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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

 

Enlatado num alado tunel de metal por dez enfadonhas horas comprimido numa cadeira “econômica” extremamente desconfortável a que por aqui se convencionou atribuir a pomposa classificação de “Poltrona”, carrego comigo as mazelas naturais relativas à minha idade e tenho grande dificuldade para dormir em voo. Desfilam então pela minha pensatrix, torrentes de questionamentos e conjecturas. O que será “elite branca”? Soa-me como uma designação racista inventada por políticos racistas e mal intencionados para explicar manifestações desfavoráveis, com ou sem xingamentos. Mas, analisando ao perto, a tal elite branca é afinal uma classe bastante multiracial e heterogênia da sociedade que se preparou, que empreende, que trabalha muito duro, que alimenta a garganta escancarada e debochante de uma máquina fantástica e nunca vista de compra de votos mediante distribuição de bolsa-parasita a uma massa que não se preparou, que não tem emprego nem tem nenhuma intenção de procurá-lo, ameaçando paralisar um país de potencialidades ímpares no planeta, mas de infeliz, paupérrima, retrógada e auto destrutiva mentalidade politico-administrativa…

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Voo a minha sonolência a trinta e sete mil pés de altitude e o meu espírito ergue-se para os que pereceram hoje numa máquina semelhante à que agora me transporta pelos ares, rasgada no céu em tiras cadentes, candentes, tenebrosas, escabrosas. Malditos sejam todos os politicos e militaristas do mundo, porque deles é o reino dos infernos. Preciso dormir, mas quero convencer-me de que não. não preciso e prefiro pensar, mas só consigo pensar que a pensar morreu um burro com albarda e tudo…De repente sinto dó de mim sem saber se tal é porque mereço esse dó que sinto, ou se sinto muito por sentir esse dó. Sou, afinal, um ser caótico com tendência à auto flagelação, concluo! No entanto…

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Aniversário

 

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Quinquagésimo primeiro aniversário!

Parece ter sido há apenas um mês!…

É como um conto extraordinário

no qual só contasse o imaginário

e onde o tempo não tivesse vez…

Ah Nina! Que poderei eu falar?

Melhor ficar calado, então,

e  na eloquência do meu silenciar,

com mais felicidade recordar

o dia em que ganhei teu coração!

 

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Opinião

Dito o abaixo dito, eu, em que possa pesar ser um septuagenário de crescentes reações alérgicas a todos os políticos de todas as tendências, cartilhas e posição geográfica, transferi este terceiro parágrafo para o início para afirmar com mais destaque que sou contra e lamento tal nível de insulto feito à senhora Rousseff em praça pública global, porque, no meu entender, desrespeitando sua posição de presidente, magistrado máximo da nação, desrespeita-se gravemente o cidadão a si próprio.

Sou de um tempo em que o culto à personalidade dos governantes e a decorrente postura respeitosa em relação aos senhores que dirigiam os destinos da pátria eram coisa muito séria nos ensinamentos recebidos nas escolas encarregadas da nossa educação. O tempo era de regime instalado por processo indireto, fechado, aferrolhado, mutretado em partido único, de legitimidade autocrática.

Os tempos mudaram, os regimes que se foram instalando assim o foram por processo direto, fechado, aferrolhado e mutretado em coligações de partidos vários no sentido de monopolizar o poder decisório, ou seja, mutretado em partidos únicos e plenipotenciários de legitimidade cleptocrática que, temos visto, procuram (pelo menos tentam) eternizar-se no poder distribuindo o melhor do bolo fiscal em hipergenerosidades de rótulo dito socialista, moeda de troca pela garantia do tão almejado voto…

Continuado no primeiro parágrafo…

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A Cave

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A busca pela difícil sobrevivência levou minha família para outras latitudes. Eu fiquei para trás com dez anos, entregue aos cuidados do senhor Bonvoisin e, especialmente, aos maus tratos da sua truculenta esposa. Não é, todavia meu intento fazer, nos limites deste pequeno texto, um relato dos maus bocados que tal megera me proporcionou.

