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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Após o café da manhã, parco como é habitual, o velho casal separa-se como não é habitual. Ela vai para a consulta odontológica e ele vai para onde a leitura o leve de leve a perder-se desta realidade tão drástica que vivemos. A caminhada ficará, pois, para o dia seguinte. Aconteceu que a mulher retornou a casa surpreendentemente mais cedo, misturando as causas do tão cedo retornar com notícias sobre inundações nas unidades acima, causadas pela desatrosa instalação de painéis solares tão custosos quanto inúteis, impingidos pela administração do prédio. Algum pouco tempo depois, soa a hora de almoço e o velho casal senta à alva mesa da cozinha iniciando silenciosamente a função. Até que a voz do homem se sobrepõe ao tilintar dos talheres e dispara a pergunta inesperada, tumultuante, conflituosa, avassaladora:

“Como foi lá na dentista?”…E o céu caiu-lhe em cima da cabeça! Para piorar muito as coisas, o homem não conseguia parar de rir, o que resultou no pranto da mulher, que o acusava de jamais lhe prestar a atenção que merecia e carecia. “Mas…” balbuciava o homem por entre as tentativas de disfarçar o riso; “Eu me confundi com a história da inundação e não me dei conta do que falaste sobre a consulta!”

E lá ficou o velho casal, amuado, calado, desconsolado, porque afinal, a idade dá mesmo para ficar desligado e desatento…

 

 

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São profundas e indeléveis as marcas que a terra africana deixa na gente. No garotão recém- entrado na puberdade que se descobre na fascinante e mágica mistura de odores de identidade única, da pele o mais possivel ao sol austral, das águas tépidas de perturbadora claridade explodindo de vida marinha em cardumes  de taínhas, mariquitas, pargos… O cheiro do mangal, bandos de Flamingos, caranguejos passeando intocados pelas ruas da cidade, as bananas de sabor incomparável, as mangas, a fruta-pinha. Habituar-se rapidamente a dormir com mosquiteiro e com meninas de frenética e excitante dinâmica. Enlevar-se, envolto em mantos prateados suspensos do espaço em luaradas de indescritivel magia, correndo pelas areias, ousado, nú e livre, exultante de  juventude plena de pura felicidade de estar vivo! Maravilhar-se, em ocasiões de escuras noites, mergulhando e agitando as estranhíssimas águas fosforescentes, que fosforescente tornavam o corpo nú!  Ah!…E a muambada com pirão, a funjada, o kalulu com deliciosa corvina seca, o churrasco de galinha com muito jindungo, a galinha de cabidela, a cerveja estupidamente gelada…E a música, o ritmo, a rebita, que levou o que restava das virtudes do pouquíssimo que restava da criança. Kandengue de sorte…

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Feminismo

Num daqueles meus retornos a casa após longo período no mar, enternecido pela volta aos braços das minhas meninas, escrevi:

“Rodeado de meninas minha vida gastei,
Meu universo é feminino…O que ganhei?…
Ganhei doçura pra temperar minha macheza,
Ganhei sensibilidade para enxergar a beleza…
Ganhei belas rosas que não só exalam,
Ganhei rosas que também falam…
Ganhei compreensão pra’s têpêémes aturar,
Ganhei coragem pros meus ciúmes mitigar!…
Ganhei orgulho pelas mulheres que fiz,
Ganhei com elas, o direito de ser…Feliz!”

Depois disso, as “mulheres que fiz” geraram por seu turno mais cinco meninas, havendo apenas um homem para quebrar essa absoluta hegemonia feminina. Porque estes são estranhíssimos tempos, Lucas, único varão no nosso núcleo, terá de aprender a jamais se sentir culpado nem politicamente incorreto pela sua condição de Homem…

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Admiração

 

Captura de Ecrã (26)

Há alguns dias, segui ao vivo  por sete horas a fio o evoluir da dupla de astronautas Christina Koch e Jessica Meir em sua primeira de duas missões seguidas de trabalho externo nas baterias da Estação Espacial Internacional. A operação deixou-me prostrado de cansaço como se houvesse estado junto com elas, flutuando no vácuo, ajudando-as em cada procedimento, no uso das ferramentas para soltar, extrair, depois montar, torquear…

Essas pessoas extraordinárias têm a minha profunda admiração! Desejo à Christina um bom e seguro regresso à Terra, programado para os primeiros dias de Fevereiro, após sua permanência na ISS por cerca de 300 dias!

