

Deixado sozinho em casa, fotografei-me! Agora, sem ninguém para me vigiar, estudo-me no auto retrato com a mesma atenção que costumo empregar quando me observo nos espelhos. Só que nos espelhos eu não posso descolorir-me como o faço nas fotografias. Gosto muito de ver-me em preto e branco, porque as marcas do tempo do tanto de tempo que por mim passou, ficam um pouco disfarçadas. Confirmei também uma vez mais que tenho dificuldade em sorrir para a lente. Porque haveria eu de sorrir para uma lente que não tem ninguém sorrindo por detrás dela? Mesmo assim, com enorme esforço e muitas tentativas, eu abri um levíssimo sorriso tipo “foolish grin”…
A minha fase de ter uma morada em Macaé e rodar pela BR 101 pelo menos duas vezes por semana terminou com a entrega do apartamento – redoma – green house ao seu dono. O meu velho Astra não mais fará o shuttle service que o desgastou nos últimos cinco anos e, por outro lado, eu perdi o mote de tantas crônicas de viagem. Agora, nova fase vai ser iniciada a partir da próxima segunda, quando voarei para São Salvador da Bahia de Todos os Santos, dando a partida para um período de trabalho ainda mais intenso, de sol a sol, de segunda a segunda. Parece que é coisa muito louca para um idoso, mas garanto que a coisa é muito mais louca do que parece.
Espero que pelo menos me dê matéria para fotografia e crônicas, já que à minha poesia nem eu próprio mais atribuo qualquer valor.
Que venham as crônicas, mas se que desista da poesia, jamás!
Obrigado pelo incentivo, Mestre Beto Queiroz!