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Caso perdido

A vida passou, passou, passou e olha eu aqui… Quem sou?

Mistica sombra que se desmistifica em vapores de nada

Errático sonhador do impossível num mundo impassível

ante um jogo de faz-de-conta que a conta nunca fez…

 

…e agora, desse faz-de-conta me dou mais conta!

Por conta da vida, que me fez perder a conta

de tantos pensares e utopias q’a alma não conta…

 

Agora, de novo, olho-me com desprezo no olhar

abstratamente ostensivo, ofensivo, incisivo…

…lúdico. Lúdico?!! Oh! Eu não cresci! Daí, o faz-de-conta!

Morrerei criança, de imaginação sideral – piramidal!

Sideral, piramidal e inútil, afinal.

Sizenando

Antologia

“Era uma vez uma praça

No interior de Goyaz

Onde eu ouvia vozes:

De poetas e anjos mais…”

O Espírito de Sizenando paira omnipresente sobre Goyaz e sobre ele derrama ininterrupta chuva de energéticas estrelinhas contendo massivas doses de inspiração e sensibilidade poética, que resulta em enorme concentração de gente iluminada pela luz própria do talento e amor às Letrinhas. Assim, Beto Queiroz, o neto do Espírito, materializa o sonho…Os Sonhos!

Short temper

Dou-me por vencido e concordo comigo mesmo que estou mal humorado, irrascível, insuportável, de pavio curto, ape shit. Não sei bem o porquê disso, mas nem eu mesmo estou mais a fim de me aturar. Talvez eu devesse fazer como o colega aqui do lado quando está de mau humor: “Going to F*@#k off and get drunk”. Mas meu beber é muito moderado e ficar bêbabo está fora de questão – pensemos então noutra coisa. Talvez dormir dois dias seguidos? Mas meu mijar é por demais vezeiro e dormir tantas horas seguidas está fora de questão – pensemos então noutra coisa. Talvez voltar mais cedo para casa em Niteroi e encher o saco da minha mais-que-tudo. Mas a minha mais-que-tudo vai ficar mais-que-mal humorada, irrascível, insuportável, de pavio curto, etc. e eu vou correr sérios riscos…

Tosse

Tusso, e quando tusso, a tosse de mim toma posse como se eu fosse a própria tosse. Ah, sim. Tenho de ir ao médico. Sei que tenho e não só por causa dessa tosse que me amofina há alguns dias. Já fez um ano e sei que ele está lá atrás da porta me esperando de dedo em riste…que coisa triste! Quero dizer: Refiro-me a ele, o urologista, que não é triste, é todo sorrisos. Pudera! Não é no dele…Mas eu preciso mesmo é de voltar à poesia, porque ela, a poesia, é meu oratório, minha cura e nessa cura ela não procura invadir o meu subilatório, oras…

 

Esqueci-me de ser feliz, feliz

A poesia eu deixei, sentido

Destruí versos que não fiz (ou fiz?)

E o poeta abandonei, traído

Nos meus lábios o sabor, do sal

Das lágrimas que a sorrir, vertí

Tão tristemente me alegram, afinal

estas rimas que, repentista, escrevi

 

Então tá…

Temperar a vida com uma experiência diferente é, sim, uma diferente experiência. Parece frase de doido e até é, mas nem tanto. Pretencioso, penso até ser possível que professoras de Português e redação como a Rose Prado e de Filosofia como a Maria Elisa Guimarães encontrem nestas e noutras tão minhas afirmações, algum tipo de coerência. Ou talvez não e acabem mesmo por me passar um atestado de insanidade literária (Insanidade intrínseca é também diagnosticável).

