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Lusitano coração

…LEVANTAI HOJE, DE NOVO, O ESPLENDOR…

Viver para viver

Dentre as coisas que afligem o meu dia-a-dia, destaco que nunca me sinto completamente feliz e realizado. Não importa onde geograficamente me encontre, sempre acho que seria em outro lugar onde eu realmente deveria estar. Chego ao absurdo de temer que, inconscientemente, eu esteja almejando o repouso final. Mas isso aí não faz sentido nenhum, porque colide com a minha enraizada convicção de ser realmente um Ser imortal. Esta manhã mesmo eu acordei convicto disso, apesar de ainda sentir dores daquela pancada nas costelas. Tem também o desejo de imitar a tia Miquinhas, campeã familiar de longevidade com 104 anos completados…

Notas tristes

Imbecilidade nunca dantes imaginada e em extraordinária expansão, deixa antever trágicos e sangrentos desfechos. Futuro não faz sentido, porque parece estar em risco de desaparecimento, aquele tipo de gente jovem com sólida formação e capacidade, fora da estupidificação “wokista”. É um retrocesso que, gelemos de terror, parece programado por poderosas, podres e totalitárias eminências…

Mas eu queria mesmo era falar sobre gente de valor e trabalho, do quilate de Manuel Rey Cordeiro, AKA “comandante Coco”, que há uns dias perdeu a vida numa infeliz manobra na apresentação dos “YAKSTARS” em Beja. Eu conheci, admirei e fotografei essa esquadrilha de velhos aviões soviéticos da segunda guerra em outubro de 2021, durante um summit de aeronáutica em Ponte de Sor. Gente de garra, movida a paixão pelo que fazem, com verdadeira alma de artistas, no seu arriscadíssimo circo aéreo. O comandante Coco era espanhol, gallego de fibra e piloto de linha aérea na empresa Vueling. RIP

Junino

Junho está já no segundo dia e eu pracádemarraqueche. Tomei alguns dedais de vinho tinto para ajudar nos kilos digestivos, sem qualquer tipo de abusos gastronômicos ou etílicos. A atividade tem sido muito abaixo do que seria de esperar, com visitas esporádicas à minha irmã e família. Nada do mergulho na fotografia que eu me prometia, nada de viver com intensidade, a vida que supostamente me resta. Há queridos familiares no pedaço, diretamente chegados dos States, surpreendentemente fluentes num português temperado com suave gringo sotaque. Essa fluência no vernáculo luso-brasileiro falado e escrito, eles devem à mamãe, mestre em português e Literatura por universidades fluminenses em tempos áureos!…

Paixão

O tanto que já vivi,

Não voltarei a viver;

O tanto que já sofri,

Poderei, sim, voltar a sofrer…

***

Perguntaram-me certo dia

Se eu sabia o que é paixão;

Eu disse que sim, que sabia,

que muito bem a conhecia,

o meu cansado coração…

Turbulência

Continuo gostando de tudo o que voa, com ou sem asas. O que mudou, é que já não suporto, com o mesmo fair-play, ficar enlatado por longas horas, sofrendo os efeitos da minha já prejudicada circulação sanguínea nas pernas. Eu preciso levantar-me a cada hora, para “dissipar os formigueiros”. Como apaixonado pelas coisas aeronáuticas, segui com todo o interesse a lenha caótica a bordo do 777 da Singapore Airlines, provocada por inesperada e fortíssima turbulência de alto nível a mais de 35000 pés em dia claro. Bastante gente ferida, um óbito e uma escala de emergência. As notícias de que o avião “mergulhou” 6000 pés “pela força da turbulência” são mesmo ridículas. Tão ridículas quanto atribuí-las às “mudanças climáticas”. A verdade absoluta é que havia grande número de passageiros “dissipando os formigueiros” fora dos seus assentos, à mercê das forças a que todos são submetidos, se de repente se encontra o caminho esburacado. Quanto ao mergulho, conforme se pode ver no perfil do Flightradar, tratou-se de uma descida rápida controlada e autorizada, para trazer o avião para nível respirável sem auxílio de oxigênio. O risco, acreditemos, existe, toda a vez que soltarmos a fivela do cinto…

Intermezzo

Na TV, embrenhei-me de novo num dos jurássicos episódios de pré-históricos seriados, que me tirou a atenção de mais atuais e tristes acontecimentos que tanto machucam meu coração. Desta vez deliciei-me com uma das mais interessantes ações de Vera Stanhope, Chief Inspector Detective, até que repentinamente, a porcaria do sistema falhou e pronto, lá fui eu de volta para a música do Youtube. Acontece que o acaso me serviu a que eu elegi como a mais extraordinária e retumbante performance da por mim tão amada e admirada área da Raínha da noite da ópera Flauta mágica, na fantástica voz e interpretação cênica de Diana Damrau!…

Amar

Os anos vão decorrendo,

a paixão terá amainado;

Mas o carinho vai crescendo,

ao amor sempre amarrado…

Perguntaram-me num belo dia

Se eu sabia o que era amar

Eu disse que sim, que sabia,

ainda que do meu jeito peculiar…

Utopias

Por mais chocado que me sinta com o sofrimento, perdas e mortes com o apavorante período de violência dos elementos da Natureza em várias regiões do planeta, sigo cético e negacionista irredutível, no que concerne a considerar que os acontecimentos meteorológicos extremos cessariam, caso a humanidade descartasse totalmente a tecnologia e retornasse às cavernas…

Diabólicos tempos

Escutar ou ler do dia a dia, é uma pavorosa experiência de assustadora realidade da qual tento, debalde, livrar-me. Por isso, para além das leituras mais amenas e da música, dei em ligar a TV e optar pela relativa violência servida nos velhos seriados policiais, há vários anos repetidos ad nauseam. Pelo menos eu sei que aquilo que ouço e vejo, conquanto sugerindo violência, são dramatizações urdidas na forma de entretenimento. Nos meus oitenta anos, sinto-me cansado e desejoso de alhear-me de tudo, já que todas as desgraças, guerras e disseminação de diabólicos poderes e revoltante inversão de valores acontecidos no decorrer da primeira metade do século XX, estão de novo presentes e em dobro, um século decorrido…