Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Realidade

Olhei com alguma tristeza para o meu velho Astra, desbotado e ofegante da viagem. Mais uma vez comportou-se bem para um veterano com treze anos completados desde que o adquiri e coloquei em circulação pelas estradas desta vida. O velho e fiel Astra, pensei, dificilmente será algum dia reposto por alguma nova, reluzente e possante máquina. Não que me desagradasse a ideia de ter um carrinho com as tecnologias modernas, tão tardiamente vulgarizadas no Brasil. O meu Astra, velho de guerra, não possui abêésses nem almofadas que inflam nas batidas, muitos menos computador de bordo ou controle automático de velocidade de cruzeiro e o seu rádio é do tempo em que os animais falavam. A realidade é que, a não ser que me saísse uma loteria – coisa altamente improvável pela simples razão de que é raríssimo jogar, eu não terei mais condições de ganhar para um carro novo – fim –

Read Full Post »

Velório

Passaram-se os dias, rascunhos sem conta foram descartados sem que nenhum post acabasse tomando seu lugar no Blog com o rosto e forma de uma das minhas mukandas. E o vilão de tudo isso, é o vilão principal deste e de todos os momentos: O maldito político! Por mais que eu diga que político bom é político sendo velado, ele, o político, continua mais vivo que nunca e fazendo mais merda que nunca. O pior é que tem circos “assim”de palhaços políticos nas duas nações separadas pelo oceano.

Mas viremos por agora o disco e velemos respeitosamente quem da lei da morte se libertou, deixando uma sensação de vazio nos palcos dos nossos dias: Nico Breyner cansou-se deste vale de lágrimas e fez wafa assim sem mais nem menos, sem avisar amigos e admiradores. No tempo em que assinava a extinta TVA, que incluía a RTP internacional, tivemos muitas oportunidades de apreciar seu trabalho. O nosso amigo Jorge Antonio, Realizador/Diretor de cinema, dirigiu-o em “A Ilha dos Cães” que em Abril terá sua estreia nos cinemas de Portugal e, salvo erro, em Angola.

Read Full Post »

Vejo um pêndulo gigantesco que balança sobre a minha cabeça com absurda lentidão. O tempo atrasa, o dia colide com a retaguarda da noite, porque o atraso pendular é noturno e não sabe que o pêndulo do dia está no tempo do tempo. Acordo atrasado, é claro e a minha percepção do tempo está defasada do tempo real. Sentei na beirada da cama e deixei que meus olhos focassem a realidade real e dessem a ordem para desligar o meu complexo sistema noturno de realidades absurdas.

Depois, caiu a ficha e acabei por sentir-me fora do meu mundo. Este mundo que eu espreitei através das vidraças não poderia ser meu mundo. Tive vontade de voltar pra cama e desligar de vez o disjuntor principal, só para não ter de enfrentar a selva, a selva, a selva povoada de animais peçonhentos de duas pernas. Mas eu também sou animal de duas pernas e já terei por certo ao longo da minha vida tido meus momentos de animal peçonhento.

Esqueci a cama e entrei debaixo do chuveiro frio, que aqui é frio pra burro apesar do calor senegalês que tem feito. Olhei a estreita parede de azulejos e imaginei que ali houvesse um grande espelho refletindo meu corpo nu. Imaginei-me, é claro, atlético, jovem, bem dotado e irresistível, porque não? Mas depois cometi o erro de ficar na frente do espelho espelho meu, que riu da minha cara e desdenhou dos meus encolhidos atributos…

A propósito, amanhã é o décimo dia de Março e desta vez não esqueci de lembrar-me que, se amanhecer vivo, meus atributos completarão setenta e dois…

Read Full Post »

Do tempo restante

Sendo o futuro nada mais que uma hipótese diluída nas névoas do caminho ainda por percorrer, o que restará pela lógica da minha própria lógica para ser vivido, deveria ser sorvido e saboreado a cada nanossegundo, como se fosse derradeira a próxima sístole do meu coração. Mas isso não acontece e, dir-se-ia, acabo por levar muito a sério o meu outro lado disposto a continuar a brincar de imortal até que a morte finalmente me surpreenda.

“Agora que tenho tempo, descubro que tempo já não tenho”. Não sei de quem é a frase que a Nina escreveu num papelinho que pendurou no monitor, numa silenciosa advertência de que urge parar com o que faço para efetivamente dedicar-lhe, dedicar-nos o que resta do que resta.

Read Full Post »

Aridez

Faz algum tempo que me evito e não converso comigo. Também, repito-me, nada tenho para dizer-me, nada, nada. Se encetar agora alguma conversa, corro o risco de não encontrar assunto, de tal forma a bolha do nada se expandiu. Esvaziei-me ao ponto de chegar a convencer-me de que a minha massa cinzenta se tornou o invólucro de uma lacuna. Aridez absoluta, estéril, algo assim como um deserto deserto, decerto…

Mas eu sei, ou pelo menos julgo saber, que doente eu não estou, tirando aquelas mazelas que aos costumes dizem tudo. Hoje fiquei feliz porque a pneumologista que requisitou scanners do meu tórax, depois de longo, tenebroso e ruidoso silêncio, respirou fundo e disse que o meu pulmão continua limpinho e dando pro gasto.

