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Digo-me, com o marcador no Capítulo 17, sem suficiente “volume no cérebro” para desenvolver algum texto, mesmo simplinho que seja, sobre Clarice Lispector. Atrever-me a tentar decifrar a Esfinge – petulância absurda -nem pensar! Sou afinal e tão somente um deslumbrado caminheiro, inspirando, maravilhado, cada quilômetro de trilha percorrida por tão fascinante personalidade da literatura! Benjamin Moser é um biógrafo admirável!

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Maria Elisa Guimarães, a “Meg” , ocupa seu lugar em um grupo de pessoas , em geral ligadas aos blogs, à literatura, jornalismo, fotografia e artes, que classifico como “de destaque” ou “especiais”, no meu personalíssimo conceito de admiração e até, porque não, de amizade, independentemente de haver ou não contato “em pessoa”. Frequentei com maior ou menor assiduidade seu “Sub Rosa”  e nele colaborei com alguns textos e muitos comentários. A meu ver, era um espaço muito inteligente, com desdobramentos interessantíssimos e até didáticos, que sempre foram do meu agrado. Períodos de fragilidades e vicissitudes de saúde afastaram a Meg do convívio do Blog, mas atrairam meu apoio e amizade, que não deixo de reiterar em todas as circunstâncias.

Muito honrado, Meg, agradeço a lembrança e vou guardar com muito carinho! Quem sabe um dia, numa oportunidade, você coloca nele uma dedicatória?…

 

 

Penso que…

Sequestro, só por si, é uma forma de tortura;

Ser abduzido sob ameaça armada, é tortura;

Ser violentamente privado da liberdade, é tortura;

Ser mantido refém com sobrevivência incerta, é tortura;

 

Nenhum fim pode justificar a tortura como meio;

Nenhuma “causa” é “causa justa” para justificar a tortura.

 

O meu pensamento aplica-se a regimes e contra-regimes politicos;

A ideologias ou filosofias politicas/religiosas

Às cada vez mais numerosas, poderosas, bem organizadas e armadas, influentes e politicamente bem representadas hordas de parasitas violentos que infernizam a existência das produtivas gentes;

Et Cetera…

Neblina

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O rápido embarque para uma missão de pouco mais de vinte e quatro horas não teria história para contar, não fora o denso nevoeiro que se formou durante a madrugada em torno da Ilha de Santana. Acordei com os lúgubres uivos modulando os dois pontos e um traço repetidos a cada trinta segundos correspondentes à letra “U” em código morse, para avisar os navegantes da presença da nossa ancorada mole de ferros flutuantes…

Tateei o canto do beliche até achar os óculos e o celular, que ali deixei estrategicamente colocados. Ensonado, vi que eram 03H20 e senti que estava com a bexiga estourando. Com a facilidade natural de um bom septuagenário, logrei descer a escada de três degraus. Lembrei-me que aceitei sem problema deitar no beliche de cima, porque o companheiro de cabine, conquanto conte menos de 50 anos de vida, é brutalmente obeso…

Escalei-me de volta para a cama, mas o interrompido sono não voltou. Se o aviso sonoro de “Código U” havia sido ligado, pensei, é porque havia nevoeiro que poderia impedir ou pelo menos atrazar a vinda do pequeno barco de apoio que me transportaria de volta a terra. Não tardou muito e achei-me no convés portando a minha velha Canon D350 equipada com uma lente também fraquinha 1:4 com zoom de 17-85. Para fotos de trabalho é ainda bastante aceitável, mas lamentei não haver levado para bordo equipamento melhor.

A madrugada estava fantasmagórica e eu mergulhei livremente nas profundezas do mais insólito, ilógico e utópico conteúdo do meu mundo interior. Incapaz de descrever, nos limites deste escrito, tudo o que me passou pela mente, deixei gravadas em fotografia as imagens do meu amanhecer envolto na neblina das incertezas…

O Sol nascente derrete a neblina

que me esconde a alma,

que esconde as incertezas

de um dia mais a menos…”

++++

Rising Sun melting the mists

That hide my soul´s uncertainties

Of yet another day

Subtracted from lifetime…”

(prosa poética de outros textos escondidos)

 

 

Esta manhã…

…não sabia se rir ou se chorar!

Porque a vida passa, e no que passa,

na pele e n´alma imprime e traça

as marcas das trilhas que ousei pisar

até ao portal dos setenta chegar…

…decidi então chorar sorrindo,

como forma de à Natura agradecer

o privilégio de até esta idade viver

com um amor eterno e lindo.

Brincar de imortal

Uma vez mais, subo vagarosamente uma imaginária escadaria até um texto em prosa poética aqui  largado displicentemente, incapaz de resistir a posteriores leituras. Argumento e indisponho-me, porque me surpreendi envergonhado por haver escrito o que me pareceu um arrazoado de “loucas e impossiveis incoerências”! No entanto, uma tal constatação, pondero, se levada a sério, inviabilizaria as minhas divagações poéticas, todas elas baseadas em incoerentes, impossiveis e loucas  edificações no mais abstrato recôndido da minha alma. Por outro lado, onde poderá estar a incoerência em escrever da minha resistência à marcha inexorável em direção ao “Fim”, levando ao extremo o meu “brincar de imortal”?…

Desatino

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Como se me soubesse a fundo,

Aproprio-me do meu mundo

como se o meu mundo fosse meu…

Ledo engano, pois não me domino;

Em vão me debato em desatino,

pois o comando é dele, meu outro Eu…

Rei Sol

Rei Sol

Certamente que elas, as musas, de mim desertaram. Musas, tenho dito, são extremamente suscetíveis e há que tratá-las com deferência e cautela. Há essencialmente que manter-lhes a todo o momento a livre entrada para a alma; Uma alma permeável e com ânsia de criar… Enxergo no poderoso Sol nascente um ar de escárnio, mas também de desafio: “Volta! Retorna! Esquece a prosa gerada no seio da realidade das misérias deste mundo e torna à pátria livre, ilógica e filosófica da poesia!” – Assim falou Rei Sol!

