no meu “telão” de 55”, enquanto a ORION se aproxima com aparente lentidão, daquela enorme rocha esférica flutuando no espaço, a que chamamos de Lua; a nossa Lua. Por enquanto, as imagens são as disponibilizadas pelas câmeras fixas na nave, de pouca sensibilidade, mas autênticas. Entretanto, a bordo, a tripulação está bem ativa em fotografar usando avançado equipamento e lentes poderosas, que nos disponibilizarão fotografias belíssimas…

P.S: Texto escrito ontem, dia 06/04/2026; a foto acima, é printscreen da imagem real recebida do space craft

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Luarada

Eis que, ante meus maravilhados olhos, e desta vez com muitíssimas mais condições técnicas visuais e de aquisição de informação, um veículo espacial tripulado cobre a distância da Terra à Lua, para fazer uma única órbita no nosso satélite e retornar a casa. Desta vez (ainda) não haverá o evento máximo da alunagem, mas esta viagem é uma preparação para esse histórico momento, que indubitavelmente acontecerá e se repetirá. E tenho esperança que, uma vez mais, serei testemunha viva desse extraordinário evento, como o fui nos idos de 1969. A foto que emoldura esta postagem, foi tirada às 20:15 hora de Brasília, com uma modestérrima lente Sigma, a 200mm 1:6.3; Local: Curitiba,Pr, Brasil. Mas as fotos feitas pelos astronautas serão, como já vimos na internet, simplesmente fabulosas…

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Crude

Nesta santíssima sexta-feira, amanheço constatando que o barril de crude caiu de 109 para 71,52 USD. Haja santo petróleo passando pela estreita goela, mesmo que com alguns (muitos) sobressaltos. Os duelos de misseis e de drones dificilmente vão acabar, porque há muitos radicais islâmicos envolvidos, para além dos guardas revolucionários remanescentes; e radical islâmico acredita piamente que, se morrer, vira mártir, com entrada triunfal no éden deles, cheio de virgens se lhe oferecendo. Isso de virar mártir, nós, cristãos, também conhecemos bem. Era, naqueles tempos em que mandava a dita santa inquisição, sharia dos cristãos, bastante comum que crédulos doentes da cuca, saíssem para as arábias oferecendo o pescoço ao facão, para ganharem uma tal de vida eterna! Oh céus!…  

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1º/4

Primeiro de Abril, dito o das mentiras, era também dito Abril, o das águas mil, mas isso mudou com as ditas mudanças climáticas. Passou a ser dito o das mágoas mil, depois da tragédia da abrilada, mas sem deixar de ser dito o das mentiras, porque as mentiras se estendem ad aeternum.

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Dêprê

Bichos carpinteiros, coceira desesperada no braço, porque em algum momento, fui novamente picado no parque por algum inseto peçonhento. Acabei deixando a companheirinha no seu dormir sereno. Mais uma vez, retirei-me do leito acolhedor e fui tentar dormir no sofá, não antes de perder tempo indeterminado a estudar no google causa-efeitos e o que fazer. Lavei, no tanque, com sabão de côco, o braço afetado e apliquei bastante pomada recomendada para o caso. Mas o meu dormir nada tinha de tranquilo e alternava com o furioso coçar, agora pegajoso do tal unguento. Resultaram também furiosos, os pensamentos que me ocorriam, todos eles chafurdando nos lamaçais fedorentos dos tempos que atravessamos. Acordei cansado, admirado porque o braço estava menos infetado! A minha menina já estava nas lides matinais e eu corri a cortar e lixar rentes todas as unhas da mão direita, desarmando-a, pois, de forma a inibi-la de agredir a pele doente. Inibi-a, em consequência, de tentar algum arpejo na guitarra. Nada de sério, porque eu, no pouco que pratico, continuo a ter a palheta como preferência. Confesso que, apesar da manhã radiosa e ensolarada de domingo, sinto-me meio que a resvalar para a depressão…

P.S.: Não há depressão que resista ao almoço da Nina…

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