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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Promessas

Ponte D.Luis

Minha veneranda e invicta cidade do Porto eu não vi. Nem senti das velhas estruturas a mágica vibração ao cruzar a ponte D. Luis para o cais de Gaia. Ficou apenas na saudade o habitual tour para espraiar a minha vista pela foz do Douro, receber no rosto o vento forte cheio de promessas sempre renovadas. E promessas não houve, não haverá, pelo menos este ano. O ano que vem é amanhã, promessa para ninguém…

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Aprendi…

Reflexos Castelo Vajdahunyard

…que visitar países e seus monumentos integrado a grupos guiados, nada tem a ver com quem é de fato aficionado por fotografia. Por outro lado, se o guia é dos bons e o frustrado fotógrafo tem algum interesse por história universal, as aulas diante do fausto dos palácios ou de obras que lembram a crueza e estupidez da guerra, da ocupação, da submissão pela força bruta, etc.,poderão até terminar como inesquecíveis! Não me arrependo desta aventura pela europa central, com que comemoramos, eu e a minha mais-que-tudo, nosso meio século de vida em comum.

Sinto-me muito longe de pretender usar este espaço para descrever quaiquer peripécias das muitas que vivemos nesta semana de verdadeira maratona desde Budapeste até Praga, através das estradas da Slovaquia, Austria e República Checa. Aos poucos, subirei para o Flickr algumas da fotos realizadas a duras penas, que não raramente me obrigavam a correr que nem louco ao reencontro do grupo perdido e da bronca pelo atrazo provocado…

Foto “Reflexos do Castelo de Vajdahunyad” por Nelsinho

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Houston

É fato que a Houston City falta bastante do charme de outrora. O balanço entre o que gosto e o que não gosto, que foi n´outros tempos largamente positivo, só tem caído a cada visita. Prefiro abster-me de tentar uma explanação do porquê desta constatação que, aliás, acredito seja válida para a América como um todo. Que mudou, mudou…para muito pior e em todos os terrenos. A América é hoje um alfobre de traidores apátridas e o paraíso de uma parasitagem organizada e confortavelmente relaxada à sombra do “politicamente correto” e do que resta de desiludidos mas ainda esforçados pagadores de impostos.

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A curiosidade leva-me ocasionalmente às correntes de mensagens que rolam no twitter. Desfolho algumas besteiras da Joan Rivers, passo rapidamente sobre o nada de interesse das violinistas Sara Chang e Maxine Kwok-Adams, pela Yoani Sanchez e suas frases de ilhoa-esperança-que-talvez-um dia…que nunca chega. Depois detenho-me eventualmente em algum dos twits do Ancelmo ou da Patricia Kogut, sem no entanto me sentir propelido a realmente tomar parte nesse jogo.

Acabo mesmo por convencer-me que a culpa é do Millôr. Na minha conta anterior que acabei matando, eu era muito mais presente e o Millôr tinha muito a ver com isso. Tanto fiquei seguindo e tietando silenciosamente suas frases e afirmações, que de repente me enchi de coragem e passei a disparar algumas tiradas da minha lavra diretamente ao @famoso. Até que um dia, há sempre um dia, eu li algures o terrífico e acachapante statement do mestre: “Chato, é um sujeito com mais interesse em nós, do que nós temos nele”…

Em matéria de twitter sou, pois, um substrato de porra nenhuma e eu deveria envergonhar-me de ter como único seguidor (de quê, por Deus?), pelo menos até este momento, a maestrina Ligia Amadio, diretora da Orquestra Filarmônica de Mendoza, de quem sou admirador!

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Rónai

Que toda a unanimidade é burra, é uma unanimidade. Por isso Caetano está a anos-luz de o ser. Sabe muito bem ser polêmico e prima por exteriorizar seus pensamentos sem muita preocupação com a intensidade e fontes de origem das reações às suas afirmações, convicções, opiniões. Caetano ocupa um lugar especial entre as figuras da minha preferência e admiração neste país. Mesmo quando, não raramente, discordo de suas posições, respeito-o todavia, porque é notável a bagagem de cultura que carrega consigo. Na sua coluna de hoje, no Globo, fala de Paulo Rónai, após ler “Como aprendi o português e outras aventuras”. Suas linhas iluminam de forma até emocionante, a memória de um homem de letras que é um ícon brasileiro da língua portuguesa, que todos nós reverenciamos.

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Redes sociais

Tempos ímpares são estes nossos tempos! Antigamente, os intelectuais, pensadores, políticos, jornalistas de opinião,  degladiavam-se em páginas de pequenos jornais, em folhas de manifesto, ou reunidos em tertúlias. Os insultos, difamações, destrutivas e infames campanhas eram até comuns, mas num pequeno universo. Agora, populações inteiras o fazem, numa dimensão jamais imaginada e de forma até letal – ver os suicídios diretamente causados por campanhas de desmoralização pessoal, agora chamadas de bullying.

Confesso não gostar do Face Book, embora nele eu tenha uma conta onde dou conta aos amigos por meio de links, que postei algum texto no meu espaço. Mas reservo-me o direito de não ler, de não circular no FB a não ser por alguma razão especial e sempre usando respirador individual para evitar o mau cheiro no momento de destampar.

