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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Castelos

crawdy

Fernandinha Torres absorve-me por inteiro no redemoinho irresistível dos seus textos! As crônicas em “Sete Anos” são de leitura divertida, muito difícil parar. Estou a meio e, sintomaticamente, ainda não deixei cair o Kindle no rosto numa cochilada. Meu fragilíssimo par de óculos tem-se revelado surpreendentemente resistente à leitura de Joyce!…

Construir castelos no ar enquanto caminho a passo largo e esforçado ao longo do magnifico calçadão da Praia dos Cavaleiros na combalida “Capital dos Petróleos” – Priceless! Os tons de azul estão mais azuis, do lado do nascente. Os meus castelos obstruem o livre voo dos intrépidos windsurfistas, que não estão nem aí: Os meus castelos são só meus…gasosos.

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Ausente de mim por tão longo tempo, começo a sentir uma ponta de saudade e a vontade de voltar é já inegável. Sento-me diante do teclado e ensaio uma tímida aproximação. Sou, uma vez mais, um “tender foot” arriscando algumas passadas por terreno pouco firme. Há que ser afoito para retomar a área, mas com cautela para evitar incidentes.

O período tem sido fértil em infertilidade. Dei tiros no próprio pé, esqueci datas que não é possível serem esquecidas por um humano com um mínimo de massa cinzenta. Agora, tento esquecer o que esqueci e voltar, se possível, a agir um pouco mais dentro do que é habitual chamar-se de “normalidade”, seja lá o que isso realmente signifique.

O fulano que me aluga o Green House mandou-me uma mensagem enrolada numa pedra. Ele diz que o contrato termina no dia dez de dezembro, que eu tenho de assinar outro contrato e que o novo valor de mercado é de um monte de estalecas que eu não quero pagar. Não sei o que fazer. Ou melhor, eu sei que devo arrumar um esconderijo menos quente e menos caro. O problema é onde eu encontro disso na capital do petróleo. Qualquer unidade em prediozinho de construção vagabunda, com atraso técnico de 50 anos, completamente despida do mais que básico, é alugada pelo preço cobrado em Singapura por um confortabilíssimo, bem mobilado e apetrechado apê em condomínio ultra moderno. Dá vontade de desistir e desertar…

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Incorrigivel…Sou mesmo incorrigível.

Acho que a corrigir-me nunca aprendi!

Não que a memória esteja mais falível

porque a idade dos setenta eu atingi.

Encolho-me e ruborizo ao recordar…

a tua voz no telefone ao fim do dia!

Onde me esconder eu não sabia

por de tão grata data eu me alhear!

Gostaria de no tempo retornar,

alarmes no cérebro implantar,

para não viver tal papelão.

Com tamanho esquecimento,

Desqualifiquei meu sentimento

E arranhei teu coração…

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Joyce no meu Kindle, porque não? Estou, é vero, velho e sem paciência para Joyce, mas eu quero insistir, porque acabei de apresentar-me a João Ubaldo, meio envergonhadito por não haver nunca sequer desfolhado um livro seu. Sim, conhecia João Ubaldo de textos aqui e ali, admirava, gostava, mas nada mais que isso, até entrar e caminhar pelas alamedas do delírio na Casa dos Budas Ditosos. Digo que o gajo escrevia muito, muito, muito e digo também que ninguém, nem mesmo D.H. Lawrence teria capacidade de produzir um texto e emprenhá-lo com uma descomunal barrigada de erotismo explicito, sem sequer arranhar um purismo literário que chega a ser orgásmico! Fodástico!

Mas que diabo tem Joyce a ver com Ubaldo? Nada? Tudo? Eu sei lá… Vou fazer um intermezzo lendo Joyce, pronto! Se perguntarem porquê, eu vou responder como em criança “Porque shiim”! Talvez seja porque estou meio sem rumo pela falta de tempo para escrever e ache que meter a cara nos escritos de Joyce na sua própria língua, poderá de alguma forma ajudar.

