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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Felinos

Gatos podem ou não ser amáveis bichinhos peludos que nos fazem companhia e que acariciamos até onde eles nos admitam. Se for um siamês, em qualquer momento o bichano assinala que já encheu e começa por te dar uma mordidinha aparentemente amigável, mas será provavelmente seguida de uma bem mais contundente, como se dizendo “me deixa em paz!”, marcando os dentes na tua mão; Pergunto-me como é que a Vanessa, depois de muitos anos aturando os maus humores da Belina, tomou para adoção uma cópia da dita! A Chiara, Kiara, ou Kiki, não importa como é chamada, parece um clone da felina que ocupou nossa casa por exatos 19 anos! Perguntei se a gata aprovou a montagem de uma árvore de Natal; por dois dias ela condescendeu, mas ao terceiro começou a escalar, a atropelar tudo e a arrancar no tapa e garra, os pindorelhos dourados…

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Lembranças

Também eu completamente esqueci que na data de ontem, há exatos 60 anos, John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente dos EUA, foi assassinado a tiros durante uma carreata política em Dallas, Texas. Deveria eu ter lembrado a data? Supostamente e em princípio, não. Mas a memória pegou de arrasto minhas mais íntimas memórias através das brumas e fui incapaz de reagir contra a lembrança da intensa, dolorosa, frustração daquele meu momento. Tomando um cimbalino forte, encostado ao balcão do bar de um cine-esplanada magnificamente ajardinado e iluminado, escutava uma emissora de rádio com o dramático head line. Lamentei o ocorrido, mas não tardou e o acontecimento foi prontamente sobreposto, sufocado, pelos meus dramas muito pessoais: A minha pessoa era, então, non-grata, diria que escorraçada, repelida, na minha pretensão à mão da menina pela qual eu estava completamente apaixonado! Minha dor era, sem embargo, muito mais aguda que os ferimentos de JFK. Afinal, bem morto, ele certamente não sentia mais dor alguma, enquanto eu, vivo e jovem, debatia-me em agonia com a alma profundamente dilacerada…

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Voltei ao Marcel Proust e iniciei novo livro, mas não digo qual, envergonhado de tão baixo progresso nas minhas leituras. Repetir que falta vontade, interesse e tesão é uma repetitiva ridicularia pessoal. Basta constatar a minha ausência dos blogs. Quando apareço no feicebúque é para lamentar a morte de algum músico, ou cantor, ou artista da minha predileção. Falar da sanguinária barbárie que grassa pelo mundo ou de quão infinita é a estupidez do terráqueo que se diz “ativista” de tudo e de nada, expondo-se até mesmo a tomar umas porradas dos irados cidadãos impedidos de ir e vir nas suas atividades de trabalho e sobrevivência, não chegaria a definir-me neste momento. Não hesito a classificar minha presente alma como uma bem superficial e desinteressante. Mas não prometo nada de nada, porque a respostas que obtenho do meu corpo decaem a olhos visto: Ontem, mais uma vez, estive presente num estúdio ao ensaio de um grupo musical – rock´n´roll, heavy metal, estridência de guitarras, grave marcação de contrabaixo, batera contundente, vocalista mulher, que penso ser mulher, ou não será, sabe-se lá…

Acedi a fazer várias fotos do grupo no lobby do estúdio. Para melhor realizar o enquadramento, ajoelhei, mas, no que eu tentei desajoelhar, só consegui fazê-lo ajudado pelos jovens; meus músculos e ossos negaram-se sequer a suportar meu corpo, quanto mais levantar-me do chão por mim próprio!

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Lacrimoso

Neste momento decorre em Ostrava, república Checa, a cerimônia religiosa de despedida à finada Patricia Burda Janecková. Menina de apenas 25, dotada pela Natureza com voz extraordinária, soprano de talento imenso e promissor. Mas, essa mesma Natura, que tão desapiedadamente dá e tira, a condenou ao sofrimento e morte prematura, privando-nos de sua maravilhosa arte. RIP, Patrícia!

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Passadas

Envelhecer tem particularidades que só envelhecendo delas nos apercebemos, enquanto vamos enfrentando as moléstias e sofreres a que a idade vai naturalmente, mais ou menos paulatinamente nos submetendo. E porque para envelhecer é necessário viver o suficiente, redigir estas linhas faz de mim um privilegiado sobrevivente. Então…

