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Festinha

Gustavo, sobrinho-neto da parte da Nina, completou seis anos e nós lá estivemos na festinha de crianças mais divertida e barulhenta que eu tenho na lembrança! Criança deste século é outra coisa, nada a ver com os primórdios do século passado, onde a minha meninice se situa. Os toscos carrinhos e caminhões de madeira do meu tempo, não raramente construídos pelo pai, são vagas recordações de uma época pré-histórica que são totalmente inexplicáveis para os tecnológicos garotos de hoje. Dediquei atenção aos joguinhos eletrônicos que lembravam o “pin-ball”, mas sem sujeira, só bips e luzes das “armas” e alvos! Naquele tempo, haveria jogo de hóquei em campo com bola e sticks improvisados, que acabavam sendo usados como arma para resolver as disputas de arbitragem. Não vou, portanto, defender as vantagens da nossa brincadeira, porque ela, a brincadeira, não tinha muito ou nada de pacífica. Por duas vezes me quebraram a cabeça no calor da refrega. A garotada desta festa saiu estafada, mas incólume, feliz e contente. Sobrou tranquilidade para fazer algumas fotos do paraíso em torno, situado a alguns quilómetros da cidade de Coimbra…

Desinteresse

Caldo verde e uma taça de vinho tinto, enquanto assisto, ao vivo, o concerto da orquestra Gulbenkian diretamente do Grande Auditório na Fundação em Lisboa. Deveria estar lá em pessoa, mas faltou atenção, preparação, compra de ingressos, etc., o que demonstra toda a minha atual falta de interesse! Dua peças, sendo a primeira a Sinfonia nº 3 de Jean Sibellius e a segunda, bem longa, o Concerto para Piano e orquestra e coral masculino, de Ferruccio Busoni. Pianista, o excelente Kiril Gerstein que, penso, deve ter perdido 3 kilos na performance. Regência de Hannu Lintu. Voltando à falta de interesse e vontade de ficar em casa, semana passada eu cometi a falta imperdoável de perder a apresentação da Companhia de Dança Contemporânea de Angola aqui pertinho, no Seixal!…

…e o mundo findou-se para mais uma personalidade musical: Quincy Jones foi-se pra não mais voltar. Em que pese o enorme respeito e admiração que sempre nutri pelo seu trabalho, nem sempre estive em sintonia com suas ideias e críticas sobre músicas, outros músicos, criadores, arranjadores. Que a terra lhe seja leve, enfim…

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Chocado com o enorme desastre natural que se abateu e continua castigando a costa de levante da Espanha, senti a provação da família real sendo fustigada sem dó nem piedade, recebendo nos ombros toda a culpa da destruição feita pelas incontroláveis forças da natura! Já até estou vendo o sorriso de empedernidos antimonarquistas que bem conheço, que tanto se regozijariam de vê-los entre os falecidos…

1º de novembro

Nevoeiro matinal emoldura tudo o que aos meus olhos se oferece. Acordei bem cedo, com um pensamento àqueles que tanto sofrem as tragédias naturais e as guerras em curso. Tais tragédias sempre ocorreram, e não com menor custo em vidas e estragos, mas, no presente, temos a notícia instantânea, com imagens, com toda a crueza das realidades, no preciso momento em que acontecem. “Já pensou”… digo-me, “Se alguém houvesse filmado em detalhe o grande terramoto em 1 de novembro de  1755 e todos os seus letais efeitos que se lhe seguiram?”…

Décadas…

As viroses vão-se distanciando, malgrado alguns resquícios ainda perdurarem. O nosso sábado amanheceu com chuvica e convidando a em casa permanecer, pelo que, recatados no nosso espacinho, juntos relembramos que mais um ano se passou desde que unimos os nossos destinos. A caminho das 6 décadas, impossível deixar de trazer de volta à memória os tantos momentos de ouro que juntos vivemos, em contraste com os períodos de agonia, mudanças drásticas, diáspora forçada, dentre outras peripécias igualmente nada gratas, que tentamos ao longo do tempo dissipar nas brumas. Como todos os velhos casais, temos “as nossas coisas” de quando em vez, mas “sin perder la ternura jamais”! Os vários tropeços de saúde pelos quais, em razão da idade, temos enfrentado, e aqui abro um parêntesis para afirmar que mais pela minha parte, que sou mais velho, vem demonstrando como esse carinho, nas vicissitudes permanece inalterado. Fora dos reveses, o carinho também resiste incólume ao tempo e às eventuais e raríssimas intempéries, sabidamente comuns em um longo relacionamento feito o nosso…

