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Clarice, Clarice

Clarice

Resenhar Clarice?!… Suponho que não poucos o haverão feito de todos os seus livros. Não disponho de dados bibliográficos dessas resenhas e, confesso, tampouco as procurei ou procurarei, porque eu prefiro a elas não ter acesso e deixar-me levar, sem influências, por minhas proprias ideias.

Clarice Lispector é autora de pequenos livros de extensos textos. Extensos, na medida em que neles não funciona nenhuma técnica de leitura dinâmica. Ou se leem com redobrada atenção, ou não se haverão lido. Junto com a “redobrada atenção”, o leitor deverá disponibilizar uma alma com os portais escancarados e dotada de sagacidade capaz da proeza de emparelhar com a alma da escritora.

E Clarice é dona de uma alma labiríntica onde vezes sem conta me perco por me faltar a tal sagacidade em dose que me permita seguir suas pistas, em grande parte deixadas em hieroglifos filosóficos cujo entendimento requer perspicácia na leitura e fôlego para, a pulmão livre, mergulhar profundamente nas águas vivas e não raramente revoltas do seu âmago. Mas, como Lóri pensa em Uma Aprendizagem: ou o Livro dos prazeres, “…não entender é tão vasto, que ultrapassa qualquer entender…”

Não creio, pois, que algum dia me aventure pelas vertentes pedregosas que adivinho de tormentoso caminhar, na redação de uma resenha de qualquer dos seus livros que até este momento tive oportunidade de ler. Apenas uma certeza eu tenho: Lê-los-ei todos e, após degustá-los a meu prazer, ousarei ousar uma vez mais em algumas linhas calcadas na linha dos meus pensamentos.

Preferiria não ter escrito o post anterior. Deveria então eliminá-lo, simplesmente. No entanto não o faço, porque, descubro, não quero fazê-lo. Ele reflete um momento de extrema tensão pessoal – um pique subito na minha curva de humor, mau humor, no caso. Ora, se essa curva é um histórico do meu humor, história não se elimina. Só os asnos políticos o fazem.

E eu deploro asnos políticos, demagogos de todas as malditas ideologias que se ancoram ad eternum nos seus poleiros com verborréia fácil e irresponsável uso das cada vez mais diminuidas riquezas geradas pela decrescente massa dos que produzem realmente, em ações iminentemente empobrecedoras e emburrecedoras.

Mas, reconheço, eu deveria então consultar esse gráfico do meu humor e procurar passar ao largo, o mais afastado possivel, de tudo o que possa afetar-me o “simpático”. Confirmo que o FB pode sim, afetar-me e muito. Logo, tudo o que tenho a fazer é evitá-lo, como aliás me havia anteriormente determinado em procedimento íntimo. É só seguir e cumprir o procedimento.

Em post recente, eu havia me comprometido a deixar de vez o caos da realidade “real” e mergulhar completamente na “realidade poético-filosófica” nas entranhas do meu impossivel. Afinal, com setenta completados, não devo e não posso martirizar-me. A crua verdade pode, se quisermos, até ser motivo de pândegas considerações: A maioria dos meus amigos são meus ídolos no campo artístico, mas politicamente inconciliáveis; melhor então passar bem afastado de tal barreira…

Suo frio e sinto-me agoniado com um forte sentimento de fracasso. “Fracasso? Mas porquê?”- penso em voz alta, alta demais, falsa demais, que demais são os motivos que carrego comigo para me sentir fracassado. Decido despejar a culpa toda sobre o FB – Face Book, estupida torre de babel eletrônica, caótica e pejada de armadilhas. FB – Fu#@#ng Bastard! Eu te abandono e… tenho dito, pronto! Lá eu não volto mais. (Será?…)

 

Update em 21 Maio: Voltei ao FB!…

Sou um chato…

… porque deploro secretismos e hermetismos onde deveria haver cristalina transparência, assim como desprezo teorias de conspiração que, de ordinário, emanam e exalam de malcheirosas fossas de tendenciosismo politico.

