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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Aqui vamos nós por este caminho,

mão na mão, coração no coração…

envelhecendo assim, deste jeitinho,

com carinho e compreensão…

 

Aqui estamos nós, sempre ligados!

Às vezes ternos, sorrisos largos…

Às vezes amuados ou até zangados,

viramo-nos até as costas, amargos!…

 

Mas depois tudo volta ao seu lugar

que a bonança nunca  é de tardar

e as tormentas são de curta duração.

Encaremos então a crua realidade,

que tudo tem um prazo de validade;

E, como  a vida não é uma exceção…

…vivamo-la com toda a paixão!

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A Muqueca

Dia chuvoso e frio, magnífico para sentar no conforto do lar, explorar a interneta em tudo o que seja feliz, feliz, que é como quem diz, que não fale de miserandos políticos e suas matreirices de raposa que se locupletam descaradamente com o produto de quem trabalha. Eu não mais trabalho como trabalhava, que é como quem diz, não faço porra nenhuma que acrescente alguma significância ao bolo escamoteado pelos tais filhos-da-puta estranhamente lá colocados por quem gera o tal bolo que alimenta os tais filhos-da-puta e assim sucessivamente…
 
A Nina comprou um dia destes um par de exemplares de Red Fish pescados nos bancos da Terra Nova e depois feitos tijolos híper congelados a tal ponto, que mais pareciam haver sido criogenados em N2! Ora o Red Fish – vermelhinho como o nome sugere, é o pitéu preferido de um dos pitéus preferidos de lusitanos feito eu: O voracíssimo bacalhau – ou cod fish, que é pro Red Fish não ter de ir ao dicionário. Com os vermelhinhos, a Nina cumpriu o que havia prometido experimentar e preparou para este invernoso dia, uma mukeka dos deuses, que não tenho dúvidas em situar entre as melhores que já provei, desde os tempos em que se viam aves voando de costas! Aprovadíssimo!…

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Hoje é Domingo – dia semelhante a todos os outros dias dos meus dias de simples mortal ex-extremado destemido trabalhador dos poços de petróleo no meio do mar, presentemente reduzido a um far niente tão ou mais mortalmente perigoso que o exalar de H2S pela boca escancarada de uma mesa rotativa. Acompanhado, como sempre, da minha +quetudo, subi esta manhã a chuvosa, nevoenta e fria mas sempre maravilhosa serra da Arrábida em andamento lento e meditativo, arranhando prazeirosamente enquanto conduzia, a costura da perna do jeans dela, como se harpejasse as cordas da “outra”…

E ela ali está agora, ao alcance do admirar do meu olhar – mudo e respeitoso olhar! O instrumento guitarra que estou a anos-luz de dominar ao nível a que me atrevo imaginar dominar. Estudo acordes que a minha mão não logra alcançar, digito exercícios de solos impossíveis para meus artríticos e emprerrados dedos, comandados por um cérebro que julgo reduzido a meia dúzia de heróicas estoicas remanescências neuronais, as quais bombardeio a cada momento com pentatônicas que sempre acabam em frustrantes cacofônicas… Voilà!

Frustrado por insuportável e vexante sentimento de insuficiência neuronal, insisto todavia e prossigo no uso dos energéticos suplementares que logro separar e extrair das minhas próprias vaidades, para auto alimentar-me, autoalimentando meu ego. Por isso eu sonho com mais fancy guitars que eu possa pendurar nas paredes do studio. Isso é, em última análise, um alimento para as tais minhas vaidades, enquanto tento convencer-me a mim próprio e as pessoas do meu núcleo, de uma hipotética proficiência musical que na realidade atualmente não possuo…

 

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Escuta!

Tão pequena é minha voz

e de rouquidão atroz

que mal se faz ouvir;

Quisera fazer-me escutar

e a voz plena gritar

o que a alma está a sentir…

 

E o que a minha alma sente,

meu coração não desmente

e bate forte em descompasso

Nestes tempos de ira e perigo

Escolho os caminhos que sigo

e testo o terreno a cada passo…

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Rolas&Periquitas

Rolas e Periquitas têm tudo a ver umas com as outras, separados que sejam os casos em que nada têm a ver umas com as outras. Nos vinhos, são ambos tintos excelentes e, no meu caso, não nego ser homem para, a um bom jantar, tomar Rola nas entradas e não dispensar Periquita no decurso da função. Ou vice versa, para não ser mal interpretado…