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Energia

P70

Tempo chuvoso, cor de chumbo, sem chance para fotos com algum brilho. No entanto, ali está um motivo massivo: FPSO “Petrobras 70”, empreendimento ciclópico. Capacidade para produzir 150 mil barris/dia de óleo e 6 milhões de M3/dia de gás natural! Energia garantida, atual, enquanto garantias não temos de todas as outras energias que continuam promessas do futuro. Sem medo de carinhas aterrorizantes à la Chuck the killer doll, nem de esverdeados ativistas políticos de inúteis e demagógicas verborréias…

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Substrato-me

Sim, sou como sou e não adianta dizer que nunca é tarde para mudar; Vou morrer assim, do jeito que sou, com algumas virtudes contrabalançadas por outros tantos defeitos, que resultam no que de verdade sou: Eu próprio! Isso representa absolutamente nada de nada no Universo e tudo de tudo no meu privado e vasto mundo, onde eu me dou a importância máxima, como se um monarca fosse, coroado pelas forças do meu ego. O pior é que, relendo estas linhas, tristemente concluo que, por mais que infle meu ego, resulto achar-me um reles infinitesimal substrato…

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Abelhinhas

Macro-9454

Abelhas têm o meu respeito. São lindas, obreiras, aliadas aladas, essenciais. Não faço ideia de como identificá-las como espécie com ou sem ferrão. Na dúvida, evito fazer algo que as desagrade quando, por exemplo, me aproximo muito para fotografá-las. Interessante que, ajudando na vindima, disputei muitos cachos de uvas com elas, sem no entanto ser atacado! Acho que, com as abelhas, eu sigo as precauções, carinho e trato fino que uso para não assumir o risco de desagradar de alguma forma a minha +quetudo. Ela também é linda, obreira, aliada, essencial e tem o meu mui prudente respeito…

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Maninhas

Ocorreu-me dizer que, contados cinco dias dentro desta década de vinte, já deu para ver que nada parece indicar que será um período dos mais pacíficos. No entanto, convenço-me que discorrer sobre esse tema é pura perda de tempo e espaço. Afinal, qual foi a década que se possa chamar de pacífica, desde que a minha mãe me pôs no mundo nos inícios de 1944, ou seja, no auge do inferno da segunda guerra e nem ainda tinham cozinhado vivos com nukes os habitantes de Hiroshima e Nagasaki, embora estivesse em curso a ação de assar vivos com fósforo, os habitantes das principais cidades alemãs.

Prefiro então falar de mim, das minhas ideossincrasias, dos meus conflitos comigo próprio que em geral acabo resolvendo sem sequer pedir ajuda a nenhum shrink. Concedo que há um decréscimo na minha vontade de prosseguir com atividades que sempre me deram muito prazer, das quais destaco a fotografia. Mas há muita ajuda da minha muito + que tudo; Ela me dá força e apoio incondicional, condicionado ao meu comportamento em reposta a esse incondicional apoio, entenderam? Não?! Depois eu explico melhor, então. Mas não agora, porque na casa da minha filha aqui em Curitiba, tem as meninas Isadora de 5 e Clarice de 3, aí acima retratadas, de férias e de incansável atividade…

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Alergia

Suponho que aqui em Curitiba a peçonhice dos insetos é mais tóxica, pelo menos para as minhas defesas biológicas que, por outro lado, parecem haver passado por algum tipo de drástica mutação. Qualquer picada progride imediatamente para reação alérgica, inchaço, coceira desesperada. Longe vão os tempos de durão guerreiro das selvas tropicais…

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Caviar

Gostar de caviar e champagne não faz de mim um fulano metido a besta com gostos nada condizentes com as minhas posses. Minha penúria econômica não me impede de dizer que de fato gosto muito de autêntico caviar e champagne de marca excelente. De igual forma, nada me impede de alimentar meu fodástico sonho de ter um Tesla topo de linha para chamar de meu e queimar meus ultimos cartuxos neste vale lágrimas viajando autoestrada acima, autoestrada abaixo , derretendo-me em autopilotados orgásmicos delírios. Porque o Tesla é inatingível, assim como os múltiplos orgasmos, saí numa curta caminhada até um supermercado de característica “Delicatessen” aqui perto, chamado “Angeloni”, disposto a queimar um troquinho num vidro com algumas gramas de caviar de nobreza duvidosa; Debalde: De algo que lembrasse as preciosas ovas, necas de pitibiriba…

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