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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Saída semanal do casulo para repor alguns víveres, ensejando ao mesmo tempo desenferrujar os músculos das pernas. Pareceu-me haver um pouco mais de movimento de carros e podemos ver que as não muitas pessoas circulando a pé na área e dentro do mercado, todas exibiam, tal como nós próprios, suas focinheiras de pano, como é recomendado. As compras foram leves por estarmos a pé, mas deu para incluir uma caixinha de bacalhau dessalgado. Ao retirarmos o produto do armário frigorífico, eu gritei a pleno silêncio dos meus pulmões: “P u n h e t a!”. Tal foi a estridência do silêncio, que a Nina escutou-me e assim foi o magnífico almocinho regado com um geladíssimo vinho branco bem maduro, bem seco. Ao repasto sucedeu uma curta sesta, interrompida pelo bradar dos alto falantes do big brother da vez no habitual brainwash: “fiquemcasafiquemcasafiquemcasafiquemcasa…” Nas entrelinhas, “Morra à míngua, mas morra em casa!”. Até esta hora, não escutei a presença, para mim aterrorizante, dos habituais helicópteros em looooongas pairadas não muito longe daqui. No meu apreensivo pensamento, eles vigiam, quais mastins na serra da estrela, os movimentos do rebanho de carneiros pagantes; Pagantes e confinados. George Orwell precisava estar aqui…

 

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Realidade

De novo:

“Da proteção das cavernas
Há que sair para caçar
Se o medo te tolhe as pernas
À míngua irás soçobrar…”

Acreditem! Não há esperança de sobrevivência que não passe pelo trabalho e desenvolvimento. Estagnação é morte certa – muitíssimo mais certa que por qualquer vírus por mais coroado que seja. O vírus só em parte para matar pega de jeito, onde a miséria acaba matando a eito.

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Valores de grande valor
que sem valor acabaram
Amores de eterno amor
que se não eternizaram

Amigos muito amigos
que a política separou
Figadais inimigos
que a política aliou

E o eldorado opulento
agora em decadência
riqueza a levou o vento
fica luta pela sobrevivência

Da proteção das cavernas
Há que sair para caçar
Se o medo te tolhe as pernas
À míngua irás soçobrar…

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Certeza

Por certeza, só tenho a de que sou matéria viva na natureza, que à natureza matéria morta retornará, assim que “Da lei da morte me libertar”. Na celeridade do tempo, dominguei ainda mais lento; exasperante de lento. E divago, introvertido, divertido, por insanos pensamentos brincando de ser imortal neste meu estranho, estático e perigoso mundo! Um mundo paradão e sepulcral onde a dominância de milhares de milhões de bípedes entre os quais me conto, têm sua dominância contestada por andaço viral. Algo neste planetóide está muito mal…mas isso nada tem de original.
-Ou será que tem?…

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Adiamentos podem ou não ser mal vindos. Este que ontem nos foi anunciado é dos muito mal vindos, por ser mais um atraso para os meus planos e o prolongar do estado de sítio que inferniza os meus eus. “Nada podes fazer para mudar isso!”, dizem-me; Precisamente! A constatação da minha impotência para contrariar o status quo! O afã de fazer valer o meu querer de pessoa que teima em querer ser livre neste tão cantado terceiro milênio. É isso, porque no milênio anterior experimentamos forçados e angustiados perrengues e esperas em situações críticas e de desumanas incertezas que desejamos “nunca mais”. Quando é que se inicia mesmo a Era de Aquárius?… Em “Hair”, eles prometeram-me para este milênio, liberdade, paz e amor, sem armas, sem tiranos; Sendo, bem entendido, estes tiranos, tal como nós, seres bípedes biológicos, só que com massa cinzenta amalgamada com elementos fecais. Em “Hair”, não foram lembrados os vírus e bactérias que de quando em vez invadem, bagunçam  e eventualmente fazem parar o nosso complexíssimo e frágil sistema eletroquímico…

 

 

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Geringonça

Para um hipotético livro que jamais verá da impressão os tipos, escrevi há anos o seguinte texto:

