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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Não nego minha admiração por mulheres inteligentes. Inteligentes e que tenham a inteligência de saber usar a inteligência. I mean: Ter um QI fodástico não basta para ser irresistível. Mas confesso que não faço nenhuma ideia de como nasceu minha vontade de falar das mulheres inteligentes, nem sei como dar continuidade a este texto. O mote deve ter origem em algo que li, ou será porque adoro mulheres que escrevem um texto bem temperado com deliciosos palavrões, assim tipo da minha querida Vanessa Ornella, ou da Cynthia Feitosa, ou ainda da Mariliz Pereira Jorge, todas elas desbocadas-inteligentes. Ou serão inteligentes-desbocadas…

Só não gosto quando elas perdem tempo a escrever sobre ou mesmo a apedrejar político. Jogar pedra em político tem o mesmo efeito que jogar pedra num poço de merda.

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Despedida

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Devo reconhecer-me macambúzio nestes últimos dias dos poucos dias que me separam do meu novo e aterrador status. Por enquanto, acho-me caminhando para o cadafalso onde serei executado como elemento produtivo, útil, útil…até que a minha cabeça role no patíbulo e pronto.

Não culpo ninguém, todavia, porque é orgulho meu o indelével orgulho de haver sido prestigiado pelos meus empregadores e colegas de trabalho até ao derradeiro minuto. E esse derradeiro minuto acontecerá porque foi minha e tão somente minha própria vontade e decisão de retirar-me, após dezenas de anos de dedicação e luta nos campos de petróleo no meio do mar, ou mais recentemente, em projetos ao petróleo ligados. Aos que comigo trabalharam, os meus riscos enfrentaram, me apoiaram e prestigiaram, recebam o meu reconhecido agradecimento.

Agora, cruzemos essa fronteira, mesmo que por uma vereda psicologicamente agreste, para que iniciemos uma nova era de atividades amenas e dedicação às amadas letrinhas. Assim falei hoje.

Agora, que meu tempo está no fim

e vejo a porteira mui cerca de mim

para que por ela eu saia sem retorno,

À fé que meu coração dá em disparar,

sinto que é mais pesado o meu respirar

enquanto meu olhar passeia em torno…

 

 

 

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Amazing

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O celular gritou a chegada de uma mensagem no whatsapp, interrompendo a algazarra atroz do meu silêncio, que até agora apenas de forma suave era aqui e ali quebrado pelo digitar no teclado, das ordens para as funções no Autocad.  A mensagem era de um colega no  descanso do seu fim de semana e continha um vídeo que me dispus a abrir para alegrar meu sábado de trabalho solitário. Rieu, no habitual e estrondoso ápice do seu gigantesco show, lançou no ar as notas singelas de “Amazing Grace”, geradas pelos violinos, flauta e instrumentos de fole .  A enorme sala de engenharia completamente deserta e sombria iluminou-se, pondo a descoberto todos os seus e os meus  fantasmas, que flutuaram até junto de mim para consolar-me no meu patético choro. Conto nas duas mãos os dias que restam para o meu farewell  a este espaço bagunçado e a tal ponto familiar que, por antecipação,  já sinto sua falta como uma severa perda…

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Meus olhos

O olhar que encontro no meu olhar

não é igual ao olhar que tinha d’antes

Acho-me inexpressivo no meu fitar

Meus olhos sem brilho e a lacrimejar

parecem inquietos. Irrequietos. Errantes

 

Reconhecer-me a mesma pessoa não é tarefa fácil quando, quotidiana ocorrência, me acho em frente a um espelho para tarefas de higiene pessoal. Descrevi em outras ocasiões, de forma mais ou menos contundente, a que ponto me perturba descobrir uma mancha de pele que juraria haver aparecido nas ultimas horas, ou verificar que o pneu que tinha estourado voltou a inflar. O mais novo foco de desgosto são meus olhos, depois que duas pessoas de família muy amigas me dizerem que as cirurgias às cataratas me deixaram com olhos de chinês. Terei eu olhos de china? Mesmo? Tem cura? Mesmo na minha idade?…

 

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“…Vaguear pelo absurdo revitaliza-me, pela via do que de mais absurdo tem a minha absurda alma. O absurdo contém doses massivas de ilógico, profilática medicação contra os males da fria lógica que contamina e aflige o meu cotidiano.”

O pensamento acima encontra-se em algum ponto de um projeto de livro que poderá jamais passar de projeto. Discorro sobre as minhas longas caminhadas pelos absurdos que povoam o meu mundo interior e que, não raramente, levam a choques frontais em belicosos momentos nos quais sou destratado por mim próprio, vítima e algoz. Mas são também frequentes os acessos de puro gozo numa cadeia de orgasmos seguidos, ao explorar-me nas minhas fraquezas enquanto exploro as fraquezas dos que me cercam no grande circo.

