Comecei estas linhas falando no quão assustador está este nosso mundo; mas fiquei deveras assustado e preferi abandonar o tema. Poderia, é claro, desistir de escrever, coisa nada difícil, dada a minha falta de vontade e ausência do bloguinho. Mas, com um esforcinho, lá vou esgadanhando, esgravatando, espremendo, hora o Tico, hora o Teco, tão adormecidos como adormecentes. O calor tem, por certo, algo a ver com esse meu desestimulo. Quem sabe, eu peço ajuda aos sábios da escrita? Da escrita, não da escritura, que para tal a alma eu não sinto pura. . Mas, a quem apelar? Aos desbocados e escabrosos versos de Bocage? Não, não, que não estou para aí virado;
Talvez a Pedro Homem de Mello, meu professor de português: “Os homens correm? – deixá-los ir atrás do seu desejo! E os cavalos, que não vejo? Volta sempre a madrugada, volta sempre tarde ou cedo. O que alonga nossa estrada, é o medo, é o medo”. É então o medo que faz sentido para mim no momento? Não faz sentido, mas faz todo o sentido se pinçarmos de António Ferreira: “É a medo que escrevo, a medo penso/A medo sofro, empreendo e calo/A medo peso os termos quando falo/ A medo me renego, me convenço”.
Perdi, afinal o medo e me despeço…