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Fritura

Foto por Luis C Nelson
Frige o ovo na sertã. Mini explosões de óleo chuviscam a esmo!
Enquanto o ovo fica frigído, todo o fogão resulta ungido
com os óleos em ebulição…que esculhambação!
É sempre o mesmo quando fico em casa sozinho:
esbodego tudo, mas cozinhar eu não cozinho…
…e tô faminto da culinária, do cheirinho, do carinho
(Quando é mesmo que vais chegar?)…

Musica

Digo frequentemente que sou um piloto frustrado, porque sempre senti uma atração irresistível  por tudo o que voa, com ou sem asas. A vida não me deu asas profissionais e eu acabei conformando-me com a minha sina. Por outro lado, vindo de uma família de músicos apaixonados mas amadores, criando-me cercado de violinos, banjos, clarinetas e acordeons, nunca senti o mínimo desejo de ter a música como meio de sobrevivência. O meu pai, fotógrafo e músico de banda nas horas vagas, ensinou-me teoria musical, aprendi  contrabaixo que toquei em quartetos amadores de jazz & blues. Depois veio a fase da guitarra elétrica, dos grupos tocando beatles nos fins de semana…
O preâmbulo serve-me para dizer do porquê da minha grande paixão pela música e da minha admiração, suporte e simpatia por todos os músicos, os quais considero uma espécie de “Irmãos de Alma”, não importando o instrumento ou género musical que toquem, desde que seja boa música, bem entendido!
Mas a razão deste post, é o desejo de prestar a minha solidariedade e simpatia aos competentes e  maravilhosos músicos da OSB – Orquestra Sinfônica Brasileira, ameaçados  de demissão por reagirem a uma nada ortodoxa, anti-ética e execranda medida administrativa que os obrigava a uma espécie de avaliação instrumental para manterem suas posições. Por ter a convicção de que a avaliação, normal num concurso admissional à orquestra, é vexante, desrespeitosa  e inútil no caso de titulares há longo tempo, fica aqui meu protesto.

Red Roof…

Foto por Luis C Nelson

…é o nome do hotelzinho no enfiamento de duas das pistas do aeroporto Dallas-Fort Worth, escolhido em razão da relativa proximidade da casinha da Mônica, cuja lotação estava esgotada com a presença de outras pessoas de familia que atenderam ao nascimento da Carolina, nossa mais nova netinha. A torrente de aviões em aproximação enquanto parava o carro e me dirigia à recepção, fez-me pensar que seria aquele o motivo da barateza do Inn, cuja diária é de $ 49,00 (R 80,00). O aposento foi uma surpresa de arranjo funcional, área enorme, cama full king size com um super confortável colhão, limpeza irrepreensível, além de mini geladeira, micro ondas, escrevaninha, internet rapidissima incluida no preço e, como se não bastasse, meus receios não eram fundados, porque o nível de isolamento sonoro é impressionante!

A empresa que costuma comprar os meus serviços tem sua base técnica em Macaé, mas eu moro em Niteroi, pelo que eu tenho de arcar com as despesas de deslocação e estadia nos dias em que por lá tenho de ficar. Por razões puramente econômicas, escolho uma daquelas “pousadas” que estão no momento cobrando R$ 100,00 por um quarto de pensão de morte lenta. A cama é de casal, mas muito pequena, de madeira rangente, colchão duro, portas e móveis escuros, banheiro pequeno com chuveiro elétrico do tempo em que os animais falavam, ar condicionado de janela roncando feito um velho DC3 na decolagem…

Uma noite, quando me deitava sobre a barulhenta cama, notei um enorme marimbondo na parede! Busquei uma toalha no banheiro e desanquei o inseto, que desabou no chão. Nova chicotada deu-me a certeza de que o moribundo marimbondo seria já cadáver. Tentei dormir, mas sentia uma sede pavorosa, pelo que decidi tomar água. No que o meu pé esquerdo entrou no chinelo, tomei uma violenta ferroada do maldito muribondo que decidiu vender cara a vida!

