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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Pat’ka

Definitivamente não há como reincidir escutando Patrícia Janecková sem cair no choróró mais incontrolável. Lembro de sentimento e reação parecida em um encontro inesperado com uma amiga dos tempos de juventude numa festa em Aveiro. Tudo foi alegria, até que perguntei pela irmã e ela me disse do seu passamento havia alguns anos. Choque psicológico insuportável, a festa acabou para mim e para a minha companheirinha, porque eu não conseguia parar de chorar…

Patrícia, ou Pat’ka, com era e continua sendo chamada pelos seus familiares e amigos, atraiu minha atenção numa apresentação em que ela cantou a melodia do tema do filme “Once Upon a time in the West” de Ennio Morricone. Isso foi 2012 e eu fiquei encantado com a segura suavidade de sua voz, na minha opinião, promessa de uma futura prima dona do Bel Canto. Segui seus passos pelos palcos que pisou enquanto me emocionava com seu brilhantíssimo desenvolvimento de voz e mise en scène. Subitamente, depois de curto hiato, eis a brutal notícia: O câncer agressivíssimo, a mastotomia bilateral, as penosas quimioterapias e as renovadas esperanças até que, não mais que de repente, em outubro do ano passado, ela, maravilhosa criança com apenas 25 anos, se foi e deixou-nos,  seus admiradores, sem chão…  

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Influencers

Depois de tanto tempo brincando em cima disto, reconheço que alimentar um blogue obtendo algum resultado em número de leitores, não requer apenas a arte de escrever um monte de besteirinha mais ou menos organizada e concatenada ao que rola no momento. E, eu digo, rola muita besteira por aí em todas as áreas; seja através da criatividade das/dos “brilhantes” influenciadores digitais, dos combativos imbecis que defendem a pé firme a pluralidade de sexos, aos catastrofistas seguidores das palhaçadas gretianas. O pior é que, concluo, o imbecil aqui sou eu, porque não logro sair da cepa torta, ao contrário de muita dessa gente, cujo engenho, arte e artimanhas mescladas com muita cara-de-pau, auferem vantagens nunca por mim imaginadas…

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Octo

Surpreendentemente, habituo-me rapidamente a carregar o rótulo de octogenário e até faço uso dele para fazer valer alguns poucos direitos, tais como prioridades na fila, que tomo a meu favor como das raríssimas vantagens na devastadora desvantagem de ser um idoso. E ser um idoso, aprendi, é uma merda. Mas certamente não irei começar a descrever timtimportimtim as desvantagens de ser velho. É vero que me sinto como que indevidamente sobrecarregando a minha condição etária. Todavia e no momento, tento mas não consigo definir o que esse “indevidamente” signifique. E toco prà frente a minha octogenarisse enquanto as pernas me suportem…

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Atropelo

Porque detesto política, tendo a não usar tal assunto para os meus escritos, mas para minha desgraça, a malfadada está em todos os cantos do planeta e, ai de mim, na interneta, que é a minha fonte, que é também tua e o que vou falar já foi falado por ti, ou por outro qualquer que, como eu, não suporte escutar noticiários recheados de facínoras grandiloquentes intrujando a plebe pagante.

Poderia falar sobre aquela ponte lá nos states, derrubada no meio da madruga por um supercontainership com um apagão. Agora vai ser um bom negócio de engenharia na corrida a construir e instalar contrafortes para proteger as estruturas primárias das pontes que ainda estão inteiras. Mas, dou-me conta, estou falando do mesmo: Políticos! Eles por certo que cortaram verbas na construção da ponte, que ficou sem contrafortes de defesa até ser atropelada daquele jeito…

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Falésias

Eis-me acordado nesta manhã: um domingo mal-encarado, cinza e fosco, pelo menos por enquanto. Para não variar, ligo o laptop…e zás, FB vem logo atrás! E o que é que ele traz? Besteira de montão que preciso filtrar com desleixada atenção. Até que surgem algumas postagens que fazem mais sentido e pedindo leitura. Leio, no post de uma amiga virtual, algumas afirmações interessantes pela escritora italiana Bárbara Alberti que, do alto dos seus 81, diz que prossegue cavalgando a vida ao longo da borda de um precipício (a morte), mas que está pronta para viver mais duzentos anos. Já eu, de “apenas” 80 e tenho medo de cavalo, faço trilha ao longo da aresta da falésia proclamando a habitual convicção da minha imortalidade. E como imortal também precisa comer, vou ali no super da esquina comprar ingredientes para o almoço…   

