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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Caligrafia

Sheaffer

Enquanto descartava dúzia e meia de esferográficas, marcadores de feltro e similares já sem uso e tomando espaço útil, achei a minha velha, esquecida e abandonada Sheaffer. Tomei-me instantaneamente de amores pela caneta que foi minha ferramenta de escrita em tempos pré-cibernéticos. Desmontei e limpei carinhosamente cada um de seus componentes e, aproveitando uma saída, despendi 30 pratas num tinteiro “Piloto” de origem japonesa. Mas acabou em decepção, porque o sistema de carregamento por vácuo está comprometido pela degradação das borrachas. Mesmo assim, deu para experimentar um cursivo e concluir que o meu skill caligráfico perdeu-se no tempo…

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Optei, após a nem tão festejada aposentadoria, enveredar por intrincados labirintos, que acabaram confundindo meus mais íntimos desígnios. Releio meus textos e deparo-me com a surpreendente atualidade onde a atualidade resultou tão mais surpreendente porque tão mais cruel. A vontade de voltar confronta-se com o medo dos belicosos meandros das redes pouco sociais, que se junta ao reconhecimento de que me falta, afinal, talento criativo. Tempos atrás, eu escrevia:

 

“ Singularidades

 

Quasa insociável e permanentemente ensonado, enxergo-me com as minhas vontades assaz debilitadas, porque sei-as parcialmente desabilitadas.Os hobbies que tão fortemente me hão propelido, perderam seu espaço para a irresistivel atração que me arrasta para a antecâmara onde um caleidoscópio carregado de sonhos que reconheço como inúteis e mofados sonhos do passado, intermeados por foscas e ininteligíveis imagens do futuro, me é posto à disposição. Oponho-me tenazmente, é certo, mas a tenacidade dessa oposição parece carecer de mais aditivos energéticos.

 

Poderia até resvalar para a depressão, não fossem três estacas que me têm providenciado boa sustentação, a saber: A Mulher-Maravilha, o trabalho e o meu “outro eu”. Da Mulher-Maravilha eu tenho dois olhos como-há-só-dois que me seguem incessantes, hora feitos reluzentes e cristalinas esmeraldas enternecendo a minha alma, hora virados em contundentes e incontestáveis fontes de  força faiscante em  tons de cinza-quase-branco, que tenho o bom senso de respeitar.  O trabalho, além de fundamental no sentido econômico, eu preciso quanto mais não seja, para culpar pela não materialização de projetos literários que na realidade é tão somente reflexo óbvio da minha incapacidade, falta de engenho e arte para o fazer. Finalmente o “meu outro eu”, por se tratar de um ser independente, extremamente crítico e insuportavelmente sarcástico em suas considerações nada lisongeiras sobre a minha pessoa, resulta uma séria barreira de contenção às minhas singularidades existenciais. “ …

…/…

 

…Agora, perdidos os benefícios do trabalho e havendo eu chegado ao ponto da quase eliminação física do meu opositor, as barreiras ficaram mais frágeis, como mais frágeis ficaram as forças e paciência da minha maisquetudo.

 

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Lacuna

Penso que, de tanto em vão pensar, o calor gerado terá por certo afetado os circuitos do meu cérebro. Em outros tempos eu diria que os platinados desajustaram ou que o gigleur entupiu. A máquina perdeu metade da eficiência, disso não resta qualquer dúvida, desde que lhe foi retirada a carga habitual a que se havia adaptado ao longo de décadas. Até agora, concluo, por mais que venha tentando, não logrei ocupar a lacuna deixada pelo trabalho. Nessa conclusão, incluo a constatação de que as vicissitudes do próprio trabalho eram fonte inesgotável de matéria para alimentar-me o espírito…

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Coisas de Icaraí

 

Icaraí-1260

Eu e tu de mãos dadas

De novo nas calçadas

das Flexas a Icaraí

Neste rápido caminhar

inda dá pra´apreciar

as coisas de Icaraí!

 

É aquele aposentado

distraído no carteado;

É a madame meio lêlê

com seu cão feito bebê!

N´areia, volei, frescobol

e corpos torrando ao sol;

 

Dentro d´água o banhista!

Tem mesmo quem não resista

e pule na água medonha!

A Guanabara tão poluída

pelas descargas invadida,

continua uma vergonha…

 

Mas olha lá no Corcovado

Lá está Cristo, O Redentor…

Hoje pode ser visto e louvado

não há nuvens ao seu redor!

 

O Pão d´Açucar, o bondinho

Tudo continua bonitinho

como retemos na mente

Nada parece ter mudado

Em meio ano passado

deste cenário ausente

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Mau dormir

“Viver para viver terá mais razão de ser que viver por viver?”