Fui, num magnífico dia de quase verão, instruído a descer à cave da casa e organizar em pequenos caixotes, todas as revistas que ali se encontravam amontoadas. E garanto que eram muitas as revistas da guerra, terminada havia apenas dez anos, espalhadas em confusão pelo chão de terra e principalmente sobre as garrafeiras abarrotadas de vinhos finos. Fui arrumando as revistas nos caixotes, mas parava a cada passo para ver as fotos dos aviões de combate, dos porta-aviões e cruzadores de batalha, engalfinhados em confrontos mortais. Fazia-se então um silêncio sepulcral na sombria cave, apenas quebrado pelo virar das páginas. De súbito, um ruido que identifiquei como sendo uma garrafa que se partiu nos nichos da garrafeira! Fiquei alerta e todo arrepiado, já com vontade de sair dali. Acelerei para terminar o trabalho, mas não tardou e outra garrafa se quebrou em algum outro ponto! Dei por mim no pátio, perplexo e extremamente assustado!

A organização das revistas tinha por objetivo abrir espaço para ser feita uma “mexida” na posição das garrafas, rodando-as de acordo com os preceitos do dono da casa, considerado e reconhecido apreciador e conhecedor de vinhos. O medo de ser acusado pela quebra das botelhas contendo a preciosa bebida passou a ser fonte de extremo desassossego para mim.

Finalmente, chegou o fim de semana em que o senhor Bonvoisin e um outro cavalheiro também aficionado enólogo, desceram à cave e levaram boa parte do dia de sábado para concluir a tarefa a que se propuseram. Quando terminaram, abriram e degustaram de forma solene, uma garrafa da reserva mais antiga. Nenhuma garrafa havia sido  encontrada partida!…

Qualquer semelhança, etc….pode ou não ser coincidência

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Canção

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…e se resulto amuado

feito menino mimado

carente da sua atenção…

porque me sinto tão só

que de mim chego a ter dó

carente da sua afeição…

 

…valho-me  do celular

pra ligar e lhe dizer

que à noite a bem dizer

não dormi nela a pensar…

e que m’abala a saudade,

que sem ela sou só dor

porque a bem da verdade

é muita a minha ansiedade

de ter sempre o seu amor…

 

quando afinal eu desligo

feliz me sinto e bendigo

a carência desta paixão…

é que aqui mesmo sozinho

eu me recolho e me aninho

bem dentro do seu coração!…

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Exposição

 

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“Ahhh! Buika, Concha Buika visceral e invasiva de almas, das minhas almas todas que soluçam em unísono porque de tão permeáveis são facilmente penetráveis. Penetradas – “Jodidas pero contentas”, como canta Concha!. Porque sou eu tão chorão? Um dia escrevi que o meu coração é um fardo mal ajeitado, mole e difícil de transportar. Haverá cura? Repito-me e repito-me ad nauseam…”

*******

Foi real a minha patética choradeira durante uma incursão por diversos concertos de Concha Buika no Youtube, agora que nele circulo com muitíssima mais qualidade através do “AppleTV” que a Nina me trouxe de presente dos Estados Unidos. Fiquei deveras tocado, porque Concha está bem além de uma excelente cantora do mais castiço flamenco e também de admirável jazzwoman. Concha é uma “performer” de extraordinária presença de palco. Fiquei, literalmente, sem fôlego e sem reservas líquidas para voltar a verter lágrimas…

Fui então para o Face Book e, ainda de alma inflamada, lá publiquei as linhas acima grifadas, expondo-me mais do que deveria. O resultado do excessivamente rasgado escrito meu, foi envergonhar-me ao relê-lo. E uma vez mais, vejo-me completamente inadequado para o tal de FB. Exposição extravagante da minha alma? Só aqui, no meu próprio templo.

 

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Caminhei calmamente pelo convés principal em direção à superestrutura retorcida e enegrecida pelo fogo. Parei e sentei sobre um dos cabeços de amarração e abri a pasta contendo questionários técnicos que teria de preencher, relativos a todos os equipamentos existentes nos compartimentos de máquinas. Eram muitos e eu pensei no longo e solitário trabalho que me esperava. Ainda sem muita convicção, subi os degraus de acesso ao castelo de popa, onde encontrei a caixa de ligação dos “arraiais” de luzes instaladas para iluminar precariamente a praça de máquinas e adjacências. Acionei o disjuntor e entrei pelos corredores queimados e deformados do alojamento, até encontrar uma das portas de acesso às máquinas.

