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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Por onde vou começar?…

O assunto do dia é, como não poderia deixar de ser, a vitória do meu país sobre a França na final da Eurocopa.  No entanto, como não sou exatamente um fã do futebol, digo que estou muito orgulhoso, mas o assunto morre por aí mesmo e pronto.

A semana teve desdobramentos dramáticos no trabalho e decisões seguindo seu curso no âmbito pessoal. Disparei o processo de entrega do apartamento que há vários anos alugo em Macaé, iniciativa que me coloca no meio de suaves corredeiras ao sabor das quais me deixarei levar até ao estuário da aposentadoria. Se isso vai ser bom ou mau, o futuro o dirá. O bom desse futuro é que estou a “falar em futuro”, em viver a minha vida enquanto tenho vida para viver, ainda com capacidade para ir em frente com os meus mais caros projetos outros.

É fato que tenho ainda um ultimo desafio na área profissional a cumprir até ao fim deste ano, mas acredito que tudo irá dar certo.

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Venho falando demais em espelhos ultimamente, reconheço. E isso deixa-me agastado e cabreiro ao surpreender-me uma vez mais em frente a um a procurar e achar, porque quem procura sempre acha, saliências e protuberâncias novas no que remanesce do meu rosto original.
Observo que os parênteses que emolduram o deformado nariz e a boca, são agora valas profundíssimas nas quais mal penetra a luz! Encontro também um ponto e vírgula a mais na pele, além da letra “U”e de vários pontos de exclamação já bem conhecidos. Aliás, meu rosto parece ter tatuada toda a acentuação da língua portuguesa. Os meus olhos estão diminutos acima das papadas aumentadas. As bochechas do rosto despencam, mas despencam assimetricamente – a esquerda mais baixa que a direita – como assimétricas são as estranhas cordas da papada que encobrem por completo onde deveria aparecer um pomo de Adão. Dia destes aqui no trabalho, um alguém me disse que uma alguém lhe falou sobre “um estranho volume na calça” que eu teria acima da perna esquerda! Confesso que cheguei a ficar ufano como nos anos 60, quando usava calças muito apertadas para realçar os dotes. Mas o alguém logo acrescentou a pergunta “…ele usa alguma prótese na perna?”!!
Não, não uso, ainda, prótese alguma em nenhuma das minhas pernas. Mas, pelo sim pelo não, decidi mudar a volumosa carteira que sempre porto no bolso esquerdo das minhas Levi’s medida 32 x 30, para um dos bolsos traseiros. Espero que ninguém pergunte se eu uso próteses para aumentar a bunda…

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Musa

Acredito não ter uma ideia muito real do que seja o tempo. O espaço é curtíssimo entre o tempo vivido há exatos cinquenta e três anos e o dia de hoje. Lembro que há poucos instantes eu ainda ensaiava em fragoroso silêncio, as frases de efeito que esperava ter a oportunidade de proferir ao ouvido dela. E, temerariamente, fazia-o tendo a minha imagem refletida num espelho, conquanto tal reflexo nenhuma tranquilidade me transmitisse…

É vero que espelhos são perigosamente francos e jamais mentem, salvo quando, ao termo de tantas imperfeições nos descobrirmos, por mentirosos os tomamos.

Mas a minha Musa acreditou nos meus improvisos, porque, é claro, tudo o que havia ensaiado eu esqueci e, acredito que meio em dúvida, ela disse-me que sim, que aceitava namorar comigo! Hoje a minha Musa está aqui em Macaé, reclusa numa espécie de aquário envidraçado no sexto andar de um edifício com o único elevador avariado há quatro dias. E eu, abandono a minha Musa antes do nascer do Sol e para ela volto quando o Sol há muito se foi.

 

Musas, eu já disse, podem ser suscetíveis

Podem até por momentos ser irascíveis

Mas as musas são seres indispensáveis

Pois sem elas, somos mesmo imprestáveis…

 

PS: Eu te amo, Musa!

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De Volta…

Neste 13 de Junho assinalo no meu diário que voltei ao trabalho nos CAD´s do Servidor da empresa, embora em períodos curtos para não forçar as vistas. Ganhei mais confiança nos resultados da cirurgia do olho direito, mas é notória a necessidade de óculos corretos para que possa voltar em pleno à leitura, aos textos e aos desenhos. Além de tudo tenho a guardiã que me lembra que ainda devo obter a alta médica antes da volta em pleno!