Despertei no meio da madrugada de bexiga cheia e enfrentando essa questão idiota posta por todos os meus dois restantes neurônios. Enquanto descarregava os fluidos, ocorreu-me que esses fluidos foram separados para me manter vivo e que nesse ínterim, uma infinidade de complexos e encadeados eventos químicos e físicos na minha máquina de viver, não davam a mínima para filosofias e jogos de palavras, tendo por única razão e objetivo o manter-me fisicamente vivo. Bem…eu sei que o cérebro é componente de controle dessa dita máquina de viver e foi de dentro dele que saiu essa idiotice que me perturbou o soninho. E perturbou mesmo, porque, voltando para a cama, os cretinos (meus dois neurônios), trouxeram para a área o filme “Vivre pour vivre” para infernizar ainda mais a minha noite. Agora que a noite já era, reencontro-me constatando que vivo para viver a realidade da sorte que me coube como um ser biológico, terráqueo e, até ao momento, sobrevivente…

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Alfama-0319

Caminhávamos recentemente pela baixa de Lisboa ao fim da tarde, onde ruas, esplanadas e cafés fervilhavam de turistas e onde nosso idioma dificilmente é ouvido. Decidimos mudar o rumo, escalar e explorar as velhas ruelas e escadas de Alfama até aos miradouros e ao Castelo de São Jorge. A experiência foi inesquecível, mas em nenhum momento senti nas ruelas a vibração que o meu poético imaginário construiu através do velho e autêntico fado. Como no Bairro Alto e na Mouraria, as vielas estão lá, os locais onde se canta o fado estão lá, mas a tradição pura e castiça não mais. As rimas abaixo revelam um pouco desse meu imaginário:

 

Pelas ruas de Lisboa

vagueio sem direção…

…e caminho por aí à toa,

Bairro Alto ou Madragoa,

onde o Fado é tradição…

 

Se pelas ruelas d´Alfama

vou em passos hesitantes,

e ouço uma voz em lamento

que canta seu fado, seu tormento

em versos tão lancinantes…

 

Versos de perda ou saudade,

de abandono ou crueldade,

das dores que su´alma sente…

E ecoam com voz magoada

pelas pedras da calçada

pisadas por tanta gente…

 

Percebo nas pedras, polidas

por gerações de passantes,

tantas mágoas, tantas feridas

em longas noites perdidas,

de solitárias almas errantes…

 

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Pela noite…

Noturna-0215 (3)

 

Ruelas sadinas, desertas,

de silêncios estridentes

ecos de passadas incertas,

desconfiadas, alertas,

solitárias mas contentes,

contentes…

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Cegueira

Duvidoso, sigo perguntando-me se haverá mesmo vida inteligente no universo político.

Fascismo não tem lado L ou lado R estampado. Fascismo é bilateral, uno na cartilha da dominância pelo estado inquestionavelmente absoluto, montado sobre bem untados mecanismos repressórios, com métodos de requintada violência que incluem a pura e simples eliminação física dos opositores.

O esfaqueamento de um presidenciável nas eleições brasileiras, demonstra a atualidade desses métodos largamente usados, ensinados e difundidos por Adolfs e Josephs.

(Dando nome aos bois: Refiro-me a Adolf Hitler e Joseph Stalin)

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Bad boys

tatoo

(foto disponível na net sem crédito)

 

Bad boys

falsos heróis

frívolos tatuados

Acaso eu os invejo

por tanto q´eu os vejo

pelas belas desejados?!

Bad boys

(Sex toys?)

jovens “empoderados”

Vai ver q´até os admiro

e deles a força retiro

pra sonhar os meus passados…

…De“Teddy Boy”

sem tatuagem

pleno de coragem

e desejo de ser herói!

Herói nas vidas

Nas diversas vidas

porque hei passado

das quais nenhuma morte

a lei me há ainda libertado…

 

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Memórias

Vi Caetano, por cuja obra poética e musical eu tenho grande admiração, numa gravação no YouTube, garantindo ser “mais à esquerda que ele…”, referindo-se a Gabeira. Minha memória desfilou um rosário de personagens que povoaram minha nem sempre tranquila juventude. Pelo menos um deles, apareceu-me entre as brumas acenando aquele mesmo ridículo livrinho vermelho do mao. As palavras de um outro presente ainda repercutem após mais de meio século: “…pouco importa quão extremado esquerdeiro tu sejas, camarada; Irás, cedo ou tarde, ser destratado por um outro camarada que se autoproclamará muito mais à esquerda que tu e para quem nada serás que um mísero reacionário!…”

Nada mudou…

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