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Archive for Janeiro, 2025

Sextar…

31 de Janeiro é data ligada ao meu berço a ferro e fogo. Haveria outros movimentos mais ou menos violentos, até que, já em 1910, fosse então implantada a República, derrubando o poder da Monarquia. Neste dia, portanto, no ano de 1891, na minha bela cidade do Porto, um débil levantamento militar foi sufocado, ao custo de algumas dezenas de mortos e feridos, além de centenas de presos políticos enviados para o degredo, em África, é claro. Mas, hoje o dia amanheceu bonito, depois do que choveu durante a noite. Vamos então sextar, aproveitando ao máximo o que de bom se nos oferece, enquanto seu lobo não vem…

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Cisma

Fui, sim, dos que, enquanto solitário caminhante pelos calçadões da vida, se acontecia o Sol pelas costas, eu seguia a própria sombra e com ela conversava, até que, mudando de direção, a sombra de mim se despegava e o monólogo cessava, ou não; aparte os que por mim eventualmente cruzassem e se perguntassem com quem diabo eu estaria conversando, nenhuma atenção eu atraía para mim, com tal tão íntimo dialogar. E dialogar com um outro eu, mesmo sem sombra, não faz, ou não fazia de mim um fulano pirado, perturbado – muito longe disso. É que, nessas minhas introversões, eu e “ele” não raramente discordávamos, ou mesmo nos cindíamos, em aspetos da minha sobrevivência no ambiente donde a sobrevivência provinha…

“Há porções de mim que me renegam,

outras que, gentis, me querem e acolhem;

Há as partes de mim que me segregam,

outras que as diferentes partes agregam…”

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Isóptero

Referi-me na última postagem a uma esperançosa volta “à normalidade”, mesmo sabendo, por experiências vividas que mantenho vívidas, que nada, afinal, é normal, se nos acercamos em demasia. Mas, o que vem a ser isso de ser “normal”? Por mais que me esforce, talvez até por falta de embasamento filosófico, ou intelectual, nunca logrei e sigo falhando em encontrar uma clara definição do que seja “ser normal”. A julgar por tantos e nefastos mergulhos nas esterqueiras internéticas, não será certamente no seio delas que encontrarei respostas.

Mas digamos que seja normal a arrelia de ser assolado, com uma temperatura mais alta e chuvas de verão, por térmitas ou termites, cupim ou, como prefiro chamar-lhes, salalé, que adentram sem cerimônia a tua casa e ameaçam a integridade do mobiliário. Os versados em insetos, reservam para eles a pomposa designação de “Isópteros”, mas o nome da cousa não está certamente em causa. O veneno para os combater, sim…

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Os dias sucederam-se, na minha miseranda apatia de velho octogenário. Oh! Céus, que descalabro! “Velho octogenário”, terrífico pleonasmo, precedido pela mais que depreciativa “miseranda apatia”! Qual o motivo, ou conjunto de motivos, que me leva a fustigar-me a mim mesmo, com tais violências verbais? Estarei eu escorregando num tobogã veloz e sem freios para um profundo vale sem retorno? Nada disso, asseguro, por seguro que ainda me sinto em mim mesmo, malgrado momentâneas apatias…

Acontece que nada sai do teclado da minha máquina, desde há umas duas semanas. Falta de assunto até não há, se eu me autorizasse a manifestar-me sobre todo esse estrugido político em curso. Mas a caçarola, por política, é malcheirosa e por tal eu sigo evitando o tema. Vai que dou em reagir, e até vomitar?! Mas, tenhamos fé, porque, pelo menos um golpe fulminante na maldita ideologia “woke”, parece estar, finalmente, em curso. Será mesmo um retorno à “normalidade”?!…

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Dependência

Acordo duas da madrugada, levanto pro xixi, volto pra cama sentindo frio, muito frio, como se estivesse num igloo. Tremo, tremo, descontroladamente, agarro a minha mais-que-tudo, pedindo socorro e o quentinho dela. Na fase seguinte, eu estou suando e afasto de mim tudo o que me cobre e irradia calor, a mais-que-tudo incluída. Levanto de novo pro xixi e enfrento, na volta à cama, não mais estranhíssimas amplitudes térmicas, nem o desconforto de bexiga cheia, mas sou assolado por ameaças de tal forma reais, que se torna impossível dormir, porque sinto a aflitiva necessidade de me manter bem acordado, para me defender de horrendos atentados à minha integridade. Com a respiração alterada, não tardo a julgar encontrada a razão do meu pesadelo: O Youtube, a crudelíssima guerra nas neves da Ucrânia, o inferno ardente da cidade de Los Angeles, o descalabro do ameaçador panorama político. Ordeno-me renunciar à frequência das internetas, exigindo-me a mesma força de vontade que me acudiu quando, fumante extremado, abandonei abruptamente o tabagismo. Será que consigo?…

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Resignação

Ao sexto dia do novo ano, gostei do texto que me foi recordado, que redigi e postei neste mesmo dia há nove anos atrás:

“Virei o novo ano de ponta cabeça para tentar adivinhar o que me espera. Só consegui conjeturar, baseado nas nada animadoras, para não dizer aterradoras premissas que o futuro contido entre este sexto e o tricentésimo sexagésimo quinto dias do período poderão oferecer-me. Penso que se eu fosse um homem de fé, verdadeiramente crente e temente, eu recitaria com ar resignado: “Projeto o melhor, espero o pior e aceito de ânimo igual o que Deus me der”

Levando mais adiante o pensamento, acabo por aceitar a frase como uma boa frase que reflete a obviedade ululante do paredão escuro e opaco do incerto futuro. Crendo ou não que o que vier virá pela força do Divino, prometo-me manter o ânimo para aceitar, resignado e com mais ou menos tranquilidade, o que me cair no colo…”

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Cinco dias decorreram no presente ano. O gáudio das festas, etílicos ou não, ainda persistem e as rodovias estão lotadas de viajantes retornando, porque amanhã é, para muitíssimos, o primeiro dia de trabalho. Para nem tão poucos, será a hospitalização ou até o término da vida, porque graves acidentes nas estradas são, infelizmente, coisa bem real.

A Nina lembrava-me há pouco, que neste Natal nós nada registámos em fotografia. Nem árvore, nem ceia, nem pose familiar. Dir-se-ia que, porque ficou mais fácil a fotografia com os IPhones da vida, sem a habitual preparação das pesadas câmeras e lentes, o ato de fotografar parece ter deixado de ter a importância de outrora! Ou será porque realmente, a idade me reduziu à ínfima espécie, sem interesse por nada? Eu prometi, e aqui deixo prometido, que reverterei esse apático estado de espírito…

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Virou…

Acordo com um solzão abrilhantando este dia primeiro do ano de vinte e cinco, com uma estranha e teimosa compulsão para trautear “A Mula da Cooperativa”; primeiro em silêncio, como se ainda sonhando, depois a viva-voz. Nas primeiras e ainda ensonadas olhadas através das janelas, vejo que largaram uns sacos de lixo do outro lado da rua grande e que, na outra via, os vizinhos moradores de rua, lá, no mesmo quarto de dormir, na entrada magnífica de um Banco, viraram do velho para novo ano de miséria igual. Então me pergunto onde está a novidade além do calendário? A nossa virada, no acolhedor ambiente da familinha local, incluiu uma tacinha de autêntico Champagne que, ainda que bruto, teve a virtude de suavizar o meu dia meio mal-humorado e de pressão sanguínea acima do normal.

Tenham todos um magnífico ano de 2025!

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