…porque desconfio de sociedades secretas de qualquer tipo e sinto-me incomodado se tentam arrastar-me por meio de melífluas frases, a acreditar nesta ou naquela filosofia com ou sem status religioso.

Sou realmente um  chato que desdenha de livros de autoajuda, astrologia, gurus místicos e pregadores do ocultismo em geral…

…e, last but not least, que se repugna com todas as formas de culto à personalidade tão presentes nos regimes autocráticos, ditatoriais de extremas esquerdas, direitas, canhotas/canhestras e religiosas

 

“…deixa que digam, que pensem, que falem; deixa pra lá, vem pra cá, o que é que tem?…Eu não tô fazendo nada, você também! Vamos lá bater um papo bem gostoso com alguém, vem!…”

Devaneios I

Tal como Pessoa, sou pessoa para quem “o ideal seria viver tudo em romance, ler minhas próprias emoções e viver meu desprezo por elas”. Chego ao exagêro de romancear meu dia a dia e inventar situações: Cômicas, constrangedoras, ridículas – ridicularizo-me amiúde – mas povoo meus romances com egocêntricas considerações absurdamente superlativas. Absurdas, superlativas e impossiveis, porque é no seio do impossivel que me sinto eu mesmo, sugerindo que sou fruto de improbabilidades. Sou então improvável, maugrado as batidas mais ou menos arrítmicas do meu coração. Tenho, todavia, nesse arrítmico coração, uma fé inquebrantável no “Amor”! Acredito até que seja a unica fé que verdadeiramente me mantem a alma em vida…

Far-me-ia d´outra fé um seguidor

não fora a esta fé tão devotado

qual fé poderá ser mor que o amor?

q´outra fé me traria tão alimentado

d´alma e coração com tal fervor

q´a esse amor sou, à fé, acorrentado?

Fosforescência

Fosforescência

Mergulhar como vim ao mundo naquela estranha fosforescência e agitar as águas para que se “acendessem ainda mais”. A magia era mais-que-real porque nela estava de corpo nu, integrado à escuríssima noite das águas de luz que me acolhiam em meu indizível êxtase! Êxtase de kandengue de sorte, especialmente convidado para aquela noite dos espíritos em festa! Nudez resplandecente que corria sufocando de gargalhadas pela areia tépida da prodigiosa praia na mãe África, mãe-de-todas-as-mães de poderes tais, ao ponto de ser capaz de trazer estrelas brilhantes para o mar, só para eu nelas me enrolar, só para eu louquear de alegria sem par…

 

Noite de águas de luz, praias do Lobito, Angola, anos 60

Foto: Encontrada na net, sem créditos

Home alone

CL

Realizo-me em frenéticas tentativas de açambarcar o mundo com pernas, braços e alma. Mas tudo dá em nada: Segue-se uma penosa sensação de ser pessoa de absurda inutilidade – such an useless person – em qualquer idioma, em qualquer campo de qualquer campo…

A minha + que tudo viajou e no que o fez, deixou-me viajante d’um turbilhão de frustrações várias e várias e várias. Sou obrigado a reconhecer que, é muito claro, tudo o que eu queria era ter ido junto. Mas não fui e fiquei comigo próprio, falso e insuportável companheiro. Gastei meio sábado desocupando um armário de bugigangas informáticas que jamais voltaria a usar; Doei gabinetes de CPU com drives jurássicos que ainda funcionam, teclados, estabilizadores de tensão, altofalantes de multimídia, sacolas estufadas com cabos e conectores de todo o tipo e até um monitor flat screen em perfeito estado. Também baixei updates no Tom Tom depois de pagar o que me pediram, esperando que essas dispendiosas atualizações correspondam à realidade. Ao final, descobri-me havendo recobrado um pouco da minha autoconfiança e estima.

