
A obra ainda em curso sobre a areia da praia do Forte atraiu-me e compeliu-me a uma parada para admirar o artista que ia exteriorizando e esculpindo o que lhe povoava a ideia naquele momento. E eu segui essa ideia e o “traço” de um verdadeiro cartunista em 3D tendo a instável areia como caderno e as pás como lápis! O Millôr teria gostado e aprovado e por certo que um par de páginas teria sido adicionado a um próximo romance por Jorge Amado, que teria amado e descrito a cena. O exagero da comumente exagerada postura de bundinha empinada de belíssimas mulheres expostas ao Sol esbanjando sex-appeal ou circulando pelas ruas cavalgando mecânicas montarias em pose de realce provocativo dos posteriores e dos peitos siliconados, estava ali retratado! Só que em caricaturas desnudas, feito leidigodivas motorizadas, exibicionistas em praia de nudismo! Adorei, fotografei, joguei dinheiro para garantir a comida do dia para o artista sem rosto e sem nome e sem mais espaço para caber tanto talento e habilidade!
Nesta minha viagem a Salvador, certamente que a única similaridade com que me deparei foi a de uma aproximação turbulenta, extraindo da memória as tantas que vivi, voando com muita frequência nos B727-200 da Transbrasil do Rio para Salvador, quando aqui morei por cerca de dois anos. Mas as similaridades ficaram nisso, porque dos idos tempos de há exatos trinta e três anos para o presente, até o nome do aeroporto mudou! Pela janela do avião pude constatar a terrível proliferação de enormes e feios favelões, onde antes se viam apenas dunas de areia branquinha ocupadas aqui e ali pela vegetação típica em pinceladas de beleza.
Não obstante as substanciais pioras sofridas pela ocupação desordenada sem qualquer tipo de plano ou disciplina urbanística estabelecida pela administração pública, Salvador continua sendo a urbe brasileira na qual não preciso morar para que ela permaneça morando no meu coração. É o paralelo, os aromas e sabores, a musica e ritmos, a morenice, irmã gêmea da morenice d´outras morenas praias igualmente outrora lusitanas de saudosas recordações!…
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