Mas enfim, a experiência diferente a que me quero referir acabou sendo muito mais diferente do que eu estava imaginando, se comparada a experiência diferente com certa similaridade vivida há já uns seis anos em longínquas longitudes: Resolvemos – mais especificamente em nome da verdade, a Nina resolveu – que gastássemos um dia de Natal sentados no “Coach Class” de um mighty A 380, cruzando de Singapura para Sidney. O voo, o atendimento irrepreensível de Air Stewardesses que eram modelos desfilando ao longo dos corredores, a magnifica refeição em bandejas decoradas com motivos da quadra, vinhos escolhidos. Priceless, inesquecível!

Eis-nos desta feita gastando o derradeiro dia de um ano e a entrada no primeiro dia do novo ano, cavalgando um acanhado (cortei as unhas dos pés como medida preventiva) CRJ700 superlotado, de Dallas-Fort Worth para Houston. Seguiu-se o loooongo voo até GIG prensados na ultima fila de incómodas “poltronas” (não sei o porquê dos brasileiros insistirem em chamar aquilo de poltronas), de um moderníssimo, novíssimo, ultra tecnológico B 787 a que chamam de “Dream Liner”. Eu passei a chamar-lhe de “Nightmare Liner”. O avião dos sonhos, definitivamente, só o é para os abastados que têm bala na agulha para adquirir passagem em Primeira Executiva.

Quanto ao atendimento, à refeição especialmente ruim para o evento, que incluiu, sem cobrança, um triste copo de plástico de um vinho mugido de dentro de um pacote  semelhante ao dos sucos, falta de referência à entrada do Novo Ano, serviram para reforçarmos a nossa há muito formada opinião de que as Empresas Aéreas Norte Americanas merecem um troféu. Abstenho-me de dizer que troféu eu lhes atribuiria.

 

 

Pot-de-Vin…

commission-argent-pot-de-vin[1]

…bribery, kick Back, Bestikke, Bestechen, comissão… são exemplos em vários idiomas, de palavras que definem o mesmo: Corrupção. Porque corrupção é universal e endêmica, não importa em que coordenadas geograficas estejamos localizados.

Corria o ano de milnovecentosesetenta em morenas praias africanas e eu garantia o leite da minha recem-nascida com o meu trabalho na industria naval, particularmente na atividade de reparação naval. Este preâmbulo é a repetição de outros escritos meus, mas o mote é, desta vez, a comissãozinha tão real e tão camuflada por baixo do pano.

Completada a docagem e extensa lista de trabalhos num “Shuttle Tanker” dinamarquês, realizamos a reunião final com o representante do armador para a costumaz discussão tecnico-comercial e aceitação integral dos serviços realizados, condição para que os valores da fatura sejam pagos. É no decorrer dessas reuniões que, de ordinário e independentemente da bandeira e nacionalidade, podem surgir de forma mais ou menos clara, sugestões de uma comissãozinha para adoçar as amarguras da vida, em troca de retorno com mais trabalho.

Desta vez, porém, não haveria que nos preocuparmos com esse detalhe porque o “Owner Rep”, Marine Supervisor, era um dos dois sócios da empresa armadora. Acertados todos os pontos dos serviços prestados, o cliente, co-proprietário da embarcação, surpreendeu-nos com a definição da percentagem que pretendia receber de comissão sobre o total da conta!

O problema do Brasil é que, aparentemente, ninguém quer receber apenas um “Pot-de-Vin”, exigindo logo a vinicola inteira…

Tortura

Era para ser apenas um post no Face Book mas, no caminho inverso do que é habitual, acabou em mukanda…

A sessão de tortura finalmente terminou. Mas a unha do dedão, extremamente traumatizada, fez da minha caminhada de volta para casa uma tortura ainda pior que a sofrida na cadeira da profissional. Unha encravada acaba encravada no corpo todo, não só no dedão do pé.