Liguei a potente lanterna de mão, enquanto penetrava no recinto e experimentava a solidez do piso e varandas de aço, apesar de tudo haver sido vistoriado pelas equipes de segurança e de muitos reforços e estrados haverem sido adicionados. Iniciei a descida para os sombrios pisos inferiores da praça de máquinas, esforçando-me por fazer muito barulho, como se, com tal proceder, pudesse tranquilizar o meu espírito. Em alguns pontos, a falta de iluminação era um sério obstáculo, porque a luz da lanterna, de feixe dirigido, mantinha as sombras no em torno, confundindo-me na escolha do melhor itinerário de descida. Atingi finalmente a parte superior do motor principal e dirigi o foco para o tanque diário de combustível; Fora dali que descera a cachoeira de fogo e logo o inferno se espalhara rapidamente por todos os cantos, num cerco letal para as dezesseis pobres almas ali incineradas vivas…

Desci os degraus para o ultimo piso e esgueirei-me com dificuldade por entre os calcinados equipamentos, estruturas, tubulação e cabos elétricos. Definitivamente, a iluminação instalada estava muito longe de permitir um trabalho sério e seguro, sobretudo por uma pessoa só. Nos dias de hoje, com as exigências de segurança ditadas pelos modernos regulamentos SMS, seria inimaginável a decisão de um trabalho de levantamento de tal envergadura dentro de um navio devastado por um violento incêndio, ser levado a efeito por um só homem, sem qualquer acompanhamento ou apoio.

Decidi-me por iniciar a minha tarefa dentro da sala das puríficas, primeiro porque era um dos recintos mais bem iluminados, e em segundo porque os equipamentos ali instalados estavam praticamente incólumes. O fogo não penetrou ali, porque decorria uma inspeção de centrifugadores com a presença de três engenheiros, sendo um do armador, outro do estaleiro, finalmente o terceiro, um surveyor do LLoyd’s Register. A localização da porta do compartimento das puríficas impediu completamente a fuga do grupo, pois foi exatamente por ali, que o diesel em chamas fluiu. Cerraram, pois, a porta de aço, na esperança de que se tratasse de simples princípio de incêndio que logo seria debelado. Os três homens pereceram à míngua de oxigênio e seus corpos foram literalmente assados pela altíssima temperatura, que se podia imaginar observando, nos quadros elétricos, as botoeiras de comando e outros componentes de plástico e nylon derretidos sem que o fogo lhes tivesse chegado! Por um bom tempo, não consegui impedir-me de meditar sobre o sofrimento atroz daqueles infelizes nos momentos que antecederam a perda da consciência.

Finalmente, com um profundo suspiro, abri a pasta e dela retirei os questionários relativos aos sistemas de centrifugação de diesel, óleo pesado e lubrificantes, metendo definitivamente a cara no serviço. Passaram-se duas horas desde que desci à posição em que estava e o trabalho fluía com progresso aceitável. Por essa altura, meu espírito estava totalmente envolvido pela atividade, o sombrio local não mais me afetava e o destino trágico dos que ali pereceram nem de leve me tocava. Entretanto, alguém foi enviado para me dar suporte e ajuda, a julgar pelos passos que escutei nos “walkways” superiores do espaço de máquinas.

De joelhos ou estirado nos estrados, examinava em detalhe o estado em que se encontravam os componentes dos equipamentos e depois sentava e tomava notas para os relatórios que ajudariam a decidir o que iria ser recuperado e o que tomaria simplesmente o caminho da sucata. Longos minutos se escoaram e a ajuda que achei estar a caminho não havia meio de chegar! Pousei a prancheta e atravessei a porta. Posicionei-me junto do Motor Principal e olhei para cima, tentando divisar alguma lanterna que me permitisse localizar quem estava descendo, que poderia muito bem estar confuso para achar os caminhos e escadas. “Oi!”, Berrei; “Quem está aí em cima? Sabe como descer? Precisa de ajuda?”. Nenhuma resposta. Ruídos, só mesmo as leves batidas do casco contra os postes de acostamento e amarração tipo duque d’alba.

Voltei ao trabalho com um encolher de ombros, mas alguma coisa havia mudado em mim. A minha atenção e concentração na tarefa não era mais a mesma e sentia uma horrível sensação de desconforto que me impedia de prosseguir. Peguei a prancheta e a lapiseira, para voltar imediatamente a pousá-las e a atravessar a porta, porque os passos voltaram a fazer-se ouvir, acompanhados de rangidos próprios de alguém que caminha sobre estrados de aço mal suportados! “Quem está aí em cima?”, bradei. Esperei alguns minutos, voltei às puríficas e, antes que pensasse de novo no serviço, prestei atenção aos passos que desta vez se ouviam pelos corredores do alojamento. Eram espaçados, iam e vinham como se alguém estivesse procurando uma saída.

