Nada em mim de mim esconde os efeitos do meu envelhecimento. E o espelho colabora de forma ativa e desapiedada, refletindo o que de mim remanesce. Tenho vontade de descrever em detalhe o que refletido vejo, mas duvido do que vejo e isso, de certa forma, acaba por me ajudar. Descobri na piscina pública que tenho frequentado por determinação médica, coisas novas a meu respeito: Por exemplo, que ao contrário de quando era jovem, procuro agora esconder meu corpo no vestiário durante o banho e troca de roupa. Insegurança é meu nome, incluindo nisso a constatação de quão mau nadador eu sou ou estou, apesar das loucuras cometidas em alto mar nas lides de “moon pool” e nas aventuras de caça submarina a pulmão livre. Seria aquele o mesmo eu? Cessarei pois, de mim, os cânticos às epopeias a que sobrevivi, porque meus valores não mais tão alto se alevantam…
Dezdejunho cutuca-me no meu tão cedo despertar, para me lembrar a minha data por português haver nascido. Minha pátria tem um não-sei-quê que me orgulha e me faz reagir geralmente mal quando ela é vilipendiada e agredida por “nacionais” de escroto jaez com vocação de traidores. Reafirmo deles ser abertamente inimigo, enquanto ratifico indeléveis juramentos…
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Muqueca de arraia com pirão de milho, bem picante, híper apaladada, de fazer inveja a qualquer cozinheira baiana, foi o almoço preparado e servido pela Nina quando cheguei de volta a casa, cansado das muitas braçadas na excelente piscina municipal de Palmela. Não terá sido a melhor resposta às minhas queixas de completa falta de preparação física para enfrentar a natação que, espero, me ajude a consertar meus ossos, mas foi uma festa para a gula…
Procuro viver, pois, porque o cavaleiro da foice está ativo como nunca e ontem mesmo, teve o atrevimento de ripar R.J., meu patrão por várias dezenas de anos. E ele era um fulano de incalculável capacidade empreendedora, workaholic incurável, meu companheiro de algumas aventuras muito doidas em estranhas e perigosas estruturas de extrair energia nos mares. Por alguns momentos passa-me pela mente a admiração e, convenhamos, a inveja positiva que eu nutria pela largueza da sua visão numa atividade de custos e resultados multimilionários, mas pejado de riscos tão gigantescos, que se me afiguravam como pura loucura na minha ótica de simples “Oilman”…
Mas o mundo do poderoso R.J., admirável empregador massivo, ruiu e viu-se arrastado pelos tenebrosos efeitos da estagnação pós lava-jato, seguindo-se a desastrosa queda dos preços do petróleo quando os modernos e ultradispendiosos equipamentos começavam a pagar-se em outros campos do mundo. A sobrevivência da indústria está mundialmente na corda-bamba e a figura do “Oilman” desaparecendo em todos os níveis…
RIP, R.J.!
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É impossível haver trabalhado ligado a uma mesma pessoa por cerca de 35 anos seguidos e não se sentir de alguma forma abalado ao receber a notícia do falecimento dessa pessoa que, mesmo não sendo uma presença física diária na nossa vida profissional, exercia presença constante em todos os nossos momentos, fossem eles de vitórias ou de derrotas…
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Facto: O meu gostar dos cães aumenta na razão direta do crescimento da minha aversão por políticos de qualquer tendência. A Vicky é uma bichinha adorável e nessa foto lançou a língua para dizer que gostou e quer mais – comida e carinho…
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No último domingo, mais ou menos ao tempo em que finalmente tomávamos a vacina anti Covid-19 aqui em Setúbal, acontecia em Niteroi o sepultamento da nossa querida amiga e vizinha Lúcia Nascimento. Não levou mais que duas semanas para que o vírus tomasse conta e afetasse irreversivelmente seus órgãos. Continua difícil realizar que não mais encontraremos a Lúcia, lúcida e divertida…
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Enfim, Meg libertou-se da lei da morte e deixou-nos “for good”, porque só se vive duas vezes e ela viveu as duas vezes de forma intensa e apaixonada, muito especialmente nas páginas e páginas sem conta dos Blogs que tanto admirávamos e seguíamos. Só tomei conhecimento do seu passamento esta manhã, através de um comentário de Adalberto de Queiroz a uma postagem minha lembrando a Meg e a biografia de Clarice Lispector que ela me havia ofertado há alguns anos. Guardarei com imenso carinho, orgulho e saudade não só esse, como diversos outros livros dela recebidos com muita e inesquecível amizade…
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Faleceu hoje Vitorino Ramalheira, Capitão do Lugre “Santa Maria Manuela” nos anos 60, quando Hector Limieux embarcou junto com a tripulação e realizou um memorável documento cinematográfico sobre a rude e perigosa faina da pesca do bacalhau nos bancos da Terra Nova. “The portuguese White Fleet Men are heroes of a kind…”
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Pia aflito, o passarinho!
do outro lado da vidraça
Fotografo, logo ele o voo alça
e eu me pergunto no meu cantinho:
“Porque piava o passarinho?”…
Agora o passarinho foi embora e deixou-me carregado de pensamentos absurdos na tentativa de imaginar-me suspenso nas suas frágeis asas. Frágil, concluí, sou eu, afinal, porque penso e meu pensar complica-me o viver. Passarinho nada cria, só procria e procura alimento. Ainda bem que logo desisti de mergulhar na alma da alada criaturinha e chamar-lhe de “Jonathan Livingstone” …
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…e como é triste, a tristeza! É o pesar por sabermos em grave perigo os nossos amigos José e Lucia Nascimento, casal vizinho de apartamento, hospitalizados e, no caso da Lúcia, já justificando respirador. É o falecimento do admirável Paulo Gustavo após mais de dois meses de calvário. José Nascimento foi vacinado. O Covid é moléstia que ainda corre solta, porque nenhuma das vacinas é credível a não ser para fazer rios de cash para os laboratórios…
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