…Faço o passo como posso,

do meu jeito faço o passo,

pulando por sobre o fosso,

sem aceitar um fracasso…

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Azedume

Desconcentração e desinteresse têm feito parte de mim nos últimos anos, desde que deixei de vender meus dias e os tomei integralmente ao meu serviço. Eu deveria determinar a minha imediata demissão, por incompetência e irresponsabilidade. Incapaz de gerenciar-me, só faço merda em tudo em que meto a mão. Passando a limpo, constato que na prática deixei as leituras, as escritas, (ou tentativas de), a prática de um instrumento, só para mencionar alguns abandonos. Em compensação, eis-me viciado em besteiras, rasteiras e baixarias que procuro no Youtube. Quem procura sempre acha, é vero, e eu, criatura em retrocesso, dei em aceitar tantas das baboseiras que por lá encontro. Há pouco, a Nina lembrou-me, tarde demais, que tinha Mahler 7 em concerto ao vivo da Orquestra e coros da Gulbenkian diretamente de Lisboa! Corri, mas só haviam sobrado para nós os três últimos andamentos. Meu humor nesta tarde azedou ou pouco mais…

…Mas voltei a prometer-me para breve uma virada radical nos meus azedumes.

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Cascavéis

Trabalhar a mente com o intuito de achar um mote aceitável para um texto, pode ser um sério desafio. Ideias mil me passaram pela cuca, mas não raramente acabam esbarrando em non-sense, em terreno lodoso, em barbas de molho. Hoje me ocorreu falar um pouco sobre espíritos de porco (ou porca), perigosos narcisistas capazes de colocarem na tua boca afirmações que jamais proferiste, más ações que jamais praticaste, envenenar de forma vil e definitiva teu relacionamento com amigos e familiares. Esse tipo asqueroso de gente sempre existiu e eu, pessoalmente, até hoje sinto com imenso pesar, o incômodo e frustrante afastamento de pessoas que cheguei a orgulhar-me de ter entre os meus amigos. A polarização política não pode ser desassociada de alguns casos que me afligem, mas, desde que me poupem aos descalabros do estúpido pensamento “woke”, não chegam a me incomodar verdadeiramente. Mas são os casos ocorridos dentro das portas familiares, os que mais me perturbam e que tão veementemente lamento…

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Borocoxô

Nem mesmo para tomar banho esta noite eu acho disposição. Sinto-me tão sem vontades, que não acompanhei o meu genro ao programado ensaio e gravação no studio onde em outras ocasiões com tanto interesse estive presente. Tusso e espirro com frequência de não deixar dúvida que vem por aí outro resfriado. O sábado foi de chuva constante, bom para nada fazer. Mas é impossível em nada pensar, pressionado pela carga de preocupações que arrumei para nós, numa idade em que tanto ansiamos por paz e dias bem tranquilos. O arrependimento emerge a cada momento, seguido de cada momento de “vai das certo”, ou “já aconteceu, vamos em frente com coragem”, dentre outras frases de auto incentivo. A leitura não me desperta e finalmente eu opto por perder-me na música de Richard Wagner pescada nos meandros do YouTube…

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Cansaço

Repousamos em família e em torno da lareira, porque passamos do insuportavelmente quente para temperaturas abaixo de 8 Celsius, passando por um estágio de chuvas torrenciais que nos impediram a partida, quando estávamos já na cabeceira da pista do SDU. A voz metálica anunciou a volta da aeronave para o pátio, porque o controle fechou o aeroporto. Outra voz não menos metálica ordenou a evacuação da aeronave e a retirada da bagagem nas esteiras. Seguiu-se longa fila de espera para obter, junto de atendentes pouco cordiais, novos cartões de embarque e “vauchers” de refeição. Encurtando, de um pequeno voo direto de 80 minutos, eis-nos voando, após horas de espera, para destino intermediário e, horas de espera depois, outro voo para o destino final, que atingimos já na madrugada de domingo, cerca de 14 horas além do previsto…

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Calor intenso a meio do intenso momento das nossas vidas. Como escreveu e cantou  Manzanero, aprendemos que “las semanas tienen más de siete dias”, longas como se apresentam, curtas como resultam. El Niño faz o seu papel, esculhambando as meteo, virando de vez a cabeça dos catastrofistas que sonham com impossíveis emissões zero.

Mas eu quero mesmo é falar num vinho preparado e fermentado a partir de uvas das castas touriga nacional, alicante, aragonês, petit verdot dentre outras, granjeadas nas terras do baixo Alentejo, parcialmente pisadas, dizem, em lagares de mármore e seu néctar estagiado em meias pipas de carvalho. Sendo o mármore calcário puro, qual será o efeito? Talvez no Ph, ou talvez seja apenas um apelo. Mas, o resultado que agora degusto, é um extraordinário vinho tinto de cor e claridade quase erótico, de sabor indescritível, de descida ao mesmo tempo suave e agressiva nos seus 14% do volume, com o rótulo “Marquês de Borba” colheita 2020! Beba-se, então, mesmo que sem companhia, já que a Nina nada tem a ver com Baco…

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