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Dia fúnebre

Cansados, olhamo-nos em muda recapitulação de um duro dia vivido em meio a emoções fortes e mais de oitocentos quilômetros rodados no nosso pequeno C3. Filtramos os eventos, a reunião dos primos raramente vistos, as tradicionais cerimônias fúnebres na Capela, seguindo-se a missa de corpo presente na nave principal da gigantesca e bela Igreja do convento de Santa Maria de Salzedas, com seus quase mil anos de construida, o lúgubre cortejo com tanta gente da aldeia em silenciosa caminhada pelo longo e íngreme caminho calçado a granito polido por gerações, em direção à derradeira morada, no monte da Senhora da Piedade.

“Não quero nada daquilo”, disse, quebrando o silêncio; “Cremado sem cerimoniais, por favor; Sem missas, sem encomendas filsóficas ou religiosas. Depois, soltem as cinzas ao vento, preferencialmente no mar.”

Dito isso, rendidos, deitamos e dormimos, enfim, já alta madrugada…

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RIP

Tia Amelinha era, tal como sua mãe, minha avó Preciosa, uma mulher franzinita de aparência frágil mas de surpreendentes reações de fortes a fortíssimas, que raramente aceitava levar desaforos para casa. Ela ajudou na minha criação, num período de agudos problemas familiares de saúde e resultantes impactos econômicos e por isso conservo páginas sem conta de recordações de infância em que ela é muito presente. Procurei descansar o espírito há dois dias atrás, espraiando meu olhar pelas belíssimas serranias em torno daquele hospital em Vila Real de Trás-Os-Montes, buscando na Natureza a conformação para a inevitabilidade da finitude, ditada pela mesma Natureza que tanto os olhos e a alma delicia. Tia Amelinha franzinou-se a um fio, com sua vida por um fio, ligada a tubos e máscara de oxigênio. Restam as recordações que fluíam enquanto admirava as profundezas do vale do rio Corgo.

Agora chegou a temida nova: Tia Amelinha partiu, finalmente…

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Duvido-me

 

Pergunto-me com frequência

da minha vida a realidade

Se é embuste minha existência

ou se existo mesmo, de verdade.

 

Tenho por dúvidas coisas tais

que me belisco ao acordar

Questiono-me por demais,

mas respostas, eu não sei dar…

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Gary

Quem somos

 Porque viemos

 Nalgum lugar apercebi

Que existia razão

O sonho de uma existência

Um sentimento rodeado de paixão

Do ponto de partida me afeiçoei

Do ponto de partida me aperfeiçoei

Pelo caminho desvendo olhares

Nesta estrada encontro lugares

Ao desenhar desmistifico

Ao pintar um mexerico

Já posso dizer

Que desta procura

Encontrei um lazer”

(Gary Richard)

 

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Gary procura a Arte nas palavras, no desenho, nas colagens, na pintura. Enquanto o faz, surpreende-se encontrando a si próprio no mais recôndido da sua Alma. Nesses encontros, depara-se, encantado, com a criatividade incólume e atraente, como uma maravilha muito sua que logrou sobreviver…

 

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Parabolica

Se o tema de alguma conversa for vinhas, o que emerge na mente é a inesquecível infância e as férias plenas de recordações, diversão e nem tão poucos medos, nas vinhas do severo avô Oliveira, debruçadas sobre os sucalcos esculpidos a braço nas acidentadas cercanias de afluentes e subafluentes do rio Douro! Setenta anos depois, aqui, nesta pequena vinha em topografia muito menos acidentada ao sul do Tejo, as videiras continuam a exigir os mesmos procedimentos, tratamentos e preocupações daquela época. O não usual, é que o mesmo homem que poda, enxofra, sulfata e acaricia todas essas fiadas de plantas viníferas, também projeta, constroi, e ergue sozinho, a ferro, fogo, imensa paciência e paixão, essas estranhas estruturas com que escuta longínquos sinais do espaço, ou bem mais terrenos sinais de voz e morse entre estações de rádio, usando a superfície lunar como reflector. O viticultor cientista, de admirável e aparentemente enesgotável conhecer eletrônico, que tudo produz com suas próprias mãos e nada compra feito salvo componentes de eletrônica, é também um artista na fabricação metalo-mecânica. Confesso-me orgulhoso por ser esse fulano tão especial, meu cunhado…

 

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