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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Aplauso

Carolina Ligeiro. Oh my! a menina canta pra carai! Demorei a recuperar o fôlego para procurar saber porque é que ela não está em outro, muito mais elevado patamar. Continuo não sabendo, mas virei a saber, porque a rapariga canta mais que a falecida Winehouse, isto na minha modesta opinião. Fico extasiado, porque os velhos icons que eu tanto admirava, ou já partiram para outro plano, ou não estão mais em condições físicas nem de voz para enfrentar um palco ou a pesadíssima barra de um studio de gravação. Juntemos a isso a falta de produção de música de qualidade, na triste realidade de notas e letras repetidas ad nauseam do funk, ou de pepineiras geradas por IA. De qualquer forma, quando um compositor de música popular cria algo realmente bom e de sucesso, a probabilidade de ser acusado de plágio por algum cretino picareta oportunista, é real…

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Miau

Tem uma loja ali, logo ali, que tem uns gatinhos lindos. Dizem que são caríssimos, porque de raças exóticas, que realmente são, de tão lindos. Se pudesse raptava um deles para mim, porque seria mais exótico que comprar o bichinho. Mas não compro nem roubo, porque prefiro ser livre. Bichinho em casa é cadena no pulso, com pesada âncora te amarrando ao lar. Lar que seria dele, do bicharoco, que se tornaria dono absoluto do meu pedaço…

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A vida decorre e escorre em corrente imparável em direção ao conhecido. Os ossinhos estão doendo, o meu dormir não é tranquilo, as cãibras amofinam-me. Mas prossigo existindo, logo, o meu pensar vai sendo garantido. E o que é que eu, um octogenário cheio de mazelas e dificuldades físicas, ainda tem para pensar? Eu responderia que tento pensar o menos possível nos impensáveis tempos presentes. Mas só tento, e sofro tentando evitar apanhar-me arrastando meus límpidos pensamentos pelas veredas nauseabundas, ensalmadas de merda, dos dias em curso. Não resisto e dou em procurar definir o tipo de “límpidos pensamentos” que digo ter e defender. E dou voltas e mais voltas, feito cachorro perseguindo a cauda, sem chegar a nada, porque, afinal, parece não haver nada de assinalável nos meus límpidos e inúteis pensamentos. Ai de mim…afinal, somente em metade de mim eu encontro alguma sabedoria de vida…

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11/75

Nesta importantíssima data, retorno ao blog para recordar aqueles longínquos dias de apreensão e agonia que sofri no decorrer do ano de infinita desgraça de  milnovecentosesetentaequatro, que se seguiram à abrilada, ao reconhecer que o país estava a ser entregue às garras do imperialismo vermelho, ao ver vasos de guerra soviéticos ancorados no Tejo, militares russos passeando por Lisboa, fazendo apresentações em teatros, deixando a claro que sombrio futuro nos esperava. No dia de hoje, em 1975, patrióticos militares levaram a cabo o que se impunha para levar o país à esperança de um sistema livre de tiranias…

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Magusto

“Dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho!”. Provar o vinho na adega eu não vou, porque sequer tenho adega, muito menos com vinho novo para provar. Mas já estão uns punhados de castanhas em preparação para um mini magusto, que ninguém é de ferro. Ferro e brasa na lareira eu também não tenho e as minhas castanhas assarão com o ar quente duma dessas fritadeiras modernas. Quem não tem cão, caça com gato (!) – era assim mesmo que diziam? Nem sempre os ditos populares tinham lógica, mas esse de ir à adega neste dia, tem tudo a ver com as indescritíveis, alegres, inesquecíveis conversas familiares e de amigos em torno da infusa de vinho novo acabado de tirar do tonel. Acompanhavam delícias várias do melhor fumeiro, com pão de milho…

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Novembrou..

Novembrou mais uma vez. Para não voltar a falar em mil setecentos e cinquenta e cinco, eu decido também não falar em dois mil e vinte e cinco. Desgraça por desgraça, porque malhar em ferro frio? Festejo a vida que até este minuto conservo, mesmo não sendo certo que a conservarei até ao final deste texto. O dia está chuvoso e tristonho, sem o brilho dos céus superazuis que são característicos por aqui. Tempo que convida a ficar em casa, sem que em casa deveras deseje permanecer. Desejaria, isso sim, sair por aí, sem rumo certo, mas com acerto final a um destino prometido, mas nunca alcançado, porque também estou longe de saber qual seria esse diacho de destino, produto das minhas idiossincrasias…

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Aliança

A esta estação da vida, sinto acostumar-me à torrente de surpresas, ruins em sua maior parte, que surgem a cada momento. Mas o que fazer? como proceder? O que dizer, ou escrever? Provavelmente, melhor não dizer, melhor não escrever. A saúde não vai tão bem quanto desejaria, mas, há que resignar-me com um “poderia ser pior”, o que, em última análise, acredito, poderá dar-me mais alento para as eventuais pioras, que o desgaste dos órgãos por desventura me reservem no avanço da idade. De resto, meus dias de solidão são páginas viradas no meu passado de “oilman”, cada vez mais distante nas memórias e, presentemente, não passo uma única hora sem a companhia dela, tirando quando ela vai arrumar o cabelinho. Cinquenta e oito anos se passaram, desde que ela me envolveu o dedo com uma aliança, que dizia que era para toda a vida…

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De novo, falso alarme: a meteorologia diz que está chovendo, mas não está, pelo menos não, neste lugar onde me encontro: Quem sabe chove em outro ponto da cidade? Deveria eu ir atrás da chuva, lá onde ela se encontrar? Mas porque haveria eu de ir atrás da chuva? Será que estou me sentindo deveras saudoso de uma chuvarada? E se, de tanto a desejar vier um dilúvio? Pensamento besta… Mas preciso pensar alguma coisa, mesmo que seja besteira, para arejar a cuca. Há muitas nuvens negras ameaçando tempestades violentas, mas essas não serão ocorrências meteorológicas e sim do tipo das que deveras me assustam, me apavoram! Encontro-me assustadiço, porque encontro sobejas razões para isso…

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Esquisito…

Vi, com entusiástica admiração, a perfeita (e destrutiva) amaragem do Starship, depois do show da reentrada e queda controlada de volta à terra. Em certos momentos e perfis, por outro lado, não consegui libertar-me da ideia formada no meu cérebro, de que se tratava de um gigantesco e cadente falo, ereto e fumegante, em rota certa para f***r o terráqueo. A ideia me perseguiu todo o dia e gerou inseguranças pessoais: “Será que estou, além de octogenário, andrógino?!”…

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É ruidoso, o meu silêncio. E não são só os omnipresentes chiados, que tanto perturbam meu tão almejado silêncio; são as vibrações, as vibrações que me circundam e que sei não serem boas; acredito serem nefastas as vibrações que prejudicam meu silêncio. Mas também acredito que nem todas essas vibrações são nefastas; ou até serão, porque o bom deixou de ser aquele bom meu conhecido e passou a ser um tipo de bom que apoia o mal; aquele que apoia a “solução final” de triste memória, de milhões de mortos, que parecia morta e enterrada, mas, quem  diria, ressuscitou das asquerosas cinzas…

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