Virose

Virose gastrointestinal, ou andaço parecido, bateu à nossa porta atacando a Nina. Confiro que são 03:30 da madruga, desde a meia-noite que estou acordado e ela levanta e corre para o banheiro vezes seguidas para vomitar o que não tem no estômago. Não sei o que fazer e decidi abandonar a minha caminha e sentar na frente do computador, primeiro para tentar aprender como lidar com essa situação e depois para gastar o tempo de insônia induzida até amanhecer e procurar ajuda, se tal for necessário no nosso caso. Recorro à net, mas, conquanto fonte inesgotável, ela é nada tranquilizante e, das desgraças que me atrevo a ler, penso não exagerar, concluo que o momento mundial é tão ou mais inseguro e perigoso, quanto o dos tempos que acabaram desaguando na segunda guerra mundial. A insanidade, a desordem, a demagogia, a estupidez, a estupidez! Bom resultado não trará, decerto…

Sacanagem!

Eis que retorno à sebenta, como era chamado no meu tempo o caderno de rascunhos e exercícios e surpreendo-me uma vez mais nele rabiscando obviedades do tipo 1+2=3! Seguem-se outras afirmações aritméticas do mesmo tipo, sem ter em mente onde raio eu pretendo chegar, e por tal eu acabo desistindo. Desisto das afirmações aritméticas, mas engajo-me em considerações outras: Se nasci com penduricalhos no meio das pernas, sei que sou menino; mesmo que o acaso de um lapso de fabrico me houvesse ter sido feito um homo, eu continuaria a ser menino, não só pela existência desses ditos apêndices genitais, mas porque também internamente não fui dotado da necessária predisposição fisiológica feminina. Afirmações do tipo “Eu sou homem, mas me sinto mulher, trajo como uma e exijo usar os sanitários das menininhas”, é uma tremenda sacanagem, que eu, definitivamente repudio…

Pandemônio

Decorre o mês de outubro, quando deverei, ou não, renovar com a WordPress para mais um ou dois anos de plataforma para as minhas “Mukandas”. Acontece que estou na dúvida e a razão não é o custo da assinatura. O mundo transformou-se num grande pandemônio de estranhíssimos e estúpidos seres, gladiando-se por via das dúvidas que têm da sua própria condição de animais biológicos aparentemente dotados de raciocínio. De repente, a população engaja-se em frenética guerra de raças, credos e filosofias idiotas em espetacular retorno a tenebrosos tempos que, julgávamos, estariam sepultados nos livros de história. Escrever sobre qualquer assunto, pode muito bem conduzir o autor a sérios dissabores, já que a censura deixou de ser aquela censura que conhecíamos, para atingir abrangências nunca imaginadas…

Carrilhão

A grandiosidade do Convento de Mafra, concedo, não mais só por si me arrasta a repetir-me em visitas. Mas lá voltei para, finalmente, escutar ao vivo e de pertinho seu carrilhão de dezenas de sinos em mais um concerto de domingo. Claro que gostei muito, mas não muitíssimo, na medida em que, aparentemente, minha audição está em franca queda, a julgar pelo meu julgar o som dos enormes sinos meio abafadinhos! Achei-me, pela primeira vez, convencido que, a contragosto e caso continue, como desejo, entre os vivos, precisarei de um desses amplificadores de ouvido…

En Garde!

Em tempos de tanto ódio destilado nas redes antissociais, ficar na defensiva é preciso, porque de repente, não mais que de repente, as coisas poderão azedar por simples opinião pessoal sobre qualquer assunto, mesmo que aparentemente ausente de polemicas discussões…

Perguntaram noutro dia

Se eu sabia perdoar,

Eu disse que dependia;

que resposta poderia eu dar?…