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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Vertigo

 

“Diga o nome de 4 flores”! Em vertiginosa espiral, como se estivesse no cockpit de um avião de acrobacia, balbuciei: “Rosa….ah!….Rosa….não sei mais!” Vieram mais perguntas com respostas inseguras e enjoadas. Depois vieram os vômitos, secos, dolorosos…

A sessão de testes terminou, mas era eu quem estava terminado. Quando finalmente pude com mais segurança me manter em pé com um mínimo de equilíbrio, olhei a operadora nos olhos e disse-lhe: “Se a senhora fosse mais velha, eu lhe perguntaria se foi treinada na KGB”! Labirintitis, vertigo ou que quer que lhe chamem, é uma das mazelas que a idade parece ter me aportado.

 

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Pesadêlo

…e em caminho inóspito e cruel

me embrenho arisco e vigilante

de olhar desconfiado e perscrutante

do negrume da noite sem quartel…

no vergastar da mata que a pele magoa

na secura da boca, monstruosa tensão

no restolhar dos passos que a noite ecoa

no medo de sentir medo que oprime o coração…

Então,no meio da noite desperto em suor lavado

de respiração pesada e olhar acuado, assustado

ao pesadêlo ainda amarrado com pavôr…

Depois veio a insônia, infame tortura,

recordações dolorosas de uma vida dura

até que o sono, tardio,venceu, já ao alvôr…

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Desilusão

Também eu, afinal, sinto saudade do futuro, quem diria!…

Minh’alma clama e reclama, que não sou mais o que terei sido!

Bem que volvo na trilha do tempo à procura do que eu poderia

ter sido de tão especial para que esta alma me una à poesia…

Mas oh desilusão! O Eu de quem minh’alma fala é já falecido.

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Fashion

 

Podem criticar-me, se lhes aprouver, mas sou viciado nos loucos shows da desbocada Joan Rivers em “Fashion Police” no E Internainment! Nada entendo de moda e,  a não ser por uma certa dose de bom senso para dizer se gosto ou não, mais ligado à sensação pessoal de passar-me ou não apêlo sexual, o mundo fashion exerce em mim irresistível atração por uma única razão: A fotografia! Mas, a veneranda Joan Rivers (78), é um espetáculo à parte em termos de vitalidade e volume de veneno destilado nas críticas aos modelitos desfilados pelas cinematográficas peruas sobre os tapetes vermelhos nos grandes eventos. Desmancho-me em gargalhadas de perder a respiração e sou, portanto, seu fã incondicional. Ela ainda não sabe mas, concedo, tenho a intenção de dizer-lho um dias destes…

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Retorno

Os meus pés estão do outro lado de um projetor de luz branca e forte. Eu não os enxergo, mas sinto hora o afago das mãos enluvadas, hora as tormentosas intervenções dos ferros que podam minhas doloridas calosidades. Retiro uma revista do suporte junto de mim e tento ler, mas acabo por desistir e optar por continuar imerso nos meus pensamentos que, dou-me conta, interpretam as minúcias que meus olhos vão descobrindo e admirando nos fragmentos visíveis do rosto da podóloga. Rosto lindo, com uma expressão de autenticidade africana, lábios carnudos, vermelhos, pele brilhosa e feliz. Adoro fotografar rostos e aquele mereceria um ensaio de preparação esmerada. Belisquei-me, para acordar para a realidade: O belo rosto é de uma quiropodista em plena função e não de uma modelo. A foto da ilustração,  de pouca qualidade, não foi  “roubada”, mas quase…

Há várias semanas que não me atrevo sequer a entrar no blog. A verdade é que não é de agora  esta espécie de sentimento de auto rejeição e profunda vergonha de reler o que escrevo, o que faz de mim uma fraude, posto que o verdadeiro poeta escreve sem culpa o que lhe dá na telha. Deixar-me arrastar pelo inesgotável caudal de trabalho, tem sido uma forma de justificar o ostracismo literário, do qual tento agora sair com a ajuda das forças que possam acudir-me.

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“Incapaz de definir o que possa ser um político, pois nele não logro encontrar serventias, morrerei detestando-o, enquanto proclamo que político bom é aquele que teve a honra de abandonar a parasitagem e passou a produzir algo de útil para a sociedade…”

(In “Livro do meu Caos”)

 

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Chocado

 

Incrédulo, li e reli as inesperadas sílabas: “I-NA-PTO”!! Seguiram-se minutos cruéis, sentindo-me encolher, encolher…sendo reduzido à mais ínfima espécie. Então eu era aquilo? Um Inapto? Foi tudo o que sobrou de mim nesta vida?…Custei a sair do torpor e movimentar-me para algum tipo de reação. Levantei da cadeira e caminhei como um autômato, arrastando comigo aquela sensação de pequenez em direção ao nada. Como se de propósito, uma das boazonas do escritório passou por mim e dirigiu-me um olhar esmagador do alto do seu metro e oitenta e cinco acrescido de impossiveis saltos altos…

A via crucis de médicos e exames continuou e continuará. Mas agora, conto com o atestado cardiológico de que sim, eu posso!…desde que porte as drogas que garantem que a minha pressão sanguínea não fará o mercúrio espirrar no instrumento.