O dia de ontem foi especial, porque pude fazer uma caminhada até ao Teatro da UFF em Icaraí e deliciar-me com o Concerto matinal de domingo pela vibrante Orquestra Sinfônica Nacional, que me pareceu melhor que nunca, regida pelo maestro Tobias Volkmann, atual Regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Comemorando o Dia dos Namorados, o tema do programa foi o Amor, não obstante serem as peças apresentadas tradicionais dramas em que o Amor conduziu à morte! Abriu com a belíssima Suite Pelleás et Melisande Opus 80 de Gabriel Fauré completa; Seguiu-se o esmagador Prelude und liebestod da Ópera Tristão e Isolda de Wagner – Acesso de emoção severa e vexame, para não variar! Após um intervalo, maravilhamo-nos com Prokofiev numa seleção de Danças das Suites do Balé Romeu e Julieta.

O especial almoço acompanhado de uma taça de honesto vinho coroou um perfeito dia de domingo…

 

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Sou, de ordinário, extraordinariamente resistente a sair em busca de ajuda médica para as mazelas que o avanço da idade vai me impondo. Por livre e espontânea pressão da minha mais-que-tudo, cujos olhos ultimamente mudam de cor com crescente frequência acompanhando seus acessos de falta pura e simples de paciência para me aturar, cumpri a recomendação da pneumologista que me atendeu há mais de dois meses para que eu procurasse apoio de um especialista sobre os meus antiquíssimos problemas de sinusite crônica e quase permanente anosmia.

Procurei na lista de otorrinos um nome feminino que me soasse simpático e me sugerisse suavidade e compreensão. Mas, por maior brevidade de data, achei-me sentado frente a frente e nervosíssimo, com a doutora Núbia, a quem apresentei os exames, testes e demais históricos a que ela deu relativa importância. De poucas palavras e gestos decididos, ordenou-me que sentasse numa cadeira tipo de dentista, ligou equipamento, orientou uma tela para que eu pudesse também ver e, sem a mínima cerimônia, enfiou um instrumento com câmera pelos buracos dos meus dois narizes acima, fazendo-me assistir a um filme de terror através de horrendos tuneis tomados por formações estranhas. “Polipose nasal bilateral; Necessidade de microcirurgia nasal” – falou, escreveu e assinou.

Saí do consultório prometendo-me que não farei porra de cirurgia nenhuma e conviverei para o resto da minha vida com a falta de olfato, que tem afinal algumas vantagens e.g., há anos que não sinto o cheiro que deixo no banheiro todas as manhãs. Para completar, entro na farmácia para comprar os medicamentos receitados e despendi 400,00 reais. “Vaca!” – pensei, para logo em seguida acrescentar resignado: “Com todo o respeito…”

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1 Foto - Rui Pinheiro para a CDC Angola

Foto: Rui Pinheiro

Comemorando o dia mundial da Dança, releio uma mensagem da querida amiga Ana Clara Guerra Marques, fundadora e Diretora da magnífica e surpreendente Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Digo surpreendente, porque é a palavra que define a reação de quem teve a sorte de assistir a uma de suas duas únicas apresentações de lotação esgotada no Teatro Municipal de Niteroi no inicio deste mês. A peça, de beleza e magia indescritíveis, manteve a Plateia em encantado e absoluto silêncio até levantar das cadeiras e explodir em interminável e emocionante aplauso! Interminável, emocionante e inesquecível!

Ana Clara expõe uma vez mais em sua mensagem o triste descaso pela Arte, a falta de apoio que leva ao sufoco da tão difícil sobrevivência do virtuoso Grupo de virtuosos dançarinos que com tanta maestria evoluem suas extraordinárias capacidades, brilhos e brios de abnegados e grandes Artistas que de fato são!

Daqui, deste lado do Atlântico, aproveito o ensejo e a data para enviar a todos os integrantes da Companhia de Dança Contemporânea de Angola um agradecimento pelos momentos maravilhosos que nos proporcionaram, ao mesmo tempo em que reitero minha profunda admiração e respeito por seu magnífico trabalho.

Ocorreu-me que, se eu tivesse o condão de me transformar de repente em influente agente teatral, traria a CDC para se apresentar nos melhores teatros em todo o Brasil, dando ensejo a que muito mais gente se emocionasse e aplaudisse sua Arte.

