Cresce em mim a dificuldade em achar-me. Achatado dentro do meu casulo, disfarçado, usando um mimetismo que não possuo, na tentativa de esconder-me de mim mesmo e proteger-me das agruras do mundo exterior, pejadas de aterrorizantes ameaças políticas contra as quais nada posso, mas que me desestabilizam. O sistema me lembrou que há quatro anos, neste mesmo dia, eu escrevi:
“O amanhecer de hoje colheu-me a estender, acordado, o sonho que do sono extraí e tomei por realizado. O dia decorreu, porém, sem que aquele sonho meu se haja materializado. Meu mundo, na aparência, continuou hoje tal e qual o de ontem. Mas, na realidade eu sei que drásticas pioras ocorreram. Pisei o chão com firmeza, para do chão testar a firmeza capaz de garantir suporte para o absurdo peso que sinto em mim. Penso carecer de muito mais autoconfiança para deixar de sentir-me inseguro, feito uma presa cercada de vorazes e invisíveis predadores…
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