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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Terminus

Definitivamente, não há em mim réstea de estímulo ou alento para manter este espaço. Tal como o primeiro “Mukandas” no seu tempo, esvaziou-se qualquer razão dele existir. Por isso, cerram-se a partir deste momento suas portas e deixam-se temporariamente as janelas abertas para quem se interessar a espreitar…

Update em 18/12: Haverá cura?…

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Avós

ne nankin

Meus avós, recordo, eram muito velhos. Agora, sabendo-me a caminho de ganhar o meu quinto neto, retrocedo no tempo para constatar que os meus “velhos” avós tal como me lembro deles, eram, ao tempo, mais jovens do que sou hoje. A sobrevivência afastou-nos, pouco convivi com eles, mas, se bem me lembro, nunca me senti profundamente afetado por isso. A grande roda girou e a tal da sobrevivência, que é atemporal, determinou que os meus quatro netinhos nascessem, crescessem e permaneçam afastados de mim. Já aprendi que eles, tal como eu em criança, não se sentem realmente afetados por isso. Mas também aprendi, amargurado, que a recíproca não é a verdadeira…

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Foto Jose Barreto

Foto: José Barreto

Sempre ligado às facilidades da modernidade, passei a adquirir as minhas leituras diretamente para o meu “Kindle Fire”. Mas, confesso, em que pese a grande praticidade, o livro de papel conserva a meu ver e sentir, um charme que nenhuma traquitana eletrônica será capaz de superar. Passando a vista pela estante, retirei e dei em reler de forma randômica, passagens escritas pelo meu querido amigo Valdemar Aveiro no ultimo dos seus livros, “Murmúrios do Vento”, em que descreve com paixão sua paixão pelo mar em riquíssimas peripécias de aventura e sacrifício vividas em sua carreira de Capitão dos navios de pesca ao bacalhau nas geladas, inóspitas e perigosas águas da Terra Nova.

Verdadeiras epopeias foram vivenciadas ao longo de décadas por homens rudes de extraordinária resistência e valentia ao ponto de enfrentarem ao longo de muitos meses as agruras extremas da pesca solitária à linha a bordo de seus dóris a remos, sempre sujeitos a serem surpreendidos por súbito mau tempo e se perderem para sempre dos seus navios. Depois, vinham as longas horas de processamento de todo o pescado, as condições precárias, a pungente saudade dos seus queridos…

Ao Capitão, a capacidade de aglutinar na sua pessoa a doçura para confortar, a personalidade fortíssima para disciplinar, o profundo conhecimento para navegar, o misto de sapiência, atrevimento e sorte na liderança da faina de forma a carregar seu navio com o precioso pescado, garantia da sobrevivência de inúmeras bocas. A minha admiração por esses homens vem de muito pouca idade, quando frequentava a Escola Industrial e descia ao rio Douro para tentar ir a bordo dos navios em preparação para zarpar.

Ver Link  https://mukandasdonelsinho.wordpress.com/2011/06/18/lugre/

Ao Capitão Aveiro, grande marinheiro e escritor, o meu respeito e agradecimento pela amizade.

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“Se um animal tem de ser abatido para me alimentar, eu não me alimento”. A afirmação, de um colega de trabalho, é autêntica e sincera. O fulano não come mesmo um grama de nada de origem animal. Mas entope-se de vegetais fritos, empanados ou não, principalmente bananas. É gordo, tem todos os colesteróis alterados e a glicose elevada em razão da ingestão de todo o tipo de doces aos quais é incapaz de resistir.

Acabei de ler uma peça que deveria deixar-me extremamente enojado e sem condições de comer carne de qualquer tipo de animal, especialmente carne bovina moída para hamburger. Ora, eu simplesmente detesto hamburgers, carne moída em geral e MacDonalds em particular, que não me descem pela garganta de jeito nenhum, além de comer carne vermelha muito raramente. O livro, intitulado “De Gados e Homens”, escrito por Ana Paula Maia, de quem nunca ouvira qualquer referência, inferniza a consciência e o estômago de quem gosta e consome picanhas, alcatras e cupins. E faz isso, levando-o aos corredores da morte de estranho e pavoroso abatedouro algures na selva, que usa métodos selvagens aplicados por selvagens sanguinários e homicidas. Nessa espécie de Serra Pelada do abate, o executor faz o sinal da cruz e encomenda a alma do animal antes de desferir uma marretada na sua cabeça. Leitura boa para ativistas vegetarianos.