 

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Dois curtos e humildes textos, sendo o primeiro um drama da vida real em prosa poética e o segundo um conto não menos real de uma experiência pessoal vivida numa caçada para alimentar a tropa, durante a qual acabei surpreendido por um outro “Eu” que eu não conhecia.

O porquê da minha escolha desses dois textos e não de duas ou três peças de poesia, rimada ou não, dentre tantos versos meus escondidos em caóticos arquivos, ainda não sei explicar. Tratava-se de publicar na “Literatura Goyaz: Antologia 2015” (Editora Livres Pensadores), organizada pelo Escritor, Poeta e Empresário Adalberto de Queiroz em Goiânia, onde estariam nomes conhecidos, respeitados e de peso no universo das letras Goianas e não só! Penso que a escolha de poemas teria sido mais acertada.

A “Antologia 2015” – Primeira edição, chegou às minhas mãos há Já alguns meses, ao tempo em que uma segunda edição com algumas correções e melhorias começava a ser projetada para lançamento oficial. Amanhã, dia 19 de Abril, o resultado final dessa obra que representa um admirável trabalho de uma pessoa admirável, será lançado em evento a realizar na galeria do Teatro Basileu França em Goiânia! Meu coração vai estar lá, junto com Beto Queiroz e com todos os colegas cujos trabalhos figuram na Antologia, muito especialmente com a minha querida “Maga”, Poeta Magaly Magalhães.

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Clarissa Dalloway ainda não me pegou por inteiro, que eu ando de mente dispersa. Dispersa e sem pressa, como se meu tempo não mais conte, exatamente quando tanto conta. Bebo, pois, meu tempo, dando bicadinhas na taça só para sentir e degustar aquele néctar restante, que não tenho como quantificar. Que bom, que não posso quantificá-lo! Então porquê açodar-me para saber tudo sobre Mrs Dalloway, se posso a passo e passo seguir-lhe os passos sem apressar-me?

Hoje, no refeitório da Base, comi meu feijão com arroz como se fosse o primeiro, escutei dos circunstantes as vantagens que eles riam. Ri também de cara séria – minha gargalhada se perdeu nos drenos…até que lembrei que o que se leva desta vida é o que se come, o que se bebe, o que se brinca, o que se f#@**de, Ai! Ai! Pior é que esses meus “ais” são mesmo de dor, não de orgasmo.

PS: Eu sentei disposto a escrever para “Contos e Crônicas” do Grupo “Literatura Goyaz”. A minha pretensa crônica saiu o avesso do próprio avesso sem futuro no pretérito.(Ai, Ai!)

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Continuidade

“Diga-lhe que fico”! As palavras, minhas palavras, estalam e reverberam quicando pelos sinuosos labirintos da minha pensatrix. Somos mesmo problemáticos! Sim, comprometi-me a estender meu shuttle service pela BR 101 por mais alguns nem tão poucos meses, embora mantendo o propósito de parar este ano. O momento é de desafio, cujo tamanho cresceu na razão inversa dos proventos. Meu descanso, o livro, as guitarras – tudo adiado.

Minha garganta queima e dói, espirro muito e estou com medo. Gripe, Dengue, Zica e outras maleitas tão feitas de riscos e perigos para os que, como eu, já dobraram o cabo dos setentas – o cabo das tormentas. O momento é tenso, denso, intenso. Penso, penso, mesmo assim ainda penso e, em consequência, existo. “Existo-me”! Insisto-me.

Então tá…

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Volare

shark

O meu tempo escoou-se nos anais do tempo, os valores foram-se modificando seguindo as múltiplas partituras das sinfonias à sobrevivência. Polifônicas, por vezes românticas e poéticas melodias de doce e suave envolvência, logo seguidas por cacofonias perturbadoras, estridentes, turbulentas, não raramente culminando em tempestuosas apoteoses de milhares de tímbales.

Movimento-me, sonhador, entre Cessnas e Pipers de uma Escola de Pilotos nos arredores de Curitiba, transportado às brumas dos meus teen no pequeno aeroclube da cidadezinha em morenas praias, acreditando que poderia vir a ser um comandante cruzando os ares do Planeta tripulando as mais avançadas aeronaves. Agora, entre Cessnas e Pipers, realizo que os ares do Planeta que cruzei, cruzeio-os não apenas como simples passageiro mas como um eterno piloto frustrado. “Errei feio”, avalio. “Ou talvez não”- concluo…

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