Ontem foi um domingo ainda mais diferente que os diferentes e felizmente não muito frequentes domingos em que me encontro assim, pobre de mim, triste, só e abandonado!! A minha companheirinha está em Coppell curtindo os netinhos e eu resolvi arriscar-me na cozinha, coisa inimaginável para quem já deixou derreter cafeteiras. Cozinhar a embalagem de frango à parmegiana no micro ondas foi moleza e sem besteiras. Aí, achei que deveria fazer um arrozinho para acompanhar, seguindo as instruções há algum tempo recebidas, mas ficou aguado pra caramba. Mesmo assim, senti-me orgulhoso por não cometer nenhuma barbaridade e, misturado ao molho de queijo do frango, deu para comer sem traumas!…
Amante de tudo o que voa, com ou sem asas, pergunto-me como poderia ser possivel o transporte aéreo como ele é hoje, prodígio de tecnologia operacional e de segurança, não fosse a constante luta, estudo e pesquisa para identificar e corrigir o que foi dando errado em tragédias ocorridas tanto por falha de material ou equipamento, como, muito especialmente, por falha humana.
Por outro lado, no meu dia a dia ao longo dos anos envolvido na atividade de exploração de petróleo, uma das formas perigosas de mineração tanto para o meio ambiente quanto para quem nela trabalha, posso testemunhar o extraordinário ganho tecnológico em incontáveis e dispendiosas horas de estudo, pesado investimento em novos equipamentos, treino do pessoal e refinamento de procedimentos, no sentido de reduzir as até há muito pouco tempo frequentíssimas ocorrências de erupções (blow out) de poços, com todas as suas catastróficas consequências.
E é por conhecer e viver de perto a permanente guerra pela segurança em áreas particularmente arriscadas que, perplexo, me sinto revoltado com mais uma tragédia sem qualquer sentido, razão ou desculpa, considerando a tão recente história de ocorrências semelhantes, de Long Island a Buenos Ayres, muito mais que suficientes para que as mais rígidas condições e procedimentos de segurança houvessem já sido postos em prática em locais como essas boates e discotecas.
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Foco, pensativo, as gotas d’água da chuva…
Elas batem no vidro, depois descem, descem,
feito lágrimas em rostos que padecem
até que se juntam ao caudal da chuva.
Para lá das gotas, é a tristonha monocromia
do Céu e do Mar difusos em tons cinzentos
que me arrasta para solitária melancolia
e me compele a ter-te em pensamentos
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Qual poderá ser a diferença entre esta picada e uma outra situada em algum perdido e miserável lugar nos confins do nada? Nenhuma, é claro. Porém, se clicarem sobre a foto e prestarem um pouco mais de atenção, notarão conhecidíssimos logotipos e nomes de imbatíveis suprassumos mundiais da tecnologia do petróleo!
A grande diferença reside pois, no fato de que esta foto foi tirada na “rua” que serve de acesso a empresas campeãs em hi-tech da área, na geração de empregos e recolhimento de impostos. Impostos que parecem ser engulidos por impostores, enquanto os empregados das firmas massacram suas viaturas na vil e vergonhosa buraqueira, na prodigiosa “Capital Brasileira do Petróleo”.
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A primeira semana de trabalho do novo ano elapsou-se, mas eu sigo enfrentando os perigos da BR 101 para ir ao encontro da minha mais-que-tudo. Até agora, portanto, nada fiz para garantir uma mudança nas rotinas a que me acostumei. É absurdo eu repetir-me “tenho de parar com isto” toda a vez que o meu olhar varre o odômetro surpreendendo-me com o aumento de quilômetros rodados, quando deveria surpreender-me com a insanidade da minha velocidade. Isso significa que eu estou mais preocupado com o fim da vida do carro do que com o fim da minha própria vida!
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Nesta manhã de novo ano, submeti-me ao esmagador virtuosismo da orquestra, coros e solistas da Gulbenkian, no tradicional Te Deum setecentista, acontecido, transmitido ao vivo e gravado ontem à noite na imponente Igreja de São Roque em Lisboa. O “Te Deum Laudamus” composto por João de Sousa Carvalho em 1769 é uma peça sacra extremamente envolvente, belíssima e emocionante.
Há muito que desisti de fazer prognósticos no limiar dos novos anos e confesso-me muito arrependido de promessas temerariamente feitas em viradas. Afinal, os verdadeiramente capazes não prometem nada, simplesmente fazem e pronto. Neste primeiro dia do novo ano, penso apenas que terei mais do mesmo: Muito trabalho. A incógnita fica por conta de se sim ou não a minha saúde vai continuar como está, ou irá fragilizar-se ainda mais com a maior proximidade dos setenta.
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Quasi insociável e permanentemente ensonado, enxergo-me com as minhas vontades assaz debilitadas, porque sei-as parcialmente desabilitadas.Os hobbies que tão fortemente me hão propelido, perderam seu espaço para a irresistivel atração que me arrasta para a antecâmara onde um caleidoscópio carregado de sonhos que reconheço como inúteis e mofados sonhos do passado, intermeados por foscas e ininteligíveis imagens do futuro, me é posto à disposição. Oponho-me tenazmente, é certo, mas a tenacidade dessa oposição parece carecer de mais aditivos energéticos.
Poderia até resvalar para a depressão, não fossem três estacas que me têm providenciado boa sustentação, a saber: A Mulher-Maravilha, o trabalho e o meu “outro eu”. Da Mulher-Maravilha eu tenho dois olhos como-há-só-dois que me seguem incessantes, hora feitos reluzentes e cristalinas esmeraldas enternecendo a minha alma, hora virados em contundentes e incontestáveis fontes de força faiscante em tons de cinza-quase-branco, que tenho o bom senso de respeitar. O trabalho, além de fundamental no sentido econômico, eu preciso, quanto mais não seja, para culpar pela não materialização de projetos literários que na realidade é tão somente um reflexo óbvio da minha incapacidade e falta de engenho e arte para o fazer. Finalmente o “meu outro eu”, que, por se tratar de um ser independente, extremamente crítico e insuportavelmente sarcástico em suas considerações nada lisongeiras sobre a minha pessoa, resulta uma séria barreira de contenção às minhas singularidades existenciais.
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Diz-me, ó vento passageiro
p’ronde vais com tanta pressa…
Decerto é lugar bem maneiro,
d’alegria o tempo inteiro
e com felicidade à beça!
Diz-me rio caudaloso
p’ronde vais em corredeiras…
Decerto p’rum estuário gostoso
onde calmo e langoroso
te espraias em regaleiras!
Diz-me, meu EU tão lanceiro
P’ronde vais em tal trotar!…
Decerto que aventureiro,
enfrentas o risco inteiro
pro viver justificar
Diz-me, minh`alma aberta
qual é a trilha e a hora certa
pra parar e descansar,
Antes que seja o terreiro
que me acolha o corpo inteiro
p’r ad eternum repousar…
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Quem s’importa se se acorre
gritando “acudam! acudam!”?
Ninguém! Ninguém socorre.
Um coitado pr’ali morre
q’ajudar, não o ajudam…
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Mais do mesmo movimento que não anda, porque desanda nesta bandalheira suja de barro lodoso por onde transito transido debaixo de chuva torrencial. Terra rica, dizem-na rica, mas rica ela não é. É pobre de carácter, de ufanismo cívico, de cidadania. Macaé terá malversado os recursos de ouro e agora é tarde, porque “aqueles” ricos royalties, nunca mais…
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