“…aqueles eram tempos de regime instalado por processo indireto, fechado, aferrolhado, mutretado em partido único, de legitimidade autocrática…” E continuava:  “Hoje em dia os tempos mudaram, os regimes que se foram instalando assim o foram por processo direto em sufrágio livre, universal, de lisura democrática, mas logo em seguida fechados, aferrolhados, mutretados  em coligações de siglas várias, no sentido de monopolizar o poder decisório, ou seja, fundidos em partidos únicos e plenipotenciários de legitimidade cleptocrática…”

Em suma: quem ganha não leva; Os coligados vencidos governam a seu bel prazer e os ganhadores submetem-se ou resignam. Modernamente, criação da fauna política da minha mui amada pátria lusa, tal tipo de “desgracia” é apelidada de “A  Geringonça”. Parece que o modelo foi exportado…

 

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Invejo!

Oi Nelson Que bom ter notícias suas e saber que estão bem !!

Japão está bem relaxado Não há um lockdown verdadeiro Estou trabalhando alternado entre office e home e meu filho está tendo aulas on line mas fora isso continua normal A maioria dos bares e restaurantes estão funcionando Muitas lojas também Parques públicos abertos”

A mensagem acima é copia/colagem direta do “Message” do FB; A minha amiga Débora é engenheira paulista ex Embraer presentemente contratada pela Mitsubishi aeronáutica, residindo em Nagoya, Japão, onde ninguém usa a desgraça de um surto virótico para empurrar a economia, por decreto e à força, para o precipício e provocar o caos, a fome e a desesperança, com o intuito de obter ganhos políticos e promover golpes de estado.

Ah! Como invejo esse pequeno grande país de compactados 128 Milhões de almas de enorme capacidade de trabalho, perseverança, respeito e disciplina cívica! Tudo isso contido numa brilhante embalagem de Orgulho Pátrio!…

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autorretrato

Trinados tristes, triste alegria

a guitarra por companhia,

braço dado com a poesia

que no peito a opressão mitiga;

 

Nos versos que agora faço,

dos meus passos deixo o traço,

sejam sucesso ou fracasso,

nas rimas da poesia amiga…

 

Nestes tempos tão amargos

suspiros juntam-se aos ais

incertezas e riscos largos,

confinamentos, embargos,

liberdades, por onde andais?…

 

Já é outono na minha idade

É (sempre) primavera, na Liberdade!…

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Medo

Obitos Covid19

Até ontem, dia 11, o Brasil apresentava, por resultado do surto de C-19, 50 óbitos por cada milhão de habitantes, conforme gráfico de dados mundiais acima. Isso coloca o país numa posição um pouquinho acima dos resultados no mundo em geral, mas extremamente baixo em relação a países europeus e aos EUA. Sabemos que esse número vai subir, como estão subindo também nos países que estão já a promover a abertura para estancar a desastrosa sangria econômica. Haverá, sem dúvida, muitas mais mortes a lamentar em consequência direta do surto, até que medicação efetiva seja alcançada. No entanto, se o planeta continuar estagnado por mais tempo, crescerá a outra calamidade já em curso, que é o desemprego, a miséria e a fome, crescendo em consequência a curva da mortalidade pelas doenças relacionadas à desnutrição e falta de meios. Seguem-se o descontentamento, a baderna de rua, a violência e até o pior: a guerra.

Escolhas e decisões precisam ser rápidas…

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Aplauso

Aplauso

Sorri e agradece o artista, sob a cachoeira de aplausos que sobre si jorra simultaneamente dos dez andares de frisas acima. Sua música delicia e alegra a alma dos condôminos e mães homenageadas, enquanto mitiga amarguras e maus humores gerados pelo confinamento. O agradecimento é nosso ao Ricardo Nascimento, excelente trompetista forjado nas bandas militares e temperado nos palcos, ultimamente acompanhando a cantora Mona Vilardo.

Enquanto escrevo estas linhas, lembro de menino as várias e sempre goradas tentativas de tirar algum som de um trompete ou de uma simples corneta. Delas eu imaginava-me extrair melodias como o fazia Eddie Calvert, jazz n´blues rivalizando com o Louis Armstrong, improvisar ao cair da tarde, como o fazia o malogrado Zé requinta nas noites quentes de verão da sua varanda naquela aldeia milenar das minhas origens. Mas topava na embocadura e na falta pura e simples de pulmão…

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