Incrédulo, li e reli as inesperadas sílabas: “I-NA-PTO”!! Seguiram-se minutos cruéis, sentindo-me encolher, encolher…sendo reduzido à mais ínfima espécie. Então eu era aquilo? Um Inapto? Foi tudo o que sobrou de mim nesta vida?…Custei a sair do torpor e movimentar-me para algum tipo de reação. Levantei da cadeira e caminhei como um autômato, arrastando comigo aquela sensação de pequenez em direção ao nada. Como se de propósito, uma das boazonas do escritório passou por mim e dirigiu-me um olhar esmagador do alto do seu metro e oitenta e cinco acrescido de impossiveis saltos altos…
A via crucis de médicos e exames continuou e continuará. Mas agora, conto com o atestado cardiológico de que sim, eu posso!…desde que porte as drogas que garantem que a minha pressão sanguínea não fará o mercúrio espirrar no instrumento.
Oh!…Já nem eu próprio me entendo!…
Mas que importa? Cá vou convivendo
com a realidade das forças em decadência!
O pior é que aflui em mim este saudosismo
que me importuna feito um tipo de sadismo
e me humilha por essa perda de valência.


