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Os olhos que olho no espelho me parecem  menos vivos que ontem. Enquanto esfrego a pele de forma frenética e auto flagelante com a máquina de barbear na tentativa de bem escanhoar os espetos brancos, analiso os pormenores daquele rosto refletido no espelho cruel. Cruel e deslavado mentiroso. Dele eu demando o meu legítimo direito de recusar ser retratado de forma menos respeitosa e passei a exigir correção na exposição da minha cara que me é tão cara e me acompanha desde que nasci. Puz-me a fazer caretas pro miserável até cair na risada. ­­”É então assim, que se chega a doido!”, concluí desgostoso, raspando os pêlos em torno das orelhas. Faço isso vezes sem conta, porque vivo apavorado de, ao deixar crescer a pelagem, amanhecer na pele de um qualquer animal felpudo. Termino o ritual com alguns borrifos de Polo – minha colonia preferida cujo cheiro há muito não experimento por me encontrar completamente anósmico. É assim…Todos os males chegam com a idade. Botei a língua pro espelho antes de sair e arrependi-me. Achei-a muito branca! Será que tenho alguma doença de vaca?!

A Crise

 

Cores

Uma vez mais, sobrevoo a substancial quantidade de esboços de poesias e textos interrompidos, com motes cuja conclusão sou incapaz de enxergar. Esta crise criativa é real e palpável, mas insisto que seja tão somente mais uma das muitas que de quando em vez me acometem e me desencorajam. Incapaz de escrever, eu leio. Besteiras, sobretudo! Agora, passando um trapo sujo sobre todas as criticas nada favoráveis que fiz a “Fifty Shades of Grey“, eis-me envolvido com a leitura de “Fifty Shades Darker“, segundo volume da trilogia de E L James. Ah sim: Reli, cinquenta e cinco anos depois, em bom inglês, “Lady Chatterley’s Lover” de DH Lawrence, versão sem os cortes resultantes de toda a estupida polêmica e processos dos anos que seguiram à sua publicação. É de fato uma excelente peça de literatura, mas a empolgação ficou longe, comprovando os efeitos brochantes da “septuagenaridade”. Pelo menos no meu caso…

De mim…

 

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lobo de mim, vou-me comendo as entranhas

bobo de mim, rio-me das próprias patranhas

pobre de mim, senhor de tão magras virtudes

raio de mim, que só me enxergo vicissitudes

 

No entanto…

“Pomerode”

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Cansei do blog ou o blog cansou de mim, o que vem a dar no mesmo…

…mas agora, enquanto espero (im)pacientemente no aeroporto de Navegantes um voo para Sampa, decido que o blog já descansou o suficiente. Comecei por fazer desaparecer o último post cuja releitura fez sentir-me escravo do cravo. Deixo as ferroadas político-militares para o hipotético livro que tem tudo para intitular-se “Jamais-Jamais” (leio Jamé-Jamé para integral deleite).

Passei duas noites no Hotelzinho Bergblick em Pomerode, Santa Catarina. Fiquei com a sensação de que estava em uma fazenda cercada de Natureza por todos os lados, mas sem cheiro de bosta de boi e a apenas um quilômetro do centro da pequena cidade cheia de tradições alemãs. Mas as tradições só saem para rua em alguns eventos anuais e, na minha estadia, só deu para respirar trabalho. Algumas fotos, o convite para um incrível e nada alemão rodizio de pizza e nenhuma oportunidade de enxergar-me envolto na poesia do local…

****

 Apenas vaga ideia

resta do ideal

de na poesia estaiar meus dias…

Divago…

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Chove em Houston, o tempo esfriou e senti vontade de dormir uma noite tranquila sem sobressaltos. Mas, em algum momento, o telelê irá tocar, uma voz me dirá a hora que tudo estará a postos para iniciar o procedimento, prompt para que me junte à torrente contínua do intenso trânsito ao longo da West Loop e da Northwest Freeway em direção a uma longa noite em claro.

