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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Rua da Amargura

Qual poderá ser a diferença entre esta picada e uma outra situada em algum perdido e miserável lugar nos confins do nada? Nenhuma, é claro. Porém, se clicarem sobre a foto e prestarem um pouco mais de atenção, notarão conhecidíssimos logotipos e nomes de imbatíveis suprassumos mundiais da tecnologia do petróleo!

A grande diferença reside pois, no fato de que esta foto foi tirada na “rua” que serve de acesso a empresas campeãs em hi-tech da área, na geração de empregos e recolhimento de impostos. Impostos que parecem ser engulidos por impostores, enquanto os empregados das firmas massacram suas viaturas na vil e vergonhosa buraqueira, na prodigiosa “Capital Brasileira do Petróleo”.

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A primeira semana de trabalho do novo ano elapsou-se, mas eu sigo enfrentando os perigos da BR 101 para ir ao encontro da minha mais-que-tudo. Até agora, portanto, nada fiz para garantir uma mudança nas rotinas a que me acostumei. É absurdo eu repetir-me “tenho de parar com isto” toda a vez que o meu olhar varre o odômetro surpreendendo-me com o aumento de quilômetros rodados, quando deveria surpreender-me com a insanidade da minha velocidade. Isso significa que eu estou mais preocupado com o fim da vida do carro do que com o fim da minha própria vida!

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2013

Nesta manhã de novo ano, submeti-me ao esmagador virtuosismo da orquestra, coros e solistas da Gulbenkian, no tradicional Te Deum setecentista, acontecido,  transmitido ao vivo e gravado ontem à noite na imponente Igreja de São Roque em Lisboa. O “Te Deum Laudamus” composto por João de Sousa Carvalho em 1769 é uma peça sacra extremamente envolvente, belíssima e emocionante.

Há muito que desisti de fazer prognósticos no limiar dos novos anos e confesso-me muito arrependido de promessas temerariamente feitas em viradas. Afinal, os verdadeiramente capazes não prometem nada, simplesmente fazem e pronto. Neste primeiro dia do novo ano, penso apenas que terei mais do mesmo: Muito trabalho. A incógnita fica por conta de se sim ou não a minha saúde vai continuar como está, ou irá fragilizar-se ainda mais com a maior proximidade dos setenta.

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Quasi insociável e permanentemente ensonado, enxergo-me com as minhas vontades assaz debilitadas, porque sei-as parcialmente desabilitadas.Os hobbies que tão fortemente me hão propelido, perderam seu espaço para a irresistivel atração que me arrasta para a antecâmara onde um caleidoscópio carregado de sonhos que reconheço como inúteis e mofados sonhos do passado, intermeados por foscas e ininteligíveis imagens do futuro, me é posto à disposição. Oponho-me tenazmente, é certo, mas a tenacidade dessa oposição parece carecer de mais aditivos energéticos.

Poderia até resvalar para a depressão, não fossem três estacas que me têm providenciado boa sustentação, a saber: A Mulher-Maravilha, o trabalho e o meu “outro eu”. Da Mulher-Maravilha eu tenho dois olhos como-há-só-dois que me seguem incessantes, hora feitos reluzentes e cristalinas esmeraldas enternecendo a minha alma, hora virados em contundentes e incontestáveis fontes de  força faiscante em  tons de cinza-quase-branco, que tenho o bom senso de respeitar.  O trabalho, além de fundamental no sentido econômico, eu preciso, quanto mais não seja, para culpar pela não materialização de projetos literários que na realidade é tão somente um reflexo óbvio da minha incapacidade e falta de engenho e arte para o fazer. Finalmente o “meu outro eu”, que, por se tratar de um ser independente, extremamente crítico e insuportavelmente sarcástico em suas considerações nada lisongeiras sobre a minha pessoa, resulta uma séria barreira de contenção às minhas singularidades existenciais.

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Diz-me…

Diz-me, ó vento passageiro
p’ronde vais com tanta pressa…
Decerto é  lugar bem maneiro,
d’alegria o tempo inteiro
e com felicidade à beça!

Diz-me rio caudaloso
p’ronde vais em corredeiras…
Decerto p’rum estuário gostoso
onde calmo e langoroso
te espraias em regaleiras!

Diz-me, meu EU tão lanceiro
P’ronde vais em tal trotar!…
Decerto que aventureiro,
enfrentas o risco inteiro
pro viver justificar

Diz-me, minh`alma aberta
qual é a trilha e a hora certa
pra parar e descansar,
Antes que seja o terreiro
que me acolha o corpo inteiro
p’r ad eternum repousar…

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Selva

 

 

Quem s’importa se se acorre

gritando “acudam! acudam!”?

Ninguém!  Ninguém socorre.

Um  coitado pr’ali morre

q’ajudar, não o ajudam…

 

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Shame!

 

Mais do mesmo movimento que não anda, porque desanda nesta bandalheira suja de barro lodoso por onde transito transido debaixo de chuva torrencial. Terra rica, dizem-na rica, mas rica ela não é. É pobre de carácter, de ufanismo cívico, de cidadania. Macaé terá malversado os recursos de ouro e agora é tarde, porque “aqueles” ricos royalties, nunca mais…

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Sonhos

“Todo en los hombres se ha hecho con sueños”, dizem os poetas andaluzes.

Excessivamente sonhador, eu confesso-me arquiteto de fantásticas e prodigiosas edificações. Fantásticas, prodigiosas e voláteis construções alicerçadas no meu movediço imaginário, especialmente projetadas em traços delirantes para o meu mundo do faz-de-conta, onde nada conta a não ser o irrealizável…

Sonhos que porventura hei sonhado

e por desventura não logrei realizar,

são como bolhas  com o vazio inflado…

Errantes lacunas do meu passado

que o pensamento insiste em  lembrar!

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Concedo…

…que ao manter o blog abandonado, quedo-me numa angustiada sensação de que estou a entregar-me  a uma espécie de fatalismo de que tudo em mim desliza com lentidão vertiginosa  para um vazio imperscrutável. Posto que o blog tende a refletir a intimidade do meu humor em relação aos momentos que me afligem, colido com a barreira de um medo recém adquirido de expor-me. Talvez por resultado de multiplos e recentes mergulhos no universo de Pessoa, quando releio muitos dos meus textos defronto-me com estranhas e preocupantes coincidências de pensamento. Porque são textos bem anteriores ao meu aprofundamento no trabalho de Pessoa, fico desconcertado e na dúvida de se me permitirei ou não, voltar a atrever-me a exteriorizar meus loucos e belicosos tumultos íntimos.

Aaah!… Mas porque será que tenho tanto sooono?!

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Jogada

Ora vejam!…Não tenho mais os cinco relógios na direção da minha vista do outro lado do meu monitor! Mudaram-me de sítio de trabalho e eu não tenho porque queixar-me disso. É certo que o movimento neste  tabuleiro afastou-me algumas casas da porta de saída, mas não sei dizer se isso é bom ou ruim porque, nesta altura da vida de peão deste xadrez, eu confesso-me incapaz de prever as próximas jogadas das pedras mais poderosas…

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