Era eu ainda um pre-teen de pequena estatura quando me cheguei à bilheteria do pequeno Cine Olímpia, bem ao lado do gigante Coliseu, na minha inesquecível cidade natal. O homem do lado de dentro do guichet perguntou-me pelo documento que comprovasse que eu completara os treze anos; recuei sem um gemido, porque não, eu não perfazia a exigência. Os censores ao serviço da ditadura da vez haviam determinado que um filminho do Cantinflas (não lembro mais qual deles), não era classificável como “para todos”! Voltei para casa triste, magoado. Triste, magoado e revoltado, por não ter idade, contra a censura, contra tudo isso e o mais que me terá ocorrido no vendaval íntimo.
Agora há pouco, cheguei-me à única bilheteira “em pessoa” que encontrei disponível no Cinemax de um Centro Comercial e pedi ingresso para o Top Gun legendado (som original); após os costumes e antes de emitir o bilhete, a pergunta: “Tem o comprovante da vacina?”. Recuei sem um gemido, porque não, eu não tinha papers que me credenciassem como espectador do “Maverick”! Que pecado o meu, deslocar-me para o cinema sem lembrar-me que o meu mundo NUNCA foi livre e NUNCA será. Voltei para casa triste. Triste e revoltado, como naquele longínquo dia na minha bela e inesquecível cidade do Porto…
Cantiglas e Kafka aqui unidos no Cinemax.
Bem colocado, caríssimo! Um abraço. E parabéns pelo texto de Pirinópolis!
Você acha que tem espaço no WordPress para aquele tipo de texto. Lá no Substack trabalho com um público mais “literário”, se posso dizer…rs! Forte abraço do seu,
Beto.
A minha página no WordPress é antiga mas inexpressiva, porque que minhas postagens são muito em torno do meu próprio umbigo, são muito irregulares e precisaria criar e alimentar muitos seguidores também com blog na plataforma. Ou seja, sou um blogueiro muito pouco sociável! Mas acredito que o WordPress tenha muito potencial, se usado com muito mais dinamismo.
Na minha página anterior, que eliminei, fazia postagens quase diárias e cheguei a ter mais de 1000 visitas por mês.