 

Oh!…Já nem eu próprio me entendo!…

Mas que importa? Cá vou convivendo

com a realidade das forças em decadência!

O pior é que aflui em mim este saudosismo

que me importuna feito um tipo de sadismo

e me humilha por essa perda de valência.

 

 

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A minha semana decorreu com menos momentos de apreensão, por não haverem voltado aquelas apavorantes tonturas que vinham ocorrendo com crescente frequência. Continuo não sabendo a origem, mas os multiplos exames parecem apontar para a probabilidade de labitintite. O sobressalto da semana ficou por conta da passagem de dois tornados pela região de Dallas-Fort Worth, acertando também Coppell, onde mora a Mônica. Felizmente, só resultou em prejuizos na van, no telhado e alguns vidros quebrados na casinha.

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Estamos em Niteroi, com racionamento de água e medo de sair à rua com tanto salteador sanguinário à solta por aí, impune, livre e protegido. A opção é ficar em casa e gastar o tempo da forma que mais nos aprouver. Terminei de ler a biografia de Egas Moniz e desisti a meio de uma coletânea de artigos com  crítica literária aos livros de Antônio Lobo Antunes. A Nina produziu um bolo que me aportou sabores esquecidos de longínquas Páscoas, quando a tradição era receber em casa a “visita pascal” e nós, crianças, deitávamos e rolávamos nos doces preparados para o padre…

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A Cora Rónai postou há alguns dias um video com uma deliciosa entrevista de Millôr Fernandes ao “Roda Viva”, em que ela própria se encontrava estre os entrevistadores. Toda a minha admiração por mestre Millôr redobrou, com suas respostas rápidas e inteligentes, ácidas apreciações sobre personalidades políticas da época, algumas das quais ainda no cenário presente, sua propensão para um tipo de anarquismo que me comoveu, por ter muito a ver comigo!

Falando em comoção, foi exatamente o que senti ao ver a imagem da Cora, então jovem senhora, com delicioso look de curls e grandes óculos, sorriso imenso da imensa felicidade que vivia e veveria por muitos anos! Pensando bem, ela continua a ter razões para seguir vivendo essa felicidade, porque afinal, seu mais-que-tudo não deixou de sê-lo após seu passamento…

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Millôr

Pesaroso e pensativo, procuro respostas para as perguntas que sempre me fiz ao longo da vida, toda a vez que alguém cuja obra me toca ou diverte ou seduz de alguma ou de todas a maneiras que existem, se retira do nosso convívio, privando-nos para sempre daquela expectativa de ver surgir sua última criação, frase de efeito, pensamento, crítica, livro: Porque tinha de ser êle (ou ela)?…

Sei que não existe resposta e agora estou especialmente sentido com o passamento de Mestre Millôr, pondo fim aos meus anseios de que ele pudesse ainda retornar por algum tipo de mágica, ou milagre, ou o que  quisessem chamar-lhe…

Um beijo grande, Cora!

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As imagens desfocam e distorcem diante de mim, o meu mundo entra num centrifugador, enquanto todas as minhas forças são empregues na resistência à perda dos sentidos. Algum tempo depois tudo pára abruptamente, uma sensação de enjôo aflora e eu passo as horas seguintes como que caminhando nas nuvens. A ocorrência do disturbio passou a ser frequente e, finalmente, reconheci a necessidade de pedir ajuda. Nos ultimos dias tenho frequentado consultórios médicos e clínicas, que me passaram uma quantidade enorme de requisições para testes ergométricos, dopplers, ultra sonografias e o escambau…

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Tadinha da minha mais-que-tudo! Agora ela se vê forçada a me acompanhar e ficar confinada no green house macaense, enquanto eu vou trabalhar todo o dia. Aquele burgo é insuportável para uma mulher que, como ela, detesta praia. Haja tricot, leitura e internet! Tudo isso, porque virei um fulano absurdamente inseguro e temeroso de estar só no caso de nova ocorrência. Quem diria…O poderoso oilman que se aprazia  encarar os mais absurdos riscos, reduzido a um dependente substrato!

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O Chico Anísio foi-se, finalmente, porque sofrimento tem também seus limites. Ele tinha de fato muitas vidas. Umas duzentas e nove no total, que todavia não foram suficientes para manter seu coração pulsando. Eu, seu grande admirador, digo que o Chico foi, nas artes cênicas, um genial criador de tipos, do jaez de um Fernando Pessoa na literatura.

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