XYZ podem ler-se exray.yankee.zulu sem deixarem de ser xis.ypsilon.zê. De qualquer das formas sempre serão aquilo que são: As últimas letras do alfabeto. Mas o status de cauda em nada as desvaloriza e não significa que ABC, que podem ler-se alfa.bravo.charlie sem deixarem de ser a.bê.cê e posicionadas à cabeça, possam de alguma forma adquirir maior importância e sobre a cauda atribuir-se alguma supremacia. Este é um arrazoado de louco? Pode até muito bem ser, mas eu sou um louco são, nada dado a violências ou a soltar ferocidades políticas sobre ninguém. Eu sei e reconheço que poderá aparecer quem diga que o meu exrayyankeezulualfabravocharlie é um código secreto ligado a algum tipo de conspiração, de esquerda ou de direita dependendo de quem leia. E eu espero que leiam senão, porque cargas d´água haveria eu de escrever tão insana postagem?!…

Ao Sol insisto-me nas reverências. Incluindo as fotográficas, porque o Astro jamais repete as poses, ainda que repetitivas nos pareçam. Em contraluz, eis muito claramente recortadas as linhas do horizonte que deste ponto alcanço. Nele está contido tudo o que espero no novo dia que tenho o privilégio de viver. Projetei e espero o melhor, mas sei que terei de aceitar resignado o que me for destinado…
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Porque hoje está tão azul o céu,
até pra mim ficou fácil sorrir!
Passo o dia de short, pernas ao léu,
ainda que o outono já se faça sentir
e noite adentro precise me cobrir…
…embora te tenha a ti, meu amor!
No leito a mim chegado, enlaçado,
teu corpo é sublime fonte de calor!
Ai!, como por ti sigo enrabichado,
mais de meio século por nós passado!…
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Nada aprendi, afinal, com os erros cometidos e sofridos, a julgar pelos erros que insisto em cometer no outono da vida. De nada vale afirmar com convicção que não repetirei, porque é considerável o risco de que, em algum momento, o afirmado desrespeitarei. Concluo ser o errar tão imortal quanto a própria morte…
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Dia destes, alguém do meu círculo desdenhou do “samba de uma nota só” como “coisa” sem qualquer valor para quem tanto cultua o purismo erudito da música barroca. Sendo eu próprio também um apaixonado pela música antiga, não hesitei, todavia, a sair em defesa de uma peça de tão simplória base melódica. Referindo-me a “Amadeus”, argumentei, falando da simplíssima pecinha que Salieri escreveu para o imperador praticar sua performance e o efeito transformador dos geniais improvisos de Mozart sobre o tema.
É vero que, virtualmente, qualquer tema musical pode ser vertido para um pote e resultar em maravilha jazzística, tudo dependendo do génio do druida. O “Samba de uma nota só” pode até soar como uma enfiada linear de notas repetidas ad nauseam, mas que ganham todo o sentido uma vez engrenadas à metalinguagem do texto. Na sequência, tudo muda a partir do momento em que a genialidade instrumental a transforma num rítmico e sempre mutante Poema Harmônico!…
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Ah as cãibras, as cãibras, que mau dormir me provocam! É o despertar com dores insuportáveis, é a insuportável dificuldade para voltar a mal adormecer para em seguida ter nova crise, novo passear no escuro, a pisar gemidos surdos…Depois já é de manhã de amanhã. Será do vinho que bebi? Mas só duas tacinhas ingeri! Do caldo verde é que não foi, certamente. Foi talvez do doce pavê, mas conjeturar praquê? Não vou mesmo saber porquê…
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Proso-me embrulhado em poesia, posto que este belo dia foi-nos dado pra viver. De noite uivava o vento, que soava qual lamento de presságios de temer. Credito o temor ao cansaço, porque estava um bagaço quando cedo me deitei. Mas eis que novo dia pintou, o humor logo melhorou, porque, afinal, vivo acordei!
Cansado, na cama desabei
e já na cama te encontrei
tão cansada quanto eu…
Olhamo-nos enternecidos
mas estávamos tão rendidos
que o sono logo nos venceu…
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Acordei disposto a sextafeirar uma semana atípica, resultante de atipicidades e loucuras outras. O Sol está lá, surgindo mais um pouco à direita das minhas referências. Reflito que daqui a uma semana deixarei, deste meu posto de observação, de assistir e fotografar o nascimento do Rei. Os dias sucedem-se, planos e metas também, apesar de aparentemente descabidos e questionáveis…
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Mais uma manhã, tão bonita manhã! A poderosa fonte da vida se alevanta e exibe sua palete de cores em policromáticas promessas de que, ainda em mais um dia, poderei fingir ser alguém.
E agora eu era alguém…
que a vida enfrenta sem temor,
que a vida goza sem sentir dor
que minimiza o mal que a vida tem
Agora eu era alguém…
com imunidade a vírus e andaços,
a pestes políticas tolhendo passos,
que ironiza a maldade que a vida tem
E agora eu também era alguém…
Que a cada sístole do coração,
realiza que a vida não é em vão,
malgrado as maldades que contém!
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Vindimas são violentas empreitadas para quem a elas não está habituado. Dores musculares e de coluna ficaram por alguns dias após a colheita das docíssimas uvas que já terão sido transformadas no que resultará em docíssimo e espirituoso moscatel de Setúbal. A abelhinha da foto aproveitou os últimos momentos da doçura in natura. A colheita já aconteceu há quase duas semanas, mas a vontade de escrever só agora pintou…
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