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Inquietam-se-me as pernas, em movimentos bruscos de impossível controle, como se correntes elétricas as percorressem! Digam-me os magos da medicina, onde posso eu encontrar o disjuntor que desligue a fonte desses curto-circuitos que perturbam meu sono e, especialmente, o sono da minha companheirinha. No decorrer do dia, de tais ocorrências não me dou conta. Elas aparecem na cama e sentado em longos voos. Daí eu, que sempre gostei de voar, sofro horrores quando agora o faço…

Terráqueos

O Planeta continua lindo, pleno de encantos, mas também de perigos mil, incontroláveis, porque a Natureza é totalmente incontrolável por nós, humanos, com ou sem fósseis, com ou sem bombas atômicas, com ou sem plásticos e milhões de peidos de todas vacas existentes. Nós, animais ditos racionais, somos o pior dos piores males na superfície do belíssimo globo azul flutuando no espaço. Males sem poder para modificar a Natureza, mas que a Natureza não tem como controlar. O mundo é perfeito, mas seus habitantes são uma amálgama sem outro rumo que não seja a autodestruição. O Planeta segue, impassível, seus ciclos: Hora quente demais, hora de frios extremos. Quem sabe no próximo período glacial, a poderosíssima Natura dá uma mãozinha nesse ímpeto autodestrutivo e metade dos terráqueos perece, permitindo um novo começo nas cavernas?

Snif…

Auto confiança resvalando em absurdos, culpo a idade, que de forma alguma eu queria ou deveria culpar; em reduzidíssimo tempo cometi algumas barbeiragens enquanto conduzia; agora, há pouquinho, enquanto estacionava com destreza e certeza, veio a torpeza; atropelei um andaime de obra disfarçado com tapamento de lona: o vidro traseiro do carrinho explodiu em vidrilhos. Desolado, fui atrás do conserto da patifaria, mas ficarei sem transporte pelos próximos dois dias…(snif)

Medo

Comecei estas linhas falando no quão assustador está este nosso mundo; mas fiquei deveras assustado e preferi abandonar o tema. Poderia, é claro, desistir de escrever, coisa nada difícil, dada a minha falta de vontade e ausência do bloguinho. Mas, com um esforcinho, lá vou esgadanhando, esgravatando, espremendo, hora o Tico, hora o Teco, tão adormecidos como adormecentes. O calor tem, por certo, algo a ver com esse meu desestimulo. Quem sabe, eu peço ajuda aos sábios da escrita? Da escrita, não da escritura, que para tal a alma eu não sinto pura. . Mas, a quem apelar? Aos desbocados e escabrosos versos de Bocage? Não, não, que não estou para aí virado;

Talvez a Pedro Homem de Mello, meu professor de português: “Os homens correm? – deixá-los ir atrás do seu desejo! E os cavalos, que não vejo? Volta sempre a madrugada, volta sempre tarde ou cedo. O que alonga nossa estrada, é o medo, é o medo”. É então o medo que faz sentido para mim no momento? Não faz sentido, mas faz todo o sentido se pinçarmos de António Ferreira: “É a medo que escrevo, a medo penso/A medo sofro, empreendo e calo/A medo peso os termos quando falo/ A medo me renego, me convenço”.

Perdi afinal o medo, e me despeço…

Reflexões

Longos foram os anos construindo meu próprio eu, que agora, paulatinamente, vou desconstruindo, em pedacinhos que de mim se vão desprendendo, num processo sem retrocesso. Reflito, e enquanto reflito, eu me agito, aflito, porque a minha pretensão de ser imortal pode, afinal, ser só coisa da minha cabeça. Mas será mesmo? É que eu pretendo usar o novo aeroporto de Lisboa, que talvez esteja pronto lá pelo final deste século, a depender dos bons ofícios dos políticos e burocratas…

Normalidades

O “normal” da tarde de ontem, definiu-se com os ajuntamentos em todas as elevações, para apreciar, fotografar, deliciar-se com o rei Sol brincando às escondidas com a Lua, num evento que não mais verei na vida que porventura me reste. No entanto, o tal “normal” em mim foi de total anormalidade, se considerarmos o fotógrafo amador dedicado que, em tempos, costumava ser. Sorte que o meu cunhado tinha uma máscara de solda, o que permitiu dar uma espiada rápida no eclipse, que aqui por Lisboa e arredores foi apenas parcial. Mesmo assim deveria ter fotografado, né? Mas não fotografei! No entanto, acordei hoje cedo o suficiente para, agora sim, fotografar para certificar-me e documentar que o Sol se livrou mesmo da Lua…

Comemoração

O mês de julho findou, assim como os convívios de família para comemoração dos oitenta anos de vida da matriarca, minha companheirinha. No entanto, mesmo com tanta reunião familiar, em nenhum momento houve a tradicional “sopração” de velinhas ao som dos “parabéns pra você nesta data querida”, choque e elevação dos cristais com espirituosos, ninguém botando “faladura” com pompa e circunstância. Só e nada menos que a legítima alegria da presença dos membros que vivem a milhares de léguas de distância uns dos outros. Aos arreigados costumes, a homenageada disse “não”; sem bolo, sem drinks, só a fraternidade dos abraços. Agora, todos estão de novo nas suas áreas geográficas, a braços com suas atividades que lhes tomam o tempo, deixando a saudade para nós, que, enfim sós, prosseguimos a comemoração…

RIP Peppino

Quando eu “descobri” o grupo “Peppino di Capri e seus cinco rockers”, lá por volta de 1958, eu não gostei nem um pouco e não me interessei por adquirir deles nenhum disco, apesar de “Let me cry”, “Nun è pecatto” e “Last train to san Fernando”, que me agradavam. Ao tempo, garoto de 14, eu ainda não me apercebia do excelente pianista que ele já era, e do seu real potencial. Depois vieram “Marina”, Mezzanotte” e, especialmente, “I´te vurrio vasà”, que eu adorava. Seguiram-se os sucessos de “Champagne” e “Roberta”, que pavimentaram definitivamente sua longa carreira…

Mal-estar

Nosso café da manhã, foi, nesta manhã, tão frugal quanto habitualmente os nossos cafés da manhã são; a diferença foi o silêncio, só cortado eventualmente pelo som do pousar da caneca no pires após o sorvo. Dois olhos verdes, tão verdes como o mar por vezes consegue assumir, estavam arredios e chispavam claros raios de contrariedade. A função terminou, enfim, sem que uma única palavra fosse trocada entre nós! O porquê do nosso agastado proceder, eu não sei exatamente, mas, certamente que terei sido eu próprio quem espoletou o mal-estar…

Verão

São seis horas da tarde, os termômetros marcam 41 graus C à sombra e eu não faço nenhuma ideia de quanto estará ao Sol. Verão no sul da Europa é fogo mesmo e a população foi avisada desta onda de calor. Culpa de um “El Niño” extraordinário, ou simplesmente uma vaga? Certamente não é culpa da mudança climática, por mais que os catastrofistas insistam em suas esfarrapadas teorias. Ar condicionado esfriando o ambiente, vinho branco bem gelado, queijo da serra de aroma e sabor fortes, a felicidade latente de aproveitar que estou ainda vivo…