Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Juntam-se os trapos,
roupas e farrapos,
revolução no roupeiro!
Duas escovas de dentes,
mais acessórios e pentes
dão alegria ao banheiro…

É um “Sei que vou te amar,
minha vida te dedicar”,
por entre beijos de paixão!…
Amor explodindo em frenesi,
corpos suados, fora de si,
doces delírios em turbilhão…

Pra eternidade é este amor,
que nada, seja o que for
será capaz de abalar!
Almas gêmeas que se unem,
apaixonadas se fundem,
pra vida inteira enfrentar…

Mas um dia (há sempre um dia)!
Outro alguém rouba a fantasia
da eternidade desse amor…
Volúveis são os corações,
de curta dura as paixões,
Oh! Perjuras juras de amor!

Depois, é o déjà vu…
É um “Je ne t’aime plus”
com fria determinação!
Agora me digam, doutores,
como enfrentar os horrores,
desses males da separação?

(Publicado anteriormente no “Recanto das Letras”

Read Full Post »

 

 

São cinco deles! Iguais, sincronos, irrefutáveis. Os colegas que estão em Okpo, no meu pensar, envelheceram doze horas em relação a mim e isso me deu um prazer insano que deveria preocupar-me! Confesso, portanto, que fiquei bastante perturbado com a novidade de todos esses contadores de tempo bem em frente dos meus olhos. Por um período suficientemente longo para prejudicar o andamento do trabalho pelo o qual sou pago, imaginei os relógios a derreterem enquanto se dobravam em agonia. Depois, milhares de carrilhões tocaram em unísono infernal dentro do meu cérebro, até que baixei a altura da minha cadeira e os malditos ficaram encobertos pela tela do meu monitor…

Read Full Post »

Aniversário

Presente em quatro quintos da tua vida, confesso não saber dizer em quantos desses quintos eu estive presente. Estou convicto apenas de que nenhum dos quintos foi dos infernos, mesmo que pesando os períodos em que dividimos o pão que o diabo amassou.  Pela quadragésima nona vez desde que caminhamos juntos, eu beijo teus lábios enquanto repito “Feliz aniversário, Nina!”. 

Read Full Post »

Alvíssaras

A poderosa ressonância penetrou

no âmago da minha massa cinzenta…

Tanto que escarafunchou e pesquizou,

mas ao seu termo lá  não encontrou

origem pra tontura que me apoquenta.

Mas por tal sou grato e deveras exultante!

Imagino que se essa máquina xereta

lá encontrasse algo feio e apavorante,

minha tontura deixaria de ser preocupante

mas minha vida estaria bem mais preta…

 

Read Full Post »

Coisas da TV

Parece faltar-me vocação noveleira, a julgar pela minha reação quando alguma das que estão em curso aparece na tela. No entanto, se me levanto e me isolo no quarto, é para assistir a algum dos vários CSI’s ou correlatos, cujo interesse e qualidade estão em franca queda. Pior ainda, é que perco meu tempo e rio a bom rir com as besteiras que correm soltas em “Fashion Police”, na esculhambação do show da Chelsea Handler ou no inimaginável “The Soup”! Juro que, se me pego a assistir e gostar dos shows das Kardashians e das muchachas do Heffner, eu suicido-me a mim mesmo e fujo pra Coréia do Norte…

À hora do Fantástico Show da Triste Vida, eu costumo jogar-me de mergulho no mundo de Morpheus, desligando a chave geral e, por segurança, todos os interruptores secundários. Por isso, não passei pelo desprazer de ver a dona Collor de Mella, a ex, dizer pro povo de toda a sua desgraçada situação com tão magro e desproposital numerário que lhe é mensalmente destinado como remuneração ao seu sofrido far niente. Penso que, se burrice pessoal fosse música, a dona Collor-ex seria uma banda tocando “Lo que se pasa es que la banda esta borracha”.

Read Full Post »

Sentado na minha confortável poltrona acolchoada com a maciêz do meu descrêr, prezo-me e regozijo-me por não me encontrar entre os incontáveis milhões de seres biológicos deste pequeno planeta, amarrados a mais ou menos obscuros preceitos e preconceitos filosófico-religiosos que regem e dominam suas vidas por meio de forças diversas: Das mais violentas e sanguinárias autocracias do absolutismo religioso armado e cruel, àquelas de foro íntimo. As vergastadas sanguinolentas podem não ser a mais contundente forma de auto inflingir estúpido sacrifício pelo sofrimento. A auto flagelação pode incluir o não menos estúpido e não menos cruel processo de aniquilação pessoal em seus valores  profissionais, estéticos, de saúde física e psicológica…

Read Full Post »

