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Continuando…

 

Maninhas

Ocorreu-me dizer que, contados cinco dias dentro desta década de vinte, já deu para ver que nada parece indicar que será um período dos mais pacíficos. No entanto, convenço-me que discorrer sobre esse tema é pura perda de tempo e espaço. Afinal, qual foi a década que se possa chamar de pacífica, desde que a minha mãe me pôs no mundo nos inícios de 1944, ou seja, no auge do inferno da segunda guerra e nem ainda tinham cozinhado vivos com nukes os habitantes de Hiroshima e Nagasaki, embora estivesse em curso a ação de assar vivos com fósforo, os habitantes das principais cidades alemãs.

Prefiro então falar de mim, das minhas ideossincrasias, dos meus conflitos comigo próprio que em geral acabo resolvendo sem sequer pedir ajuda a nenhum shrink. Concedo que há um decréscimo na minha vontade de prosseguir com atividades que sempre me deram muito prazer, das quais destaco a fotografia. Mas há muita ajuda da minha muito + que tudo; Ela me dá força e apoio incondicional, condicionado ao meu comportamento em reposta a esse incondicional apoio, entenderam? Não?! Depois eu explico melhor, então. Mas não agora, porque na casa da minha filha aqui em Curitiba, tem as meninas Isadora de 5 e Clarice de 3, aí acima retratadas, de férias e de incansável atividade…

Alergia

Suponho que aqui em Curitiba a peçonhice dos insetos é mais tóxica, pelo menos para as minhas defesas biológicas que, por outro lado, parecem haver passado por algum tipo de drástica mutação. Qualquer picada progride imediatamente para reação alérgica, inchaço, coceira desesperada. Longe vão os tempos de durão guerreiro das selvas tropicais…

Caviar

Gostar de caviar e champagne não faz de mim um fulano metido a besta com gostos nada condizentes com as minhas posses. Minha penúria econômica não me impede de dizer que de fato gosto muito de autêntico caviar e champagne de marca excelente. De igual forma, nada me impede de alimentar meu fodástico sonho de ter um Tesla topo de linha para chamar de meu e queimar meus ultimos cartuxos neste vale lágrimas viajando autoestrada acima, autoestrada abaixo , derretendo-me em autopilotados orgásmicos delírios. Porque o Tesla é inatingível, assim como os múltiplos orgasmos, saí numa curta caminhada até um supermercado de característica “Delicatessen” aqui perto, chamado “Angeloni”, disposto a queimar um troquinho num vidro com algumas gramas de caviar de nobreza duvidosa; Debalde: De algo que lembrasse as preciosas ovas, necas de pitibiriba…

2019…2020…

Cá estou, sim senhor! Acabei de cruzar a portaria principal sem aparente dificuldade, embora meio incomodado pelo estardalhaço dos fogos de artifício, diretamente para a trilha bastante sinalizada, garantindo ser esta a via única de circulação para se caminhar ao longo do ano de 2020. Até este momento, o piso é uniforme e sem acidentes de traçado, mas realizo que não tardará muito a que encontre os primeiros pedregulhos de difícil transposição.

Como esta é a septuagésima sexta vez que enceto e realizo tal trajeto, experiência não me falta para saber que toda essa experiência de nada vale, porque esse caminho que guia meus passos é chamado de futuro, que temos por completamente imprevisível, até mesmo para aqueles que se dizem possuidores dos ocultos  poderes da profecia, seja lá o que ser profeta signifique. Prossigo então, porque não, acreditando que viverei para incomodar-me com os fogos de artifício na portaria de entrada na década de 30…

Utopia

…E o Natal – último desta década – já é evento passado que será por nós, adultos, rapidamente esquecido. Ou não. As crianças recordarão pelo tempo de duração dos ou do interesse nos brinquedos que ganharam. Em poucos dias, quem viver verá, entraremos na década de 20 deste milênio. Naturalmente, da nova década o novo ano será inaugurado prenhe das costumazes expectativas por uma vida melhor, saúde melhor, amores, sucesso e fortuna…etecetera et al.

Eu, enquanto veterano de mui duras provações da sobrevivência, aspiro a, simplesmente, continuar sobrevivendo. Preferivelmente, sem arautos do apocalipse (mirins ou não), sem exacerbadas, violentas, intolerâncias politico-religiosas, sem criadores/propagadores de estúpidas teorias da conspiração, mas muito especialmente, sem político explorador legislando em seu próprio proveito e dos seus associados…

Acordei assim mesmo, utópico! Será grave?

 

 

 

Sem direção

Dreams

Minha noite foi tumultuada por estranhos sonhos mal sonhados de situações das quais eu terei saído nada bem. De algumas dessas sonhadas situações eu lembro, d´outras não quero nem lembrar. E como as que lembro não quero senão olvidar, pergunto-me porque cargas d’ água haveria eu de nesses pesadelos falar! Abandono, pois, este projeto de crônica sem razão, sem embrião, sem direção…

Natal

Brilhos natalícios

Reluzem uma vez mais todos os brilhos da quadra, acompanhados da habitual trilha sonora de jingles e frenezi comercial. É Natal de novo! ─Como este ano passou depressa- admiramos, sem lembrar que dissemos exatamente o mesmo um ano atrás! Cearemos, degustanto cozinhados e doçuras carregados das tradições recebidas dos nossos respectivos povos. Confraternizaremos, incluindo os nossos familiares distantes através do “zapzap” ou d´outra das várias maravilhas que a modernidade tecnológica nos disponibiliza…
Então, meus queridos amigos e familiares, tenham todos um belíssimo Natal, com muita paz e saúde!

Absolut

Acordei assim, sentindo-me dominante! Absurdamente absoluto e resolutamente vencedor!…

Na sequência do meu acordar, sentei no vaso sanitário e logo a humilhante humildade desceu sobre mim para contrariar meu absolutismo e colocar tudo no seu lugar: Afinal, eu não era um poderoso figurão – era apenas e tão somente, um cagão…

Vazante

 

Vazante chuvosa4

Vazante chuvosa

chuvosa e fria

tão sem alegria

vazante chorosa…

Beleza cinzenta

a alma escurece,

a tristeza alimenta,

coração não aquece…

Gula

Repas

Depois de um quarto do bolo-rei haver descido, junto com uma garrafa do bom vinho branco JP da adega da Bacalhoa e de deitar e rolar nos queijos de cabra e ovelha da mesma região, chegou a sensação do tamanho do abuso! Como já são 23:00 horas, giboiar o descalabro será coisa para a madrugada. Mesmo assim, atrevo-me a avaliar o bolo-rei adquirido no início da noite na Confeitaria Nacional, estabelecida na praça da Figueira em Lisboa desde 1827, ou seja, abriu as portas apenas 5 anos após o Brasil ser declarado um Império independente: O dito-cujo kitute é muito gostoso, merece honras e excessos, mas perdoem-me continuar a preferir o similar produzido na minha bela, invicta e imortal cidade do Porto…