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Rolezinho

Vocábulo bonitinho para o abraçaço de um, deplorável e intolerável arruaça para os muitos outros cidadãos tão habituados à segurança que sempre encontraram nas ilhas de tranquilidade que costumavam ser os Centros Comerciais. Como se não bastassem os descartáveis bastardos mascarados que pelas ruas atacam e destroem, a título de nada, o que jamais teriam capacidade de construir. Uns e outros, não o fazem em protesto, porque para protestar é preciso ter consciência. E essa fauna tem, obviamente, uma consciência de via reduzida.

Ahrg! É difícil assimilar toda a inversão de valores. É difícil ver que sim, que o mal é mesmo bom e o bem é que é cruel, que a traição é mesmo premiada…

Bom mesmo, é estar como eu, no fim da vida por já ter vivido e, de quebra, vou livrar-me de assistir ao muito pior que se aproxima.

*Direito meu a desabafar*

Isadora

igor (1 of 1)

Ainda na expectativa de saber se serão rosa ou azul as vestes da criaturinha, já começo a sentir-me orgulhoso por saber que será Isadora, por mim sugerido, o nome escolhido para menina! Nome poderoso para o carácter fortíssimo de uma das mulheres que mais me impressionaram e sublimaram no mundo das Artes: Isadora Duncan. Vanessa, mãe do meu quinto netinho, recebeu esse nome em nome da minha incontível admiração por Vanessa Redgrave, que tão magistralmente viveu Isadora no cinema. Nesse tempo, meu coração balançou entre Vanessa X Isadora. Penso que as duas se fundiram numa só…

E se for menino?…Esta manhã, em troca de mails, eu não resisti e ousei ousar uma vez mais!… Animado pelas boas novas de que o exame de ultrassom mostrou que tudo, tudo, tudo vai bem na gestação, sugeri uma vez mais com a alma na Arte: “Igor”! OK, eu concordo que não é exatamente um nome incomum, até pelo contrário. Mas o meuIgor” é altamente incomum, porque calcado em horas e  horas no escuro escutando em extase, cada nota da ópera “Principe Igor” que mestre Borodin e depois, dando curso final à obra, mestre Rimsky-Korsakov com alguma colaboração de Alexander Glazunov produziram! O álbum em 5 long plays de acetato tocou tanto que hoje não se poderá escutar sem ruidos desagradáveis!

Em tempo, aos queridos pais do bebê: Se for varão, não farei beicinho caso não se decidam pelo nome sugerido…

Perplexidade

Revoltado, explodi no FB: “Gravíssimo ataque terrorista em São Luis do Maranhão!”. Não demorou, removi a descarga emocional porque completamente inutil. As notícias on line permaneceram dedicando pequeninos espaços “à violência em São Luis” e eu acabei envergonhado pelo meu momentâneo “overreaction”. O Brasil que conheci há quase completadas quatro dezenas de anos não pode, em absoluto, ser o mesmo Brasil da pavorosa realidade dos dias que vivemos!

Eusébio

Admirador, no sentido pleno da palavra, eu não terei sido, porque ao futebol nunca fui pessoalmente muito ligado. Mas, para além de ser um nome com Brilho e Som de indiscutível merecimento no mundo desportivo, Eusébio, tinha a estranha força de sempre carregar comigo de volta a 1966, aos meus tempos difíceis de caminhos aventurosos em perigos e lutas esforçado. Na noite escura da densa floresta, os rádios de ondas curtas colavam-se aos ouvidos dos aficionados para escutarem, diretamente da longínqua Europa, os comentários sobre as jogadas do Ás da bola, enquanto eu me entregava a solitários pensamentos ouvindo canções em voga na minha emissora preferida…

Fim de Festa

 Imagem

Mergulhei no trabalho e fiquei momentaneamente sem respiração ao reentrar na fria realidade. Logo iniciei a atividade em braçadas mais ou menos vigorosas…Bom,  mais menos que mais, eu diria, porque é complicado vencer a estática do período. Período em que criamos uma ilusória separação entre o ano velho e o ano novo, construida com vagas e pre concebidas ideias de que algo, não sabemos o quê, vai passar a ser diferente. De concreto, todavia, só a inexorável marcha do tempo e dos numeros dos calendários. Os meus sofreres seguem sofridos, assim como as minhas limitações monetárias, porque não ganhei a taluda nem poderia, pois se não joguei…

Dia primeiro

 

“…só temos de 50 émiéishh…não senhora, de 100 émiéis está em falta. Bom dia, senhora, disponha…”  O atendente desligou o telefone e voltou para mim sua ensonada desatenção:

“O que o senhor disse que queria?”

“Eu não disse, mas preciso de Losartana Potássica de 100 émigêshhh

“Miligramas, quer o senhor dizer?…não senhor…só de 50 miligramas”

“OK, vou levar…e Glifage de 500 m…”

“Puro?

“Puro”

“Puro…” disse, teclando displicentemente. “…puro eu não tenho…”

“Tem sim, olháqui!”, exclamou a mulher de jaleco verde, que prosseguiu, entre dentes, com um discurso agressivo reprovador ao desatento balconista, obviamente chegado diretamente da virada para um plantão de farmácia. Senti pena do fulano, porque eu sei por experiência própria como reprimenta agressiva de mulher doi nas profundezas do ego.