A ver vamos…

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Retorno

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Ainda nas férias em Pt, o meu amigo Capitão Valdemar Aveiro revelou-me um texto que poderá ser incluído no seu novo livro como introdução. Achei a peça irretocável e um manifesto de ideias e ideais que, nada surpreendentemente, são perfeitamente coincidentes com as minhas próprias ideias e ideais. Gostei, mas disse-lhe que preferiria que ele se proclamasse “Imortal” ao invés de ressaltar o quão próximo poderá estar do “Fim”! Desprezando as minhas repetidas incursões pelos temas envolvendo a “Finitude”, escrevi-lhe sobre a experiência do meu “brincar de imortal” com uma eloquência, que eu próprio dei em acreditar!…

O meu humor, reconheço, se dele for feito um gráfico, resultará em relevos mais acidentados que os de uma cordilheira. Mas, tirando os momentos de extrema introversão, a verdade é que não sou tudo isso que meus textos transparecem de pessimismo e ausência de alegria. Se acaso sou mesmo tudo isso, a minha mais-que-tudo será canonizada!… A realidade é que dessas introversões quase sempre sai um texto impregnado de revoltada decepção e amargura. Contra quem e o quê? Geralmente contra o “Eu” com quem alterco o tempo inteiro e a quem acuso de todas as minhas frustrações  ao longo da vida.

Voltei às leituras e comecei por repassar a segunda metade de “A Paixão segundo GH”. Quando se trata de Clarice, reconheço que posso ser muito lento, muito lento, muito lento. Desta vez, degustei e cuspi matéria junto com ela antes de virar a agulha e seguir por outros trilhos. E os novos trilhos, são outra vez as frias realidades e peripécias dos heróis dos bancos da Terra Nova contadas por Valdemar Aveiro, ele próprio um desses heróis do gelo, no seu primeiro volume sobre o tema.

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Twilight

sunset

Eis-me só, de volta ao apê envidraçado que o Sol da tarde esquentou. Abri as portas das varandas e as janelas buscando a brisa que não há, buscando alegrar-me com o que há, bebendo do esplêndido visual da praia. O estado de espírito não anda lá dessas coisas e acabei por sentir-me um estranho neste estranho planeta. O poderoso Sol, sangrento e morrente, tingia de vermelho a terra e as almas.

Declarar-me em estado de letargia, desprovido de qualquer réstea de vontade própria dando plena razão a quem por mim se preocupa: Declaração do óbvio. Desinteresse, é o nome da cousa. Desinteresse paralisante, estupidificante por tudo. Sobretudo por mim próprio. Parei de ler, parei de escrever, não gosto das fotos que faço e sinto náuseas quando releio meus textos. Não sei dizer se é grave, mas procuro convencer-me de que tem cura, ao tempo em que tento agarrar-me ao que poderá restar-me de razão, sensibilidade e amor próprio, virtudes que sei haver em tempos possuído em razoáveis porções. Agora, o Sol foi embora, a noite está suave e tépida. “A cura de todos os meus males”, penso, sonhador, em voz alta, “Pode estar na poesia”!…

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Declamar…

Ah… Se uma firme voz eu possuísse, eu diria!…

Diria, sim, declamados versos, rimados, sentidos,

das profundezas da minha alma trazidos e vertidos

em rosários de palavras encadeadas à porfia!

Ah…não fora das insonoras cordas  a rouquidão

e a  insegurança do meu respirar, do meu falar…

Eu daria, sim, de viva voz, voz ao meu coração,

pro meu coração suas eloquências expressar…

e cantar as grandezas de que a vida é plena,

se, como disse Pessoa, a alma não é pequena

e essas grandezas são as grandezas de amar.

Afinal, é no amar que a alma se agiganta,

quando o nosso ego exulta em alegria tanta

que as agruras desta vida logra mitigar!

