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Reidemim

Agora eu era eu próprio, rei de mim, soberano absoluto. Como tal e com tal poder, não existia força que me impusesse invasivas e humilhantes obrigações. Como todo o meu poder era exercido sobre mim próprio, meu absoluto poder não tinha poder para que impusesse invasivas e humilhantes obrigações aos que não me rodeavam, porque eu era, afinal, sozinho em mim próprio, num mundo só meu, estranhamente meu!

Acordei. E acordei chocado, realizando que, obediente, tomei vacinas junto com todo o rebanho do planeta do qual sou e estou irremediavelmente prisioneiro. Sou, pois, um prisioneiro e submissivo terráqueo, receptivo a todo o tipo de invasivas e humilhantes obrigações. Levantei e tomei o caminho do banheiro, lugar solitário onde, absolutista e valente, descarreguei, com força e pela força, malcheirosas obrigações. O chuveiro acabou por devolver-me às minhas realidades de criatura biológica comum, idosa, vulgar e reacionária…

Semana do Natal

A Orquídea é linda! E, além de linda, ela é muda testemunha da vida que em seu torno se anima de gentes muito ausentes agora presentes que se juntam aos de casa, às folias das crianças, aos sons dos instrumentos e de vozes que dialogam, que cantam, que exprimem graça evitando falar na desgraça que por aí grassa. As luzes, feéricas e brilhantes, esparramam claridades multicoloridas que se refletem em lampejos nos tantos adereços suspensos da vistosa árvore de Natal. Porque é Natal e nós estamos, uma vez mais e ainda, presentes, respirando e nos regozijando.

A todos os Amigos e Família, nossos votos para que tenham um extraordinariamente Feliz Natal!

A minha velha Canon 50D e a objetiva Sigma 18-200, companheiras de tantas jornadas, deixaram de se entender e mal conversam uma com a outra. Como não disponho aqui de outro equipamento, vai certamente ser difícil conseguir algumas fotos decentes no Natal e ano novo deste ano. De nada adiantou limpar e polir os contatos; a cada disparo bem-sucedido, há três ou quatro que alarmam erro. Acho que o celular vai ter de quebrar o galho nas fotos de família, porque ninguém estará disposto a congelar a pose em múltiplas tentativas…

Das megeras

Em algum momento, recordo aqui haver escrito afirmando que: “Apesar de Shakespeare, megeras não são domáveis”. O tempo passou, experiências foram adicionadas, levando-me agora a reafirmar a indomabilidade das megeras e a evidência do perigo de elas gerarem megeras tão indomáveis quanto. Ou não…

Matemática

“Matematicamente falando, levo a vida me multiplicando, mas também sei dividir…” Seguindo a cadência de um cavaquinho, a menina vai cantando seu “Samba da Matemática” num filminho de celular. E canta com graça e segurança, enquanto, “saindo pela tangente, por razões e equações, vai procurando as soluções pros problemas existentes…”

Não é extraordinário encontrar tais peças bem populares, despretensiosas, mas cheias de inspiração e beleza poética?!

Adorei e, como adorei, repeti o vídeo vezes sem conta, resultando em afastar-me de taciturnos pensamentos e alegrar meu coração. Resolvi até voltar a escrever!…

Olhos verdes

Na noite de ontem, derradeiro dia de novembro, deu-me para folhear minhas caóticas notas e, randomicamente, ler em voz alta para a Nina, muitos dos poeminhas a ela dedicados ao longo do tempo. Seus olhos, únicos, que para mim só dois existem, são tema de boa parte de rimas como esta:

Verdes olhos, minha paixão!…

Eles me fascinam, ofuscam,

Enfeitiçam, enquanto buscam

dominar-me o coração…

Olhos verdes que fulminam,

me perturbam, desatinam,

chacoalham todo o meu ser!

Fugir deles? Nem pensar!

Como poderia eu ficar

sem vê-los ao acordar,

sem a eles me submeter?…

Promessas

Em algumas horas amanhecerá dezembro uma vez mais, sem que haja logrado realizar sequer um mínimo do tanto que a mim próprio prometi há um ano atrás. Foi um ano de períodos ruins no que concerne à minha saúde, com reações diversas, adversas, de desinteresse e apatia. Agora, eu me prometo que prometerei menos…

Apreensão

Certa noite, acuado e apreensivo, falei em verso de “Como as Repúplicas estavam doentes”. As rimas que releio são antigas e entretanto as doenças das “Repúblicas” evoluiram para crises ainda mais agudas que podem muito bem levar ao déjà vu de tenebrosas profilaxias.

Reconheço-me acovardado, viro a página e esqueço as rimas…

Outonada

Passou a ser por demais comum incorrer em erros e falhas os mais desconcertantes, deixando-me deprimido. Se eu já sabia por amarga experiência anterior que a minha câmera D5 falhava esporadicamente em gravar as fotos ou filmes no cartão SD, porque razão eu voltei a instalar a coisa no slot? Porque não deixei apenas o CF?! Aconteceu de novo na fria noite de ontem: Perdi todas as fotos feitas à iluminação de Natal no centro de Lisboa! Para ilustrar o balde das lágrimas derramadas, a foto que intitulo de “Outonada”, feita na manhã de nevoeiro nas cercanias de Azeitão…

Tagarelas

Nos meus tempos de Oilman embarcado em plataformas e navios, eu era chamado de “Mr. Quiet”, porque na hora do chá, quando rolavam ruidosas conversas com as estórias mais estranhas e hilárias, ria discretamente e ouvia muito mais que falava. É verdade que, no ambiente certo, dois dedos de whisky sempre tiveram o condão de me desatar a língua. Ainda assim, nem tanto ao ponto de virar falastrão enfadonho. Ah!… E como detesto, obrigado pela delicadeza, ficar amarrado em frente a uma pessoa que fala alto e sem parar, sobre tudo, sobre nada…