“O senhor tem as prescrições médicas válidas para a farmácia popular?”  A pergunta veio da donna, definitivamente disposta a intervir no atendimento.

“Estão fora do prazo de 180 dias…vou pagar” disse eu, enquanto pegava o cestinho com os remédios para me dirigir ao caixa. Na minha imaginação, o balconista gania baixinho feito um puppy contrariado…

 Encetei a volta a casa em passos lentos, observando de novo e com mais atenção as toneladas de detritos semeados pelas ruas adjacentes às praias. As marcas da noitada estão por todos os lados, o que  dissipou todas as duvidas de que me encontro no dia primeiro de um novo ano de esperanças. “Esperanças de quê?”, pensei. “Esperanças!”, respondi-me. “Melhor não tentar definir ou especificar…”

 

 

 

Promessas que me fiz ou me faça são puramente pessoais. No entanto, elas, as promessas,  podem afetar de alguma forma, mais direta que indiretamente, quem teve a (des?)dita de gastar os seus últimos cinquenta anos de existência a mim ligada. Que promessas terei eu então condições de fazer, não a mim mesmo, mas  à minha mais-que-tudo para o decorrer  dos próximos doze meses? A simples e estática continuidade pode ser cruel, ou não…Frustrante, concerteza, na medida em que lhe sei alguns, senão todos os seus mais caros anseios nesta fase da nossa vida. Restar-me-há capacidade para atendê-los?

Taí a minha solene promessa para 2014, ao amor da minha vida: Posto o que foi posto no post anterior, status de wealthy lady poderás não lograr, mas tudo, tudo tentarei, pelo que tanto pra nós dois desejas alcançar!

Promessas de Virada

Dependências quimicas de alguma espécie eu não sou portador, tampouco sofro de alguma dependência psicológica do tipo jogador inveterado, comprador compulsivo, ou quaisquer outras que me levem a prometer superar-me para ver-me livre delas ao longo do décimo quarto ano deste milênio;

Concedo ser um precário investidor/administrador dos resultados do meu trabalho, ao ponto de não haver conseguido até esta data ser um feliz  wealthy man proprietário de altos rendimentos. Mas, nesse campo, não resta espaço para promessas outras que não sejam fazer, eventualmente, uma fèzinha em alguma das loterias, preservado que seja o dito no parágrafo anterior…

Reconhecendo-me pessoa de bons fígados, nadica de nada dado a maldades ou violências, ou a maltratar de alguma forma gentes e bichos que me rodeiam, também não preciso prometer que neste novo ano serei uma “pessoa melhor”…

Evitar lucubrações poetico-filosóficas sobre o quão frágil é a vida e alhear-me por completo da inevitabilidade da finitude,  posto que adiada a cada irrecuperável segundo respirado, brincando mais de ser imortal: Acho que essa é a minha unica e mais ou menos concreta promessa para o novo ano. Que outras promessas posso eu fazer-me?…

Ceias de Natal…

…ilhado na minha silenciosa solidão, rodeado de barulhentos petroleiros, todos nós ilhados em estruturas flutuantes. Poderia contá-las, cruzando através dos curtos diários que mantive ao longo de mais de duas dezenas de anos; Mas porque o faria? Metade da minha vida nesse longo período foi gasta assim, de raras presenças em ceias e eventos familiares em que só os  mais chegados companheiros de embarque testemunharam, desinteressados, os meus babados sorrisos de orgulho nos precisos momentos em que os meus rebentos recebiam, sem a minha presença, suas graduações universitárias.

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Consoada

Agora, Ilhados na nossa silenciosa solidão, acabamos de degustar a dois a frugral tradição centenária do nosso povo: Batata, verdura, ovo, bacalhau. Cozidos em água, simplesmente, regados no prato com azeite de oliva. Uma taça de vinho tinto sorvido em pequeninos goles, ajudou a passagem nas gargantas penosamente obstruidas em ponto de pranto.  Duas castanhas assadas no forno e uma fatia do mágico Bolo-Rei coroaram a nossa consoada. Sem árvore de luzes coloridas, àparte de todo o longínquo bulício familiar de filhos e netos…

Niteroi, noite de Natal de 2013

Poção certa

Certa vez, asperamente criticado no âmbito doméstico, apressei-me a apagar da postagem e dos arquivos um texto em que brincava descrevendo em minúcias e com muito tempero sacana, a minha própria receita para preparação e modo de emprego da poção denominada  “Água de cú lavado”, lá da terra africana que tão profundamente marcou a minha vida.  O “incidente” tem uns dois anos e de lá para cá fiz um sem número de tentativas frustradas de refazer o escrito em composição capaz de, a meu próprio julgamento, preservar-lhe o humor sem despencar na vulgaridade.

Por isso, eu tinha e tenho grande admiração e certamente um pouco de “inveja” do skill da minha amiga Vanessa Ornella nessa área! A leitura recente de “Fim”, demonstrou-me uma vez mais que sim, que é possivel usar palavras nada recomendáveis em outras condições e até mesmo cabeludos palavrões no calçamento de um caminho, desde que muito bem pavimentado com as pedras de um tema que lhes dêem pleno  suporte. A Fernandinha Torres  fá-lo no ponto certo, sem qualquer tipo de inibição e com o indiscutível brilho do seu talento!

Resta-me arrumar disposição e bom humor para tentar de novo…