Reflito…

Gil e Cae dispararam meu sensor de proximidade do portal de entrada para o recinto da sétima década e eu passei a refletir um pouco mais, despedindo-me de boa parte das minhas certezas. O meu ideal seria encontrar nesse recinto, uma pousada: A Pousada da Sétima Felicidade. Ali, eu teria um casulo só meu, silencioso mas não hermético, para permitir a entrada da minha mais-que-tudo sempre que ela estivesse disposta a aceitar os decibéis do meu silêncio, o sui generis do meu estranho amar, a vibração do meu ressonar. No meu casulo, eu teria espaço para caminhar suavemente em trilha circular numa órbita em torno do meu outro eu, com destino a destino nenhum. Hóspede de mim próprio, poderia, desligado de todos os medos, desenlear do caos as ideias armazenadas no silo que é a minha alma e escrever sem parar, em prosa e verso, até que meus órgãos se recusassem a prosseguir…

 

Read Full Post »

Mantenha-se em funcionamento básico, uma frota de jurássicos 767 a muitos anos de distância das recentes aeronaves cheias dos mimos próprios da modernidade; Sirva-se ao Bulk Cargo que é a massa de passageiros da classe econômica, uma aviltrante ração de sobrevivência em duas opções a saber: “Chicken or Pasta?”; Embarquem-se no sucatão meia dúzia de aerovóvós isentas de paciência mas plenas de estúpida arrogância, para perguntarem sobre a preferência do menu e te acordarem com o maior sem cerimônia se não houver o cuidado de afivelar o cinto por sobre a mantinha. Sirva-se à plebe um dejejum ridículo e intragável, sem uma fruta (ou salada de), acompanhada de um café miserável e sem qualquer classificação. Agora, vendam-se por muito bom prêço, passagens nessa pandeireta voadora aos brasileiros. Pronto! Um bom negócio está garantido, pelo menos até que uma coisa daquelas dê um graaaande problema.

Read Full Post »

O especialista leu com atenção todos os resultados e laudos dos exames e testes a que me submeti e concluiu que – ipso facto- o tal de labirinto está meio confuso da vida. No entanto, produziu mais uma requisição para que observem a minha cabeça por dentro, penso que pra verificar se contém coliformes neurais ou serragem, sabe-se lá… Mais incisiva que uma labirintopatia metida a besta, é a minha reação nadica de nada propensa a continuar a deixar-me expôr a todo o tipo de Raios X, Y, Z e, muito principalmente, aos raios que os parta. Estou mesmo com vontade de desistir e esperar, sem radiações e em paz, que a natureza faça a sua parte.

++++++

Li numa revista de consultório que Lindsay Lohan, que chegou a ser uma promessa mas, miseravelmente, perdeu-se nas corredeiras incontroláveis das baladas, álcool e drogas, foi contratada e está já vivendo o papel de Liz Taylor em “Liz & Dick” para a TV. A escolha parece conflitante com a sua precária conduta pessoal. Quem sabe, no entanto, Lohan surpreende e de quebra ainda ganha algum self respect para mudar os rumos da sua vida e ter a chance de não sucumbir a alguma overdose?

Eu tinha os meus doze anos quando assisti “Giant”, que aqui no Brasil passou com o título, para mim estranho, “Assim Caminha a Humanidade”. Nele, ou a partir dele, fiz-me admirador de Liz Taylor, cujo percurso artístico segui ao longo da vida. Como muitos outros atores, Liz teve altos e baixos, alguns até bastante baixos também em razão do uso de alcool e abuso de drogas prescritas. Eu achava o Richard Burton a mais nefasta das drogas que ela usava! Não obstante, considero que “Cat on a hot tin roof”, “Who’s afraid of Virginia Wolf”, “Doctor Faustus” dentre outros grandes trabalhos, justificam toda a minha admiração e respeito por ela.

Read Full Post »

VanOr

A Vanessa Ornella, além de ser uma amiga das mais queridas que tenho nesta vida, é Médica Veterinária e uma soberba pena de ouro impregnada do mais puro e desconcertante talento! Seus textos costumam ser plenos de espaço para boas risadas, mesmo que o assunto seja de alta seriedade ou até com carga dramática. Ela tem o dom único por mim tão invejado de decorar seus escritos aqui e ali com palavraços que perdem sua vulgaridade e se transformam em saudáveis gargalhadas! Seu grau de potencialidade para um livro de muito boa venda é DEZ! A Cora Rónai um dia referiu-se a ela como “sua escritora preferida” mas ela é minha também, viu Cora? A seguir, um copy/paste de um texto dolorido que ela gostaria de não haver escrito, mas que a revela em sua plenitude:

 

Eu nunca escondi que sou uma chorona incansável. Choro quando fico presa no trânsito, quando estou no quilômetro final de  uma meia maratona, quando reencontro um amigo querido que há muito não vejo ou quando testemunho qualquer gesto banal e anônimo de carinho ou amor explícito; choro lendo a primeira página do jornal, choro de preguiça, de cansaço, de alegria, enfim, eu choro tanto, mas tanto-tanto, que meu oftalmologista já prescreveu, contra as minhas recidivantes mazelas de olho seco, que eu chorasse “um pouquinho menos, Vanessa, porque chorar demais reduz a qualidade da lágrima”. E a minha lágrima, como vocês devem imaginar, jamais levaria um ISO 9000.

