
Deixara os sapatos do lado de fora para não conspurcar o recinto e fora entrando, penetrando vagarosamente, como se desvirginasse o impossível. Nenhuma resistência encontrei, tal a complacência e passividade daquele impossível. E assim, fui abrindo o caminho através dos vários e vários níveis possíveis do meu impossível, até desembocar num espaço feericamente iluminado por rubras luzes. Abri meus olhos e os olhos à minha alma para que ela testemunhasse que acordei, que acordei, que acordei uma vez mais. Senti saudades do meu casulo, da minha mais-que-tudo tão ardentemente presente no frio vazio que tateio ao meu lado na cama. Mas senti em seguida uma grande alegria, ao constatar que vivia, que o coração batia, que o pensamento fluía, enfim, que eu existia!!…
Os tons são de rubro, as águas tão irreais…
Feliz eu me descubro, feliz até demais…
Que diacho posso eu querer mais?!
(Originalmente postado no FB)
Bravo!
Obrigado, Caríssimo, pela visita e incentivo!