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Voo à vela

Ainda agora eu pairava sobre mim proprio em voo suave e silencioso, sustentado por correntes ascendentes geradas pela força do meu imaginário. Eu me observava lá do alto, alto, altivo e dominador de mim. Mas esse domínio sobre mim era fictício. Porque sempre foram fictícias as minhas vitórias sobre o meu próprio Eu. O meu vencido nunca está vencido de fato e o contra ataque é sempre de difícil resistência. A minha vitória é, pois, uma fraude. Fraude grosseira, porque ilusória e insustentável. Afinal, os dois contendores estão ao mesmo tempo fundidos e cindidos…

 

…feito um condor que paira incerto

julgo-me vitorioso sobre a presa:

meu próprio Eu que acoberto…

Porém, pesadão, sem ligeireza

abandono-me em campo aberto

e viro de mim a própria presa…

 

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O coração que porto pode ser complacente, generoso, até exultante nas coisas da amizade e do amor. No entanto, é mesmo um problemático coração, este que vou penosamente carregando comigo e que altera e descompassa suas batidas incontáveis vezes ao longo dos dias, hora com paixão, hora com compaixão. Carrego-o compulsoriamente, por ser ele afinal quem de fato me carrega pela vida. Desconheço se existem corações “comandáveis”. O meu, definitivamente, não o é de nenhuma forma. Corações são órgãos singulares, voluntariosos, com tendência a usarem a ameaça como forma de pressão. O que eu tenho e chamo de “meu”, certamente que meu não é. Eu é que sou dele, feito escravo de um senhor, senhor da vida ou da morte que sabe, com crueldade, levar terror à minha alma. E riu debochado, nas ocasiões em que, atemorizado, balbuciei palavras-tábua-de-sobrevivência tais como “isto não está acontecendo” ou “isto não é nada” ou ainda “Ah esquece! dorzinha à toa…”, para em seguida gargalhar escandalosamente quando, em que pesasse toda a minha tão acreditada descrença, me submeti finalmente para exclamar  “Ai meu Deus…!”

Se eu fosse Caetano, diria sem delongas que “Coração é Foda”!…

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A festinha

…Então, ele distribuía sorrisos de improviso que, imaginava, apareceriam a alguém mais atento, como idióticos protótipos de sorrisos sorridos com verdade. Enquanto circulava entre convivas barulhentos e mais ou menos etilizados, inclinava levemente cabeça e corpo tão repetidamente que, dir-se-ia, parecia um judeu orando no muro. Depois, quedava-se sentado, sorridentemente rendido, observando, observando…E tudo observava sem nada entender, porque nada queria entender mesmo e porque também ele tinha a noção de que era vantajoso que, possuindo uma inteligência, a colocasse em “Idle” sem ocupá-la a tentar entender bulhufas do que estava ocorrendo em seu torno. Queria, sim, que essa inteligência que possuia fosse sempre capaz de fazê-lo entender-se a si próprio sem importar em que circunstâncias. Pelo menos que sempre lhe desse a pista certa para achar-se em si, consciente de ter uma consciência de ampla dimensão em todas as dimensões. Estava, é claro, desfolhando pensamentos no local errado! Encontrava-se numa festa privada, e a “música”, em volume absurdamente alto, abafava qualquer pensamento gritado, quanto mais pensado! Ocorreu-lhe que deveria integrar-se, encher a cara e entrar na roda sacudindo o esqueleto em sincronia com as sacudidas das frenéticas bundas ao ritmo do funk. Sentiu-se rir, enfim, com verdade, imaginando-se no inimaginável. Inimaginável, mas não impossivel, admitiu de si para si com pouca segurança. O riso franco e autêntico rendeu frutos tão inesperados quanto imediatos. A mulher magra dona de espantosa e improvável ginga nas magras cadeiras exibida no fragor do funk, acercou-se em ataque direto. Fez perguntas, assegurou-se de que ele não usava aliança e foi aos finalmentes pedindo troca de telefones. Surpreendido, ele ficou sem ideia de onde meter as mãos e os pés, enquanto procurava uma saída. E a saída salvadora veio da própria funkeira de ágeis cadeiras magras: “Mmm..então, cê está sozinho mas é casado, não é? Perguntou. “Sim, sou!” gemeu. Alguém chamou e as magras cadeiras navegaram no recinto, afastando-se sem retorno…

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