 

Acabo de cair na gargalhada com a sonora flatulência do aussie da báia ao lado, seguida de um…”Oh Dear…”, logo emendada noutra ainda mais ruidosa, imediatamente coroada com um “Ohrrrrrr! Fuck me dead!!!!”. Estou até agora na dúvida por qual dos orifícios…bom, deixa pra lá!

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Desabafo

Vejo-me decair e isso não é somente coisa da minha propensão de raiz lusitana para dramatizar e transformar os meus sofrimentos em lamentosos blues em prosa e verso. Desde que virei os setenta, perdi imediatamente o meu tão querido status de sexagenário, essa palavra lindíssima que me massageava a alma. Essa perda influenciou por si só uma enorme queda na autoconfiança que havia logrado manter ao longo da finda década. O portal abriu-se, enfim, de par em par, para acesso a uma outra dimensão. Nela, na nova dimensão, algumas dimensões encolheram, enquanto que as mazelas físicas e químicas tiveram substancial aumento. No campo psíquico, prefiro refrear meus conceitos, já que não me tenho a mim próprio num conceito muito positivo…

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Despertar…

alvor (7 of 1)

 

Deixara os sapatos do lado de fora para não conspurcar o recinto e fora entrando, penetrando vagarosamente, como se desvirginasse o impossível. Nenhuma resistência encontrei, tal a complacência e passividade daquele impossível. E assim, fui abrindo o caminho através dos vários e vários níveis possíveis do meu impossível, até desembocar num espaço feericamente iluminado por rubras luzes. Abri meus olhos e os olhos à minha alma para que ela testemunhasse que acordei, que acordei, que acordei uma vez mais. Senti saudades do meu casulo, da minha mais-que-tudo tão ardentemente presente no frio vazio que tateio ao meu lado na cama. Mas senti em seguida uma grande alegria, ao constatar que vivia, que o coração batia, que o pensamento fluía, enfim, que eu existia!!…

Os tons são de rubro, as águas tão irreais…

Feliz eu me descubro, feliz até demais…

Que diacho posso eu querer mais?!

 

(Originalmente postado no FB)

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Fins…

A sexta ao fim da tarde pôs temporário fim às angustias de uns, após alguns outros angustiados haverem sido saídos mais cedo, com ordem de marcha para a legião de desempregados que não para de crescer. Desemprego, desesperança, desengano, desilusão pela esculhambação que não tem explicação, ou tem explicação na esculhambada situação de uma nação que teima em ser uma riquíssima-pobre-nação!

 

Fim definitivo e inesperado teve a minha tia Maria do Céu, a nossa querida Mariazinha, irmã caçula da minha mãe apenas três anos a mais que eu. Com ela, no espaço de apenas cinco meses, desapareceram quatro pessoas próximas e muito queridas, incluindo seu marido e o seu irmão Antoninho. Traumático continua a ser o passamento repentino do João, irmão da minha mais-que-tudo, acontecido também em Outubro passado.

 

Os óbitos de familiares e amigos sempre me abastecem de combustível para erguer voo de forma até agora momentânea, em direção à almejada e efetiva aposentadoria e dedicação aos projetos pessoais para os quais teimo em deixar minguar o minguado tempo que me poderá restar…

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Enfermidade

Abandonar-me ao desinteresse foi, reconheço, a mais negativa das minhas reações ao longo deste período de saúde vergastada por maus funcionamentos e emergências médicas. No entanto, como nenhuma dessas emergências médicas se apresentou, pelo menos até este momento, iminentemente letal malgrado a importância e perigos envolvendo arritmia/flutter, fibrilação atrial, devo obrigar-me a retornar, retomar trabalhos, leituras…

Não sinto, por enquanto, muita coragem de voltar a brincar de imortal, filosofar em torno da finitude e da minha capacidade de fingir que não é medo o medo que naturalmente sinto.

Tenho a mão direita inchada

por por tantos  dias agulhada…

Ainda meu corpo sinto dorido

Por tantos dias na cama estendido…

A mente sinto como que paralisada

Por tantos dias sem ser usada…

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Crise

Ah este meu jeito dramático, dramático, que tem fonte certa e em nada me ajuda. Gostaria de não dizer-me doente, mas se não o disser fico ainda mais doente, porque à fé que doente deveras me sinto. Decerto que desta vez não minto. E não minto, porque meu fair play parece extinto junto com os intrínsecos poderes que até há pouco, há pouquinho, julgava conservar.”

O parágrafo acima saiu-me para o teclado no começo da semana passada, a meio de uma violenta crise urinária acompanhada de dolorosa crise do foro hemorroidal, insuportável dualidade! Medicado e com cirurgia já marcada, procuro as formas menos dolorosas e confortáveis de sentar e desenvolver alguns textos que possam enriquecer e tornar viável a tão desejada publicação.

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