Telefonei ao meu amigo Valdemar Aveiro. Falou muito do muito que sofre pela companheira destruída por cruel doença. Disse-me das alegrias que seus livros lhe dão para contrabalançar a dor, por isso está bem ativo preparando seu quinto título. “Escreva, Nelson, escreva e publique, porque esta vida é curta demais!…”  Veio-me à ideia  Caeiro, que escreveu não recordo onde: “Se eu morrer de novo sem publicar livro nenhum, sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa, não se ralem. Se assim aconteceu, assim está certo”.

Read Full Post »

Oilfield Requiem

Foggy

For  a decade, politicians, bureaucrats, regulators and other useless parasites gravitating around them, boosted up costs of Oil & Gas exploration and Production to  unimaginable levels, by flooding the Industry with rules and regulations to the point of having to spend hours filling endless forms and get them signed before the simplest half an hour job could be carried out;

Then, after the Industry got interplanetary numbers invested in technology in order to keep pumping wealth out of the deepest depths and concomitantly meet the stream of written high priced non-sense bullshit, the politicians and financial opportunists got together just to promote a swift worldwide move towards Oil & Gas Industry bankruptcy.

Oilfield is presently nothing but a wreckage, from where so many swim frantically in extremely rough weather, struggling for survival.

Read Full Post »

Do Carnaval

Ainda tentei, mas não consegui falar do carnaval, porque do carnaval eu nada sei. E quem quereria escutar um leigo se atrevendo a falar algo sobre o que nada sabe? Trabalhei ao longo desses dias de folia, como o faria se folia não existisse. Sei que não perdi nada, porque mesmo que não tivesse trabalho para fazer, eu gastaria os dias da dita folia em atividades situadas a anos-luz das atividades carnavalescas.

Aproveitei também o ensejo para esvaziar um compartimento da estante atascado de velhos e ensebados livros, espantosa quantidade de material técnico de total inutilidade porque largamente ultrapassado, além de que na atualidade, material técnico está a um clique do ratinho nas livrarias digitais dos meus vários HD’s. Os meus livros, preferidos ou não, já lidos ou não, agora moram nas nuvens e no meu Kindle. Toneladas de papéis foram, pois, parar a uma reciclagem que lhes dará o devido ou indevido destino.

Ficaram livros autografados pelos respectivos autores, velhos volumes de Eça, todos os que me são caros de Pessoa, que é pessoa da casa, tudo da Sylvia Plath e da Clarice, é claro! Há também as duas velhas coleções personalizadas que incluem  “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, completamente escrita em português arcaico. Mas a dor de cabeça é a quantidade absurda de material de vídeo em VHS. Que diabo vou fazer de tudo aquilo? Fiquei consternado porque ao manusear uma capa contendo o  filme “Dirty Dance” deixei cair outra gravada ao vivo num show de comemoração ao lançamento do mesmo filme. O frágil baquelite quebrou-se em pedacinhos com molas à mistura!…

 

 

Read Full Post »

O Beijo

O beijo

Ah! A Maternidade!…

Os Brilhos da Maternidade!

Os Brios da Paternidade!

A Vida! A Luz! A Eternidade!

Prodigiosa Natura!…

 

Read Full Post »

Caso perdido

A vida passou, passou, passou e olha eu aqui… Quem sou?

Mistica sombra que se desmistifica em vapores de nada

Errático sonhador do impossível num mundo impassível

ante um jogo de faz-de-conta que a conta nunca fez…

 

…e agora, desse faz-de-conta me dou mais conta!

Por conta da vida, que me fez perder a conta

de tantos pensares e utopias q’a alma não conta…

 

Agora, de novo, olho-me com desprezo no olhar

abstratamente ostensivo, ofensivo, incisivo…

…lúdico. Lúdico?!! Oh! Eu não cresci! Daí, o faz-de-conta!

Morrerei criança, de imaginação sideral – piramidal!

Sideral, piramidal e inútil, afinal.

Read Full Post »

Sizenando

Antologia

“Era uma vez uma praça

No interior de Goyaz

Onde eu ouvia vozes:

De poetas e anjos mais…”

O Espírito de Sizenando paira omnipresente sobre Goyaz e sobre ele derrama ininterrupta chuva de energéticas estrelinhas contendo massivas doses de inspiração e sensibilidade poética, que resulta em enorme concentração de gente iluminada pela luz própria do talento e amor às Letrinhas. Assim, Beto Queiroz, o neto do Espírito, materializa o sonho…Os Sonhos!

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »