Feeds:
Artigos
Comentários

Cascavéis

Trabalhar a mente com o intuito de achar um mote aceitável para um texto, pode ser um sério desafio. Ideias mil me passaram pela cuca, mas não raramente acabam esbarrando em non-sense, em terreno lodoso, em barbas de molho. Hoje me ocorreu falar um pouco sobre espíritos de porco (ou porca), perigosos narcisistas capazes de colocarem na tua boca afirmações que jamais proferiste, más ações que jamais praticaste, envenenar de forma vil e definitiva teu relacionamento com amigos e familiares. Esse tipo asqueroso de gente sempre existiu e eu, pessoalmente, até hoje sinto com imenso pesar, o incômodo e frustrante afastamento de pessoas que cheguei a orgulhar-me de ter entre os meus amigos. A polarização política não pode ser desassociada de alguns casos que me afligem, mas, desde que me poupem aos descalabros do estúpido pensamento “woke”, não chegam a me incomodar verdadeiramente. Mas são os casos ocorridos dentro das portas familiares, os que mais me perturbam e que tão veementemente lamento…

Borocoxô

Nem mesmo para tomar banho esta noite eu acho disposição. Sinto-me tão sem vontades, que não acompanhei o meu genro ao programado ensaio e gravação no studio onde em outras ocasiões com tanto interesse estive presente. Tusso e espirro com frequência de não deixar dúvida que vem por aí outro resfriado. O sábado foi de chuva constante, bom para nada fazer. Mas é impossível em nada pensar, pressionado pela carga de preocupações que arrumei para nós, numa idade em que tanto ansiamos por paz e dias bem tranquilos. O arrependimento emerge a cada momento, seguido de cada momento de “vai das certo”, ou “já aconteceu, vamos em frente com coragem”, dentre outras frases de auto incentivo. A leitura não me desperta e finalmente eu opto por perder-me na música de Richard Wagner pescada nos meandros do YouTube…

Cansaço

Repousamos em família e em torno da lareira, porque passamos do insuportavelmente quente para temperaturas abaixo de 8 Celsius, passando por um estágio de chuvas torrenciais que nos impediram a partida, quando estávamos já na cabeceira da pista do SDU. A voz metálica anunciou a volta da aeronave para o pátio, porque o controle fechou o aeroporto. Outra voz não menos metálica ordenou a evacuação da aeronave e a retirada da bagagem nas esteiras. Seguiu-se longa fila de espera para obter, junto de atendentes pouco cordiais, novos cartões de embarque e “vauchers” de refeição. Encurtando, de um pequeno voo direto de 80 minutos, eis-nos voando, após horas de espera, para destino intermediário e, horas de espera depois, outro voo para o destino final, que atingimos já na madrugada de domingo, cerca de 14 horas além do previsto…

À Votre Santé

Calor intenso a meio do intenso momento das nossas vidas. Como escreveu e cantou  Manzanero, aprendemos que “las semanas tienen más de siete dias”, longas como se apresentam, curtas como resultam. El Niño faz o seu papel, esculhambando as meteo, virando de vez a cabeça dos catastrofistas que sonham com impossíveis emissões zero.

Mas eu quero mesmo é falar num vinho preparado e fermentado a partir de uvas das castas touriga nacional, alicante, aragonês, petit verdot dentre outras, granjeadas nas terras do baixo Alentejo, parcialmente pisadas, dizem, em lagares de mármore e seu néctar estagiado em meias pipas de carvalho. Sendo o mármore calcário puro, qual será o efeito? Talvez no Ph, ou talvez seja apenas um apelo. Mas, o resultado que agora degusto, é um extraordinário vinho tinto de cor e claridade quase erótico, de sabor indescritível, de descida ao mesmo tempo suave e agressiva nos seus 14% do volume, com o rótulo “Marquês de Borba” colheita 2020! Beba-se, então, mesmo que sem companhia, já que a Nina nada tem a ver com Baco…

Crônica do Pai

Estamos a treze de agosto, domingo. Um domingo chocho, cinzento, daqueles que não chove-nem-sai-de-cima. A noite anterior foi passada tomada pelas insônias e culminou com um despertar mal-humorado. Nina pisou meus calos antes mesmo de felicitar-me pelo dia dos pais, e lá fui eu suspirando ais, enquanto brigava com a cafeteira na preparação de um fortíssimo café, que sorvi em companhia dela, à mesa, mas no silêncio do meu silêncio. O dia prosseguiu carrancudo, até que Nina acudiu com cócegas e agarros, quebrando o gelo na minha volta de lavar o carro. Logo em seguida, eis que as distantes familinhas se fizeram presentes através do milagre do zapzap, com os habituais parabéns pela data, novidades e conversas associadas. O almoço especial, bacalhau no forno, seguido da sobremesa da minha preferência, selaram a comemoração a dois, sozinhos e reconciliados…