O que um sacrificado, mutilado e heroico pescador das geladas águas da Terra Nova tem a ver com Clarice Lispector? A pergunta é perigosa e de resposta complexa, na medida em que seria seguida por: “Justifique”! E “justificar”, significaria desenvolver um encadeamento de ideias e lógica de pontos de vista que poderia até dar quase como que uma tese. Terminada a leitura das extraordinárias aventuras de Howard Blackburn em “Lone Voyager”, volto para Clarice, por quem me confesso apaixonado.

 

 

 

 

Lone Voyager

Macaé-20140427-00174

Penso que o meu carrinho já faz esta viagem no piloto automático e esse é o motivo pelo qual eu me descobri no apê de Macaé sem que me recorde de nenhum detalhe do trajeto que acabo de completar. Seja isso bom ou mau, é uma habituação que nunca pensei que aconteceria e que me forço mais que nunca a tentar rejeitar, por nela não ser possivel encontrar qualquer sentido ou lógica. É no entanto real que, setenta anos vividos, me encontro na companhia de mim mesmo, num cochicho envidraçado a quase 200 kms de onde deixei a minha mais-que-tudo na solitária companhia dela mesma. A diferença é que meu caso é muito mais sério e inseguro porque, sem embargo, eu sou uma péssima companhia para mim próprio.

Rodei um show de Alejandro Sanz no DVD com o volume alto, o que acabou encobrindo os gritos da pobrecita cafeteira de pressão. O cafezinho sugiu em vômitos sobre o fogão e aí sim, eu corri como o fazia a minha querida mãe, que jamais em vida aproveitou mais que a metade da quantidade de leite que colocava pra ferver.

Alejandro cantava “Cuando nadie me ve” e eu me fixei na ideia de que aquele era o canto da imolada cafeteira! Não sei porquê, mas substituí-o por Harry Clapton, enquanto resfriava a bichinha e verificava que, milagrosamente, as vedações não derreteram – pelo menos desta vez! Preparei outra cafeteirada, limpei o fogão, et cetera.

Agora, no finzinho de uma dia de domingo, decido que absolutamente não vou poluir meus sentidos com o non-sense intragável do Faustão, ou navegando por aterrorizantes notícias de CNN´s ,BBC´s, Globo´s, muito menos acessando o para mim definitivamente insuportável FB que soberanamente detesto. Troquei Clapton por Sinatra bem baixinho e voltei à leitura do interrompido “Lone Voyager”.

Em tempo: FB, só mesmo para deixar uma pista para que alguém, eventualmente, venha ler estas tortas linhas…

Os detestáveis

 

Em princípio, tudo o que repudio eu detesto e fim-de-papo. Mas definir o que é detestável não é tão simples assim na vida real, porque muita coisa que para mim não é palatável ao ponto de merecer o adjetivo, é-o para milhões de semelhantes para quem o antônimo é o verdadeiro…

Detestaria forçar-me a elaborar uma lista de detestáveis, só porque no parágrafo anterior fiz chover no molhado. Poderia resumir tudo em um exemplo de sujeito universalmente detestável: “O Imposto”. De qualquer natureza, se é “imposto”, é-o pela força. Poderá sê-lo “pela força da Lei” que, em última análise tem braço armado para fazer cumprir o imposto, logo, é imposto pela força das armas. Exemplo mais particular: É-nos imposto que paguemos – or else – contribuição sobre o que recebemos pelo nosso trabalho. Mas não há, todavia, qualquer garantia de que haverá justiça e honestidade na aplicação dessa contribuição e isso é algo muito detestável. Parece filosófico e pode até muito bem ser, mas a quantia expressa no “DARF” que tenho ante meus olhos é brutalmente real!

Belisco-me, porque o fisco absolutamente não era meu alvo neste escrito. Aconteceu porque ele – o fisco – tem costas largas e não se incomoda nem um pouquinho que digam mal, desde que paguem! Já os Beatles malhavam no “Taxman” em suas musicas enquanto alimentavam generosamente as goelas escancaradas, gargalhantes e insaciáveis do sistema…