Sem fôlego, com o coração saindo pela boca, canela da perna direita esfolada, um ferimento na mão esquerda e todo sujo de foligem e óleo, foi como me encontrei a mim próprio no convés principal, após a tão alucinada e desesperada procura pela luz do dia. Entrei, sim, em pânico a tal ponto que não logro sequer lembrar de nenhum detalhe da minha frenética subida através das agora aterradoras sombras do calcinado navio.

Quando recuperei o sangue frio, fui até à borda e desci pela escada improvisada, unica forma de embarcar e desembarcar, já que o navio estava sem escadas de portaló para acesso. O guarda, postado nas imediações e encarregado de controlar quem subia, confirmou que ninguém embarcou ou desembarcou durante o tempo em que eu estive a bordo…

 

Qualquer semelhança com fatos acontecidos, não é mera coincidência.

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Clarice

Resenhar Clarice?!… Suponho que não poucos o haverão feito de todos os seus livros. Não disponho de dados bibliográficos dessas resenhas e, confesso, tampouco as procurei ou procurarei, porque eu prefiro a elas não ter acesso e deixar-me levar, sem influências, por minhas proprias ideias.

Clarice Lispector é autora de pequenos livros de extensos textos. Extensos, na medida em que neles não funciona nenhuma técnica de leitura dinâmica. Ou se leem com redobrada atenção, ou não se haverão lido. Junto com a “redobrada atenção”, o leitor deverá disponibilizar uma alma com os portais escancarados e dotada de sagacidade capaz da proeza de emparelhar com a alma da escritora.

E Clarice é dona de uma alma labiríntica onde vezes sem conta me perco por me faltar a tal sagacidade em dose que me permita seguir suas pistas, em grande parte deixadas em hieroglifos filosóficos cujo entendimento requer perspicácia na leitura e fôlego para, a pulmão livre, mergulhar profundamente nas águas vivas e não raramente revoltas do seu âmago. Mas, como Lóri pensa em Uma Aprendizagem: ou o Livro dos prazeres, “…não entender é tão vasto, que ultrapassa qualquer entender…”

Não creio, pois, que algum dia me aventure pelas vertentes pedregosas que adivinho de tormentoso caminhar, na redação de uma resenha de qualquer dos seus livros que até este momento tive oportunidade de ler. Apenas uma certeza eu tenho: Lê-los-ei todos e, após degustá-los a meu prazer, ousarei ousar uma vez mais em algumas linhas calcadas na linha dos meus pensamentos.

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Preferiria não ter escrito o post anterior. Deveria então eliminá-lo, simplesmente. No entanto não o faço, porque, descubro, não quero fazê-lo. Ele reflete um momento de extrema tensão pessoal – um pique subito na minha curva de humor, mau humor, no caso. Ora, se essa curva é um histórico do meu humor, história não se elimina. Só os asnos políticos o fazem.

E eu deploro asnos políticos, demagogos de todas as malditas ideologias que se ancoram ad eternum nos seus poleiros com verborréia fácil e irresponsável uso das cada vez mais diminuidas riquezas geradas pela decrescente massa dos que produzem realmente, em ações iminentemente empobrecedoras e emburrecedoras.

Mas, reconheço, eu deveria então consultar esse gráfico do meu humor e procurar passar ao largo, o mais afastado possivel, de tudo o que possa afetar-me o “simpático”. Confirmo que o FB pode sim, afetar-me e muito. Logo, tudo o que tenho a fazer é evitá-lo, como aliás me havia anteriormente determinado em procedimento íntimo. É só seguir e cumprir o procedimento.

Em post recente, eu havia me comprometido a deixar de vez o caos da realidade “real” e mergulhar completamente na “realidade poético-filosófica” nas entranhas do meu impossivel. Afinal, com setenta completados, não devo e não posso martirizar-me. A crua verdade pode, se quisermos, até ser motivo de pândegas considerações: A maioria dos meus amigos são meus ídolos no campo artístico, mas politicamente inconciliáveis; melhor então passar bem afastado de tal barreira…

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