Penso que não tenho mais idade para isto, para logo pensar que não estou predisposto e preparado para aquilo. “Aquilo”, é parar de vez, estagnar, definhar em inutilidade terminal…É triste a minha alegria enquanto guio, cego, a 60mph no meio de uma núvem compacta de água, reconhecendo que este risco, palpável, gostoso, porre de adrenalina, não será mais viável para mim dentro de alguns pouquinhos anos. A natura irá encarregar-se de me sonegar o que me resta de vontades aventureiras.

maison, lumière et la pluie

Em tarde chuvosa de sábado no greenhouse, tieto, curto e namoro a minha mais-que-tudo, que veio ao meu encontro para uma semana de esperas. Ela espera que os dias não sejam tão quentes, espera que eu tome o café da manhã com ela antes de ser abandonada nesta espécie de aquário envidraçado antes das seis da matina, para depois esperar a minha chegada lá pelas seis e meia da tarde-já-noite, cansado e esperançado no carinho do seu colinho…

Ufano

hh

Dedicar o melhor de mais de uma quinzena de anos de vida ao serviço de uma única organização empresarial, pode ou não ser uma experiência muito gratificante. Como num casamento, são incontáveis os momentos de orgulho por ser-se parte de tudo aquilo, seguidos de outros de amarga frustração, para logo recuperar-se a sensação de ser-se muito feliz, mesmo que sob  extremo stress.

Seis ponto nove

Com o ego já curado da inflamação que sobreveio por resultado das surpreendentes e mui gratas atenções recebidas no meu sexagésimo nono aniversário, retomo a realidade da vida sem resquício de ilusões. Afinal, perturbadora constatação, tem candidato a papa bem mais jovem que eu!! Mera constatação cronológica, reconheço, mas perturbadora o bastante para me lembrar que devo, se calhar, repensar os rumos do que resta do meu “pontificado”.

Adicionando pressão sobre redirecionamento de vida, estamos no ano em que completo meio século de caminhada de mão dada com a minha companheirinha. E porque meio século é um ápice que não se repetirá, sinto uma crescente carência  da mão dela enlaçada à minha com muito mais constância…

Voltou…

 

Luínha-1

Mais-que-tudo tudo muda quando está pertinho, ainda que, momentâneamente, não ao alcance do estender do meu braço. Por isso, mesmo que afetado por alguma das indisposições próprias da minha realidade etária, é inegável que o meu humor ganha um real improvement com a volta da minha luínha a uma órbita mais próxima em torno do meu mundo!

 

Recordare

sunrise singa-1

O ato de reorganizar ou pelo menos tentar reorganizar arquivos de textos e fotos em um computador pessoal,  pode ser um exercício pleno de emoções conflitantes. Ao mergulhar no período vivido em Singapura e adjacências, senti inicialmente uma enorme vontade de voltar a respirar o permanente frenezi  de uma extraordinária e admirável terra de superlativos tão do meu agrado e gosto.  Pena é logo em seguida  ser atropelado pelas recordações de exasperantes maus bocados sofridos no decorrer do projeto. Eis dois momentos pouco felizes:

 

… e sobre esta água asiática
numa loucura escaganifobética,
cansativa e porraloucática,
desgasto-me de forma asnática
achando que ajo com ética!…
“Cretino fundamental”: Eu sou um!…
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Belo é o Sol das minhas madrugadas!
Porém, são sofridas estas madrugadas
cansadas, quentes, equatoriais…
Já fatigado, acordei e me levantei
do breve sono que dormitei,
despertado pelos próprios ais.

Meus olhos tristemente se alegram
com as belezas que enxergam
aqui no ao redor da Marina,
que em sua exuberância encantada
surge rubra, pelo Sol pincelada
por entre a tênue neblina…

Hora de embarcar e estas águas cruzar
em direção ao trabalho que me espera.
Muitas horas eu irei enfrentar
até que, noite adentro, possa voltar
a sulcar as ondas de regresso a terra…