 

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A Pose

nelson sepia

Foi, sim, uma má notícia a decisão da Cora Rónai de fechar o “InternETC”! O Blog que sempre serviu de paradigma para as minhas atividades na blogosfera, está sendo por sua autora desativado, pelo menos nos moldes em que por tão longo tempo o frequentamos. Resta-me agradecer à Cora por tantos anos de delicioso blogtequim e por sua amizade por nós tão prezada.

A foto acima foi feita no studio “Foto Cine” pelo meu pai, teria eu os meus vinte anos. É óbvia a pose marcadamente Humphrey Bogart que assumi para ser fotografado. Tal como Bogart, se me tirassem o cigarro eu não saberia onde meter as mãos! A foto, perdida sabe-se lá por onde, chegou às minhas mãos em petição de miséria, praticamente inutilizada pelo tempo. Digitalizei e rememorei a arte e paciência do meu saudoso Old Man reconstruindo-a no foto shop. Não estará com a qualidade que certamente sairia das mãos do meu pai, mas fiquei contente com o resultado.

UPDATE
Pessoas: A Córa Rónai voltou atrás e, para o bem de todos nós, seus leitores e amigos, o Blogtequim fica!!! 🙂

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Acomodando-me uma vez mais sobre a poltrona acolchoada com a maciez dos meus descreres, observo a massiva manifestação de fé, ao vivo e com todas as maravilhosas e contrastantes cores do Rio de Janeiro durante a missa do Papa na praia de Copacabana. Tal como em imagens que me foram em outras ocasiões oferecidas na TV nas quais multidões compactas de peregrinos aglomeravam-se em Meca, em Fátima ou mesmo no Vaticano, surpreendo-me engasgado por infinita e incontornavel emoção! É real, legítima e inquebrantável a fé que move essas multidões!

Recuso-me e sacudo-me para livrar-me de qualquer rótulo. Nem ateu nem agnóstico nem crente. Sou exatamente o que sou e assim morrerei: Ensinado a temer nunca soube o quê por via de tradições centenárias familiares e dos longos períodos de doutrinação e catecismo, teria de trocar de alma para lograr apagar todos os resquícios desse aprendizado. Nunca me senti de fato interessado em encetar uma espécie de revolução interna que incluísse uma autolavagem cerebral no sentido de eliminar o que em mim existe ancorado e em repouso.

Um dia após o outro ao longo das minhas sete décadas, a leitura, a meditação e questionamento, fizeram de mim um crítico de todas as religiões, sem exceção, que acuso de propensas ao radicalismo, especialmente quando aliadas a forças de estado, responsáveis pelos mais vergonhosos banhos de sangue da história da humanidade. Reconheço também que é exatamente nos países com os menos religiosos cidadãos do mundo, onde o nível de vida e assistência propiciados em troca do trabalho, desde o nascimento até à velhice, é mais elevado e justo.

Mesmo assim, concluindo, posto que sou dotado de uma alma gentil, sensível e com algum recheio filosófico, o nó na garganta sofoca-me e os meus olhos vertem na presença da comovente fé de quem crê…

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Rótulos

Meu peito está engalanado de fios ligados a eletrodos e a um bric-à-brac que me pende da cintura, onde se espera, leiam e interpretem as pequenas e grandes misérias do meu funcionamento cardíaco. Mas parece não ser só cardiopatia, labirintopatia, apatia, telepatia e outras antipatias que me afligem. Agora, dizem, eu sou um feliz portador de novo rótulo: Pré-diabético! Então que seja, porque qualquer rótulo não chega nem perto do definitivo: “Defunto”.

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Sonho…

Dreams

…mas meu sonho é espúrio, medonho sem chegar a pesadêlo, irreal como os sonhos não devem ser, apavorantemente doce, de tão amargoso. É o fel que flui d’onde não deveria…ou será que deveria? É o fel nas linhas mal redigidas das notícias da UOL! Na cretinisse mal intencionada dos senhores das malditas coisas políticas. Ah! A mulher que escala montanhas…ela disse que é “Pilôta” de helicóptero e que espera escalar cada uma das montanhas nos sete (7) continentes…não sei se deste planeta ou de outro também! Ah, sim! Há barulho, muito barulho, bárbaro, esquisofrênico-iconoclasta-ectoplasmico-anacoluto, diria o Capitão Haddock. Um porraloucático xispêtêó madrugadóide de agressão hiperssonora em picos descomunais de escabrosos decibéis muito acima da escala estabelecida. Como nada é tão ruim que não piore, logo aos sons da selva se juntaram instrumentos outros que berravam “tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá…”. Concerto para funk e metralhadora! O caos é aqui, senhores, no pesadêlo do meu acordar! A minha mais-que-tudo ligou nosso jurássico condicionador de janela, cuja vibração e ruido contínuo salvou o resto da noite. “Bendita seja”, pensei já nas núvens. “Ela ligou o botão do foda-se”!…

Alta madrugada, Niteroi, Rio(de quê?!)Janeiro, Brasil

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