“Livrar-me de mim, até que poderia…

…mas como livrar-me da poesia?!”

(De velhos pensamentos meus)

Repeteco

A semana que ontem se encerrou foi de regozijo pela notícia de que serei avô de mais uma menina e a confirmação de que seu nome será mesmo Isadora, como foi por mim sugerido! Dupla honra e motivo de sobra para me sentir alegre e mais agarrado à vida para vê-la crescer e ficar linda, como lindas são as mulheres da família.

Paradoxalmente, pelo repeteco do meu mad driving em direção a Macaé onde acabo de chegar são e salvo, dir-se-ia que esse meu agarramento à vida poderia até ser bastante questionado. O pavoroso calor externo versus confortável clima dentro da bolha de metal motorizada, parece induzir em mim uma ilusória e arrogante sensação de poder e de indestrutibilidade. Miraculosamente, eis que os tais “olhos-como-há-só-dois” surgem defronte do pára-brisa oportunos, faiscantes, repreensivos, refreando parte dos meus ímpetos…

Não existe no traçado da BR 101 entre o Rio e Macaé nenhuma reta onde possamos observar o ilusório ponto de convergência denominado “Vanishing Point” na língua inglesa. Usei a expressão como título do post de Domingo passado porque, durante a viagem, rememorei as loucuras suicidas do personagem Kowalsky ao volante de um Dodge Challenger R/T 440 no filme assim intitulado, produzido em 1970 ou 71. O “Vanishing Point” de Kowalsky foi sem retorno; O meu é muito menos radical, se bem que metaforicamente suicida. A dita “Capital do Petróleo” é o “outro lado” do meu “Vanishing Point”!

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Já ouvira um zum-zum sobre o assunto há algumas semanas atras, mas a coluna da Cora Rónai tirou-me as esperanças de que se tratasse apenas disso mesmo: um “zum-zum” sem fundamento. A Sony  vendeu de verdade  o seu negócio de computadores e as minhas intenções de adquirir o dernier cri da linha Vaio em Ultra Book, ficam só mesmo nas intenções. A informação é de que a firma compradora não comercializará o produto mundialmente.

O Vaio modelo Z58GG na foto está agora nas mãos da minha mais-que-tudo, enquanto que eu estou portando/operando o enorme e pesado DELL posto à minha disposição pela empresa que compra os meus serviços. O Z58GG foi adquirido em um momento de grande necessidade de uma ferramenta  rápida e com portabilidade, durante o período em que moramos em Singapura. O modelo, com novidades tais como duplo SSD no lugar de um HD, excelente processador  e 8Gb de memória além de portabilidade de sobra, custou no início de 2009 uma grana preta inimaginável aos valores hoje. Os preços em Singapura eram altos, em relação aos praticados nos EUA, embora bem mais baixos que os do mercado brasileiro.

Hora de pesquisar qual a melhor opção para o meu próximo Ultra…

Vanishing Point

É precisa, dócil e obediente a resposta do veterano aos meus“inputs”de comando. Afinal, discorro, o equipamento ao qual estou amarrado transporta-me há mais de dez anos. “Quando entrar nos teen eu aposento-o”, prometo-me, “se continuarem a conceder-me a licença para conduzir, bem entendido”. O instrumento digital no painel está cravado em 41°C de temperatura  externa enquanto cruzo Tanguá em direção a Macaé a meio desta tarde de calor senegalês. Sinto uma gostosa sensação de conforto e bem estar com os 21°C do meu casulo, ajeito-me na minha poltrona e deixo os quilômetros de asfalto em brasa passarem sob mim a velocidades nem tão recomendáveis. Por instinto, afrouxo a pressão do pé direito e observo a substancial queda no velocímetro para nível mais para o que ela recomendou: “Lembra-te de mim!”. Como poderia eu esquecer? Oh! Mais uma vez dou por mim com a mão sobre o banco do carona à procura do que não posso encontrar: adoro arranhar com as unhas a costura do jeans dela!… O som que flui da Rádio MEC fica instável; Aperto o botão e o casulo é inundado pela musica maravilhosa e relaxante de Rodrigo Leão. Que vozes, que melodia “Djou”! “Djoutromundo”, que não este cada vez mais fossa acustica de funks e outros junks. Agora, a passo de tartaruga de muletas, sigo uma quilométrica caravana de caminhões. Mesmo ao Domingo, incontáveis milhares de rodas trilham estas congestionadas, jurássicas, perigosas  vias estreitas. “Jurássicas, perigosas  e $urreais”, digo-me em voz alta enquanto cruzo a Via Verde de mais um famigerado pedágio. Confiro o ETA no GPS e vejo que perdi muito tempo com o excesso de tráfego. Rodrigo Leão acabou e surge a voz de Leontina Vaduva para alegrar-me o espírito em “Quel Guardo” da ópera “Don Giovani”. Sou vidrado na Leontina, que faz o favor de ser “minha amiga” no FB. O FB não faz minha cabeça, anyway! Deve ser porque estou um velho sem paciência. Ora!…Não é que cheguei?  Agora, é enfrentar o greenhouse de vidro, sabendo que o AC está quebrado. Ah, que raiva! Mas eu mereço…