Nota: A dona da pousada dos marimbondos acha que a hospedagem é muito barata…

Crueldade


É poderosa e incontrolável, a Natureza!… Reconheçamos então o quanto somos insignificantes seres biológicos facilmente dizimáveis aos milhares, sem tempo para uma reação de defesa, esmagados pelos escombros das nossas ridículas construções que orgulhosamente julgamos sólidas, ou mesclados nos gigantescos lamaçais. Reconheçamos então a completa inutilidade da arrogância, da riqueza material, dos poderes armados, armados pelos poderes, podres ou não, legítimos ou não. O desabafo abaixo, foi escrito e publicado no Recanto das letras, ao tempo de um outro desses cataclismos.

 encurto o passo e olho o luar refletido
nas límpidas águas da piscina
enquanto caminho, introvertido,
como que tristonho e rendido
sentindo a alma pequenina…

que violentas são as forças da natura
quando sacode suas entranhas!
e como é cruel o deus da escritura
que os seres esmaga e tritura
nessas convulsões tamanhas!

Solitário

                                          Foto por Luis C Nelson

milhas de solidão
rolam sem fim
e oprimem meu coração
daqui a pouco vai escurecer
e como é triste o meu escurecer
só, sobre o leito jazer
não faz sentido
nenhum sentido
que sentido estou

Vício

A senhora, aparentado meio século de idade, fumava sofregamente o seu cigarro num dos  locais designados. Ocorreu-me o pensamento de como será que ela enfrentará a restrição abrupta ao seu vício a partir de hoje, dia primeiro de Março, primeiro dia em que o cigarro é abolido em todos os campus fabris da General Electric! Retornando ao tempo de fumante pesado, trinta seis anos atrás, senti uma certa pena da senhora que fumava de forma sôfrega e nervosa…

Tunel voador

                                          Foto de celular por Luis C Nelson

Viajar para fora sem ela não é mais coisa rotineira como costumava. Sinto, durante o vôo,  um vazio inexplicável e perturbador! Voo longo na cabine dos pobres de um destes aviões de qualquer das empresas americanas, não tem mais por onde perder qualidade, salvo se se lembrarem de reservar uma parte do porão da carga para nos colocarem. A ração de voo piorou em todos os aspectos, não importa se você opta por chicken ou por pasta. A verdade é que eu acabo não comendo e passando apenas com o pão simples e, eventualmente, o docinho da sobremesa. O costume de tomar uma garrafinha de vinho, agora só se pagar um punhado de dolaritos, ou se você tiver bala na agulha para bancar um bilhete na classe executiva.

Fragilidades

                                          “Madrugada” – foto por Luis C Nelson
“Ah, os homens, os colírios,
 frágeis e necessários,
 mal demonstram efeitos colateriais.”
Cissa de Oliveira
Envelheço… E no que envelheço, sinto-me (ainda mais) frágil…
…porque não mais consigo encobrir os efeitos colateriais.

Um domingo

                                          Foto por Luis C Nelson

Confesso que é calor demais pro o meu gosto. Daí preferir gastar a tarde de domingo em casa nesta reprovável letargia, corpo e mente na mais estática bolha de vácuo climatizada, dormitada…
Os eventuais ganhos com a caminhada da manhã ao longo da praia de Icaraí, foram anulados pela saborosa arrozada de lulas preparada pela Chef Nina  e regada com um geladinho vinho branco bastante honesto. Obeso e sem vontade própria, reconheço precisar de procurar algum tipo de ajuda. Agora, o domingo passou e olho para a malinha prêta já preparada e antevejo-me varando a madrugada a caminho de Macaé, esforçando-me por em nenhum momento perder a concentração ao volante, na perigosa BR 101.

Status

                                      Foto por Luis C Nelson
É em Macaé City que neste momento eu gasto  a vida, dando seguimento ao muito que ainda tenho para concluir do projeto, muito embora a unidade esteja desde o último Natal sobre o poço de onde extrai e produz o valioso fluido do qual se refina a gasolina que move o meu carro, que me leva aos fins de semana para abraçar a minha companheirinha. Tenho, na verdade, muito pouco porque me regozijar do meu presente status, que urge modificar de alguma maneira. Encontrarei o caminho para dormir com ela de novo todas as noites dos meus dias…