Há uns três meses, descobri-me diabético e cheio de problemas cardíacos. Muito acima do peso, reconheci ter de enfrentar uma mudança radical nos meus hábitos alimentares de formiga. Aboli o açúcar, reduzi ainda mais o sal, passei a comer apenas um pãozinho migalha por migalha no café da manhã, a entupir-me de legumes, frutas e quejandos, arroz integral e tubérculos em doses reduzidíssimas. Como animal de presa, alimento-me com alguma carne de aves e peixes e ocasionalmente, um pouco de carne vermelha estufada ou grelhada. Perdi 15kgs, a barriga e o estômago desapareceram, os problemas hepáticos se foram, a glicose caiu a níveis quase normais, colesteróis mais que aceitáveis. Espero, com todo este esforço dietético, lograr alguma sobrevida…

Nota: Ana Paula Maia é autora de cinco romances

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Furólogo

O urologista, amor,
é o meu terror,
fico de sangue gelado…
…quando ele insiste
em vir de dedo em riste
e me deixa assaz vexado…

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“Fim”

Li e bebi no dia de ontem, de um só fôlego, o livro da Fernanda Torres. O texto, confesso, deixou-me nos apertados sapatos do septuagenário que resiste a reconhecer a realidade crua e nua de que o caminho está chegando ao seu termo e insiste em gastar seu parco saldo de vida e o que lhe resta de saúde trancado em longos períodos diários de trabalho, longe do mundo que lhe poderia dar de fato algum prazer neste vale de lágrimas. O “Fim” chegará, inexorável, tanto para os que encontram a suprema glória e gozo na esbórnia das longas noites etílicas dentro de puteiros infectos, como para os que como eu, levam vida dita regrada, familiar, monogâmica e mais ou menos careta.

Senti-me cansado ainda cedo e adormeci rapidamente, apenas para voltar a acordar duas horas depois, de bexiga estourando, e ficar tempo interminável no escuro, de bilau apontado por radar buscando o relaxamento e alívio completo, enquanto pensamentos atrozes me assaltavam. Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto, Ciro, suas esposas e putas…o álcool, drogas, andropausa, despirocação geral, broxite aguda, inchaço de próstata, sistema cardíaco descacetado. Que vida de merda, esta nossa vida de machos estupidamente ufanos e fracos que termina de forma tão inglória! Voltei para a cama, onde a minha santa mais-que-tudo dormia o sono dos justos e sortudos. Ela, pondero, é sortuda porque não tem próstata para inchar nem tem um pau para endurecer…

“Será que teria sido melhor haver nascido mulher?” Foi meu pensamento antes de adormecer, finalmente.

Fernandinha: Você mexeu demais comigo, porra!

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Enquanto uma vez mais colocava na balança os prós e cons de dar largas às ganas que me cutucam para abandonar o blog “for good”, ontem redigi e postei o texto abaixo. Menos de meia hora após, retirei-o. Porque o retirei? Posso tê-lo achado muito fraco e/ou ter-me sentido mal por sabê-lo contrário às minhas próprias utopias. Afinal, recuso-me sistemática e terminantemente a eliminar uma lagartixa que tanto pavor infunde à minha companheirinha. O meu argumento é sempre o mesmo: Porque haveria eu de tirar a vida de um habitante do planeta que não ameaça a minha?”. No entanto, na qualidade de animal a quem a Natura deu presas, não hesito em alimentar-me com a carne de habitantes do planeta!

Agora a sério: O caso dos Beagles é escabroso! Uma turba ululante e violenta atribui-se autoridade para invadir propriedade privada, rouba os animais, rouba mídia de computador com resultados e relatórios de pesquisa, destrói o que não pode ou não quer transportar e pronto! E acham que não houve CRIME!!!!!

O texto que retirei ontem, exatamente como estava:

“Se…
…seres biológicos que vivem e sentem, não deveriam ser sacrificados para alimentação;
…seres biológicos que vivem e sentem, não deveriam ser sacrificados para desenvolver medicamentos,
Então,
O ser biológico bípede que assalta e destroi laboratórios para deles roubar seres biológicos da sua predileção com o intuido de livrá-los do seu crudelíssimo destino, deveria seguir fielmente dois preceitos básicos(?):
– Invadir matadouros e soltar todos os bichos que estão no corredor da morte
– Invadir as farmácias e destruir todos os medicamentos que hajam sido desenvolvidos e produzidos em laboratório
(pensamentos que me assaltam)”

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Adrift

Os dias fluem para o estuário das semanas e deixo-me carregar ao som das águas como um destroço inerte, sem vontade própria. No espaço para mukandas, mukandas não há. Se não as há, o que pode justificar um espaço ao abandono, a monte, onde nem ervas, daninhas ou não, dão em nascer e medrar? Sim, o blog está agonizando, nas vascas da morte e eu, pelo menos no momento, não sinto nenhum interesse em levá-lo para uma sala de reanimação. Injeto-me uma derradeira dose de “Mas quem sabe amanhã, ou depois de amanhã não será diferente?” e levo ainda mais adiante o meu estado de letargia…

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Dúvidas

Este lugar resulta um gelo de afetividade. Porque nossa afetividade resulta afetada pela fria lacuna que se expande a cada dia que passa, penso que devo radicalizar em possivel mudança renovadora. O “timing” para a mudança parece ser, todavia, o xis da questão. Sinto que urge, mas não sinto coragem para atender a urgência. Aliás, Sinto-me como se me não sinta. Isso me leva a beliscar-me amiúde. Testo-me, porque tendo a desenvolver dúvidas sobre minha presença em mim. Depois, ela, sempre ela, acaba por me fornecer provas de que sim, sou eu próprio envergando minha própria pele, sempre coberta com armaduras de dubia proteção…

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