Gato por Lebre

Nina era um queixume só pelas dores que estava sentindo nos ossinhos, depois de havermos caminhado pelo comércio do centro da cidade. Eu fiz o meu papel, alvitrando que fossemos almoçar no Plaza, já que eu sou mesmo aleijado em quaisquer atividades culinárias. Mais uma vez, a abnegada arrumou forças para preparar um almocinho e só me chamou para pôr a mesa onde me sentei em frente às apetitosas batatas coradas, arroz de brocoli e um filézinho na chapa que estava, sem embargo, delicioso. Fui comendo, lentamente, degustando, com toda a calma, até que não resisti perguntar: “Nina, esta carne é aquele filé suíno que compramos ontem no P.A., suponho?!”. Ao que Nina respondeu: ”Isso aí é sobrecoxa de frango desossado, espalmado e grelhado na chapa!…”

Ri muito, desavergonhadamente! Ela ficou séria primeiro, mas depois acabou caindo também na gargalhada! Francamente, que tipo de fulano come frango e acha que está comento carne de porco?!

Well Done!

Observo mentes doentes nada contentes com a eliminação do ex superteam de soccer dos EUA, tratarem de sonegar os detalhes de como um grupo em outras eras considerado imbatível, conseguiu a fúria de seus compatriotas, pelo insuportável comportamento woke, desrespeitoso com sua própria pátria, sob a influência da venenosa e ridícula Megan Rapinoe.   

O Susto

Domingo, após noite muito mal dormida com os sintomas de infeção urinária, cistite ou o que seja desse tipo. Decidimos procurar obter prescrição para EAS e cultura da urina, além de um antibiótico empaleador, caso se confirmasse a suspeição, na emergência de um bom hospital, que pediu a módica quantia de 2000,00 pela consulta. Considerando que a minha cardiologista top especialista nas minhas mazelas cardíacas de arritmia com fibrilação atrial cobra 500, eu fiquei momentaneamente sem fôlego, mas nem tive tempo de dizer nada, porque a Nina foi dizendo à atendente que todos os sintomas haviam desaparecido de susto, enquanto se dirigia para a saída! Porque, eu havia esquecido de dizer que era ela e não eu quem precisava de ajuda. Chegando de volta ao condomínio, demos de caras com o nosso amigo e vizinho Zé Luiz, MD de clínica geral, que meia hora depois nos entregou as requisições – free of charge, pura amizade! Foi, afinal um bom domingo, apesar dos incômodos de uma cistite…

Old Friends…

Hoje rasquei em tiras uma lista bem antiga de telefones. Fui lendo, página a página, os nomes e números ali escritos e relembrando cada uma daquelas personagens. Personagens da minha vida, uns de boas lembranças, outros nem tanto, outros ligados aos maus momentos e até à traição no seio do trabalho, quero dizer no meu mundo de sobrevivência. Fui eliminando um após outro, bons e ruins, momentâneos amigos, falsos amigos ou declarados inimigos. Em nenhum momento tive intenção de investigar quais deles ou delas continuam, como eu, entre os vivos. Eis que surge um nome que me cativou a atenção e a vontade de saber sua sorte. Um escocês que nada teve de notável durante o tempo em que juntos trabalhamos e a vida arriscamos num navio de perfuração, mas que, alguns anos depois indiquei para outra plataforma em que eu estava e aí ficamos anos só nos encontrando por alguns minutos no helipad, um embarcando outro desembarcando, ou na leitura dos diários e relatórios deixados na escrevaninha por cada um de nós. Procurei e encontrei no FB Russell Philips, escocês meio difícil mas bom de trampo, já com 74 anos de idade, também aposentado e há vinte anos vivendo em Penang na Malásia. Contou-me do passamento da sua esposa, naquele tempo lutando contra o câncer, e seu posterior casamento com uma indonésia de Borneo que é sua companheira até hoje. Nossa troca de palavras terminou com a seguinte frase dele: “Old friends are our best friends”! Fiquei, afinal, sensibilizado e feliz pelo reencontro…

RIP

Tony Bennet, o magnífico crooner, levou sua belíssima voz de invejável extensão praticamente imaculada através de sete décadas! O lançamento do seu último álbum já com 95 anos de idade, é um record que será difícil igualar. Seu estilo de gentleman nos palcos, sua maneira única de interpretar, seu respeito e admiração pelos músicos que o acompanhavam sempre me cativam quando revejo algum dos shows em blue ray que tenho no meu pequeno acervo. As várias gravações de duetos que podem ser encontradas no Youtube, são por mim revisitadas com frequência, sempre com renovada admiração, como se fosse a primeira vez.