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Do Coração

Casal idoso que é casal idoso, cria de quando em vez um quiproquó para temperar a monotonia dos dias. Para isso, basta resolver fazer modificações na decoração dos cômodos da casa; ontem movemos um vez mais pelo menos um móvel (julgo ser por isso que se chama “móvel”), que imediatamente após retornamos de volta ao lugar original, porque a tentativa não deu certo. Para a movimentação, houve que retirar quilos de discos, filmes, CD´s, Blue Ray´s e o escambau e volver tudo para o lugar em que estava antes. Ah! Como me senti feliz e realizado enquanto me dedicava a essa tarefa! Mas, é claro que, com a minha inigualável paciência, até agradeci à minha companheirinha pela oportunidade de me manter ocupado! Hoje continuamos os trabalhos, escolhendo e instalando os quadros nas paredes, depois de, calmamente, com extrema educação, discutirmos os indiscutíveis lugares dos ditos-cujos!…  

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Máguas

Eis Abril das mágoas mil, para quem, como eu, pertencente às gerações da segunda guerra ou do período seguinte hoje apelidados de “baby boomers” que procuraram sobrevivência nas colônias e acabaram nas agruras como vítimas da descolonização pedindo abrigo e trabalho por esse mundo a fora…

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“Nelson”

Tropecei mais uma vez no que tange a ficar corretamente ligado ao que eventualmente leio de novidades na internet. Dia destes li um post da extraordinária Luisinha Caria sem atender que se tratava apenas de uma partilha sobre a aproximação de uma depressão meteorológica chamada de “Nelson”, que prometia mau tempo para a Páscoa. Expeditamente, comentei “que eu não estaria em Lisboa na Páscoa e que a depressão pela qual passei em Dezembro foi coisa rápida e benigna!” Pode uma porra destas?!

A Nina, gozadora, riu da minha cara, quando a Luisa respondeu o óbvio no meu comentário: Olhaí, Nelson; Nada a ver contigo não, amigo! Deram o teu nome a um novo twister ou tufão ou simples tropical storm! concedo que fiquei com o maior medo da possibilidade de eu estar também, tal como aquele velho figurão d´além mar, com problemas cognitivos…

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Mortalidade

Pela segunda vez em curtíssimo tempo, tive de lamentar o passamento de pessoa de família. Em nenhum dos casos fui surpreendido, porque as duas pessoas, ambas primas direitas, se encontravam gravemente enfermas, apontando para quasi certa irreversibilidade. Para além da perda das primas, não posso deixar de lamentar o longo tempo de sofrimento delas e das famílias que com elas conviviam diariamente. Se temos de morrer, porque não fulminante?

Há já alguns bons anos, ainda produtivo e trabalhando muito, consultei um cardiologista em Macaé, RJ, que após fazer-me um eletrocardiograma, despendeu uma enormidade de tempo medindo com um paquímetro, o espaçamento de cada sístole. Ao fim desse período que me pareceu uma eternidade, ele ameaçou-me de “morte súbita”, tal o nível de arritmia apresentado. Para alguém que, feito eu, repetia nos meus escritos o convencimento de ser um caso raro de imortalidade, tal afirmação foi chocante! A arritmia junta com fibrilação atrial é, pois, como que uma lâmina de guilhotina permanentemente armada. Morte súbita não é mais o meu maior receio. Terror é a possibilidade de ser pesado a alguém por longo período. Daí eu cumprir a medicação diária prescrita, contrariando a vontade de jogar os comprimidos no lixo…

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Aquarius

Devo regozijar-me por completar oitenta, não? Penso, o que prova que ainda existo, que sim, devo regozijar-me, já que houve um sem número de contemporâneos cuja vida se apagou muito antes de tal efeméride. Além de que, em última análise, quem da lei da morte já se libertou, perdeu todo o esculhambo que os novos tempos disponibilizaram no primeiro quarto do século 21. Concedo que eu acreditava nas propaladas virtudes a esperar da era de Aquarius. Lembram? “When the Moon is in the seventh house and Jupiter aligns with Mars…” Entretanto, surgiram, entre muitos outros cretinos, os malditos da filosofia Woke para estragarem os sonhos…

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