“…só temos de 50 émiéishh…não senhora, de 100 émiéis está em falta. Bom dia, senhora, disponha…” O atendente desligou o telefone e voltou para mim sua ensonada desatenção:
“O que o senhor disse que queria?”
“Eu não disse, mas preciso de Losartana Potássica de 100 émigêshhh”
“Miligramas, quer o senhor dizer?…não senhor…só de 50 miligramas”
“OK, vou levar…e Glifage de 500 m…”
“Puro?
“Puro”
“Puro…” disse, teclando displicentemente. “…puro eu não tenho…”
“Tem sim, olháqui!”, exclamou a mulher de jaleco verde, que prosseguiu, entre dentes, com um discurso agressivo reprovador ao desatento balconista, obviamente chegado diretamente da virada para um plantão de farmácia. Senti pena do fulano, porque eu sei por experiência própria como reprimenta agressiva de mulher doi nas profundezas do ego.
“O senhor tem as prescrições médicas válidas para a farmácia popular?” A pergunta veio da donna, definitivamente disposta a intervir no atendimento.
“Estão fora do prazo de 180 dias…vou pagar” disse eu, enquanto pegava o cestinho com os remédios para me dirigir ao caixa. Na minha imaginação, o balconista gania baixinho feito um puppy contrariado…
Encetei a volta a casa em passos lentos, observando de novo e com mais atenção as toneladas de detritos semeados pelas ruas adjacentes às praias. As marcas da noitada estão por todos os lados, o que dissipou todas as duvidas de que me encontro no dia primeiro de um novo ano de esperanças. “Esperanças de quê?”, pensei. “Esperanças!”, respondi-me. “Melhor não tentar definir ou especificar…”
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