Mesmo assim, fui ao encontro da Nina para o primeiro dos rituais de compras de Natal – coisa para mim absolutamente insuportável.
Ainda arrumei coragem para entrar numa loja enorme da Casa & Video, de onde saí de mãos vazias e certezas cheias de que aquele lugar está abarrotado de tudo o que não preciso. Aliás, o Centro Comercial inteiro é incapaz de despertar-me algum tipo de desejo de consumo, com exceção da vontade de adquirir uma TV dessas de 4 kilos de não-sei-o-quê de resolução que pudesse servir-me também como monitor para as minhas fotos. Como ainda ninguém me garantiu que o tal equipamento pode mesmo dar-me o que pretendo, vou considerando que também não preciso disso, nem mesmo como presente de Natal.

Que nem tudo o que reluz é ouro

Que nem todo o cornudo é touro

e que o hábito faz, sim, o monge.

Também, que as aparências iludem,

além de que  iludências aparudem

quando depressa se tenta ir ao longe…

 

Também aprendi…

 

Que hora a hora Deus não melhora

a espécie humana que só piora

e que não há males que vêm por bem

Que palavras são pelo vento rasgadas,

Que moinhos moem com aguas passadas

E que a razão sempre é de quem o poder tem

É desumana a tensão que hoje enfrentam diariamente as pessoas que ainda conservam um emprego de onde tiram a sobrevivência para si e para os seus. A volatilidade dos postos de trabalho é cada vez mais aflitiva e atinge também em cheio aqueles que acumulam muitos anos de experiência e por isso auferem um melhor salário. A Experiência perdeu a importância que tradicionalmente lhe era atribuída. A palavra de ordem atual entre os gestores de crise é trocar por alguém com metade do salário, caso o cargo em questão não possa ser extinto. O estado de coisas fez-me recordar afirmações que escrevi em outras ocasiões. Postei no Face Book uma delas:

 

“…Eterno aprendiz eu sou e a estrada que já percorri não me qualifica a achar-me proficiente em todas as matérias da ciência do existir. Não raramente a tal ‘Experiência de Vida’ poderia ser comparada à luz de esteira (Luz ou farol de Popa) de um navio em plena navegação. Quando se enxerga a tal luz, o navio já passou. Jamais dou conselhos. Os pontos de vista contidos nesses conselhos dificilmente se coadunariam com a realidade e filosofia dos dias presentes.”

 

Coincidentemente, li algures na mídia um destaque sobre o lançamento de um livro da autoria de José Bonifácio Sobrinho, “Boni”, bem conhecido expoente máximo da Televisão Brasileira cujo talento e capacidade ajudaram inquestionavelmente a erguer em tempos passados a toda poderosa Rede Globo de Televisão. O que de fato me chamou a atenção, uma vez que não pretendo adquirir e ler o volume, foram as ácidas criticas que ele fez em entrevista, ao modelo mais “light”, bem menos formal de ancorar noticiários, onde os âncoras levantam, conversam com correspondentes junto a enormes telas, improvisam e trocam figurinhas ao vivo com as moças do tempo. Em particular, criticou com aspereza o familiar tratamento dispensado a Maria Julia Coutinho pelo apelido de “Majú”, como, aliás, é agora nacionalmente conhecida.

 

Dir-se-ia que Boni preferiria que nada houvesse mudado e que os procedimentos por ele elaborados e emitidos nos seus áureos tempos continuassem a ser fiel e rigidamente seguidos, enquanto que eu prefiro não interferir no curso da modernidade e da mudança de sistemas. Por isso, reafirmo que, não raramente, a experiência adquirida contém vivência do passado que não deve ser posta em prática nos tempos presentes e, portanto, deve ser banida de “aconselhamentos” em nome dessa experiência.

 

 

Naghmeh

naghmeh

It’s too much of a mystery

her tears bring to light!

Her eyes, so soft, so watery…

just made me freeze in delight

for such a poem of photo mastery

*

A Lovely Persian Grace

a sad look up on her face

as perfect as a face can be

God’s chiseled are her lips,

finely molded by finger tips…

Ultimate perfection, to me!

**

Poem by Nelsinho

Photo by Newsha Tavakolian  @ http://www.newshatavakolian.com/