Por capricho do destino ou talvez apenas para hipertrofiar minha musculatura lacrimal, descobri na semana passada que a Princesa Radija, minha Pastora Islandesa de 10 anos, tem linfoma. Há umas duas semanas, minha mãe notou uns caroços no pescoço do cão, então pedi-lhe que a trouxesse pro Rio para verificação médica. Na chegada à civilização, na primeira palpadinha que dei naquele pescoço peludão, percebi os caroços – e o calvário que teríamos pela frente.

O linfoma é um câncer incurável no cão, mas seu controle quimioterápico consegue proporcionar aumento de sobrevida com qualidade de vida por “algum tempo”. “Quanto tempo?”, sempre quiseram saber todos os proprietários de cães que já atendi com essa doença. “Não há como dizer. A literatura diz que de seis a doze meses, mas é impossível saber. Cada caso é um caso.” Geralmente, depois dessa má notícia, os proprietários choram. Eu permaneço em respeitoso silêncio até que eles absorvam o impacto dessa bomba atômica, e então digo: “O importante é que nós podemos dar ao seu cão a chance de permanecer com qualidade de vida por muito mais tempo do que se ele não fosse tratado. E quando a gente ama uma criatura, poder tê-la feliz ao nosso lado por mais dois meses,  dez meses, quiçá dois anos!… é muita coisa.” Nesses momentos, eu sempre penso nas pessoas amadas que já se foram e por quem eu daria 90% do meu fígado funcional para poder tê-las ao meu lado por uma mísera hora  que fosse. Apesar da chorona incorrigível que sou, e mesmo com todos esses pensamentos tristonhos na mente, eu simplesmente não choro porque este não é o momento de chorar: é um momento para alentar e orientar. E é exatamente o que eu faço. Ou o que eu costumo fazer.

Com a Radija, no entanto, eu falhei nisso, e falhei feio. Eu só me perdoo porque, afinal, ela não é uma paciente:ela é o meu cachorro. Ela morou em Santa Teresa comigo quando era filhote, dividimos iogurtes e cama, ela customizou meus móveis e alguns dos meus sapatos e teve o didatismo de me ensinar, em primeiríssima mão, que, apesar de todo seu charme blasé, ela não é exatamente o modelo de cachorro que consegue conviver pacificamente com entregadores, jabutis, micos, gambás, gatos, ouriços e bichos que corram menos do que ela em geral. Foi por todos esses motivos de raiz afetiva que eu precisei pedir ajuda aos meus colegas-amigos para: 1) cuidar da Radija; 2) dar a má notícia aos meus pais.

Ainda bem que eu tenho amigos. A um deles, o Rômulo Braga, o melhor radiologista veterinário do mundo, com quem fiz alguns dos exames de imagem para saber a extensão do comprometimento tumoral, eu disse: ”Quer saber? Ainda bem que eu sou veterinária numa hora dessas.” Eu estava blefando, claro. Ele percebeu e, delicadamente, discordou. Disse que preferia não ser veterinário numa hora dessas, porque conhecer bem o desfecho mais provável de algumas doenças também é muito triste. Ainda me fazendo de fortona, argumentei que, se eu não fosse veterinária, dificilmente teria o amparo carinhoso e espontâneo de tantos veterinários picudos como os que têm me ajudado a cuidar da Radija, como ele próprio, os oncologistas Glauco Mello e Simone Cunha e a nutricionista Paloma. E o Rômulo, que é uma criatura celestial e elevada, sorriu e disse: “Teria, sim.”

Nesse momento, ele me pediu licença e afastou-se para abraçar e beijar uma senhora que acabara de sair soluçando de um consultório da OncoPet. Ouvi-o proferir umas frases meio zen-budistas sobre a vida e a morte e, quando retornou, perguntei-lhe: “Cliente sua, Rômulo?”. “Não. Nunca tinha visto, mas ela precisava dum abraço, né?”.

Ontem à noite, antes de dormir, abracei a Radija no chão da sala, onde ela costuma ficar estirada para escapar do calor. Ficamos ali deitadas em silêncio por algum tempo, de frente uma pra outra, meus dedos afundados em seus pelos macios e sua respiração úmida e morna em meu nariz. Senti meu coração se encharcar de um amor terno e calmo, estável e concreto, como o amor quase nunca é. Apertei sua pata enorme numa das mãos, como quem pega na mão da pessoa amada e, olho no olho, testa com testa, disse-lhe: “Eu jamais permitirei que você sofra.”

Sei que eu choro por qualquer besteira, mas existe uma grande diferença entre o choro à toa e o choro por justa causa. No choro justificado, não são apenas lágrimas pobres e sem qualidade viscosa que se derramam pelo mundo, e sim grossas gotas de tristeza sentida, de onde se pode destilar a própria alma de uma pessoa.

A tristeza maior é saber que o tempo não para – e o cronômetro já foi acionado. Mesmo com tanto verão e carnaval, com tanta beleza e tanta poesia, há momentos em que a gente não consegue deixar de perceber que vida é uma guerra cruel da qual ninguém escapa incólume